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Influencer nazista que se dizia satanista é denunciado por racismo contra Renato Freitas

Ação pede que o influencer Victor Savale, conhecido como Vicky Vanilla, pague R$ 8,8 milhões em danos morais

Influencer nazista que se dizia satanista é denunciado por racismo contra Renato Freitas
Victor Savale: de draq queen a nazista / Reprodução/YouTube

O influenciador digital Victor Savale, conhecido como Vicky Vanilla, foi denunciado à Justiça pela Defensoria Pública de Pernambuco por apologia ao nazismo, racismo, incentivo à radicalização de seguidores e ofensas racistas praticadas, entre outros, contra o deputado estadual Renato Freitas (PT-PR).

O processo é de setembro de 2025 e pede o bloqueio dos perfis do influenciador e a condenação ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de R$ 8,8 milhões. Há vários perfis com o nome de Vicky Vanilla nas redes sociais, mas o perfil oficial do influenciador teria sido desativado.

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Savale teria se referido a Renato Freitas, segundo a assessoria do deputado, como "chimpas", uma abreviação de "chimpanzé". Ele ainda teria feito comentários depreciativos sobre o cabelo do parlamentar. Os vídeos não estão mais disponíveis.

Draq queen, satanista, cristão e nazista

Victor Savale ganhou notoriedade nas redes sociais, principalmente no Tik Tok, ao se identificar como satanista, depois de aparecer como drag queen. Em seguida, rejeitou o rótulo e passou a se denominar "luciferiano" e a participar de podcasts no YouTube, quando ficou mais conhecido.

Após as enchentes no Rio Grande do Sul, em maio de 2024, afirmou que o Estado havia sido atingido por fortes chuvas em função da grande quantidade de terreiros de umbanda. Nessa época, ele disse ser judeu e combater o nazismo. Em uma nova fase, passou a se dizer cristão, anunciou a criação de uma igreja e logo passou a defender o supremacismo branco.

Em vídeos, Savale disse para a população branca não se relacionar com pessoas "de outras raças", afirmou que a população do Nordeste é formada por pessoas "com consciência inferior" e chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de "cuzão" e "comédia do caralho". Segundo ele, suas redes sociais não seriam derrubadas porque "a judeuzada vai ouvir a verdade". Ele ainda anunciou uma "aula de nazismo grátis", um assunto segundo ele "proibido no sistema sionista judaico".

Segundo a assessoria de Renato Freitas, a ação da Defensoria Pública de Pernambuco sustenta que Savale promoveu reiteradamente conteúdos de exaltação a Adolf Hitler e a David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan que chegou a elogiar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O grupo do influenciador no Telegram chegou a alcançar 1,8 mil membros, informou a assessoria.

Ligação com o MBL

Em novembro de 2024, o deputado federal suspenso Glauber Braga (PSOL) denunciou que um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) tinha ligações com o influencer. Segundo Braga, Benjamin Pontes, um dos articuladores da criação do partido ligado ao MBL, o Missão, curtiu e comentou publicações de Savale. Um dos líderes nacionais do MBL, o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil), disse que as interações teriam ocorrido “sem querer”.

Em vídeo ainda disponível no YouTube, Savale confirmou que tinha "uma boa relação" com Pontes, que era assessor do deputado estadual de São Paulo Guto Zacarias (União Brasil), também integrante do MBL. Para Savale, o deputado não o defendeu porque o MBL tinha colocado "uma mordaça" em seus integrantes. Ele atribuiu o silêncio a uma suposta "raiz sionista" no movimento.

"O Ben Pontes adorava os meus posts de apoio à causa branca e do nacionalismo no Brasil. Curtia os posts, trocava mensagens comigo, me apoiava, mas aí veio o 'maçonzinho' e mandou ele calar a boca, agora está com uma mordaça na boca".

O espaço fica aberto a um eventual posicionamento da defesa de Victor Savale.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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