Nesta quarta-feira, 22 de julho, Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, Londrina terá sua 1ª Blitz Educativa de Combate ao Feminicídio. A mobilização acontece das 9h às 11h, em frente ao Museu Histórico de Londrina e ao Terminal Central, na avenida Leste-Oeste esquina com a avenida São Paulo. A organização é da Rede Municipal de Enfrentamento às Violências contra as Mulheres, juntamente com o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (CMDM).
A presidenta do Conselho, Sueli Galhardi, explica que a atividade pretende ampliar o diálogo com a população sobre a gravidade das múltiplas violências de gênero, incentivando denúncias. “Em anos anteriores, nós participamos das Caminhadas do Meio-Dia organizadas pelo Estado e município, onde havia apenas uma concentração em frente à Catedral e seguíamos até o Ouro Verde. Esse ano, a realização da blitz foi uma proposta debatida nos coletivos da Rede de Enfrentamento para dar visibilidade pública a desigualdade de gênero”, explica ela.
De acordo com a presidenta, durante a blitz serão expostos cartazes, faixas com frases que convoquem à reflexão, além de panfletagem e diálogo com a população.
Como denunciar
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo 180 ou pelo 181. Em situações de emergência, é necessário acionar a Polícia Militar através do 190 ou a Guarda Municipal pelo 153. A denúncia pode ser anônima.
Medo e revitimização
Para Sueli, uma das grandes dificuldades para a efetivação das denúncias de violência de gênero, inclusive doméstica e familiar, é o risco de revitimização da denunciante durante o processo. A blitz faz parte das ações que buscam desconstruir ideias misóginas, que legitimam discursos de ódio e ciclos de violência, culminando, muitas vezes, no feminicídio.
“Não é possível que, ainda nos dias de hoje, as mulheres tenham que morrer apenas pelo fato de serem mulheres, porque nós vivemos numa sociedade machista, misógina, que trata com desigualdades homens e mulheres, e isso custa a vida das mulheres. A importância é a corresponsabilidade. Responsabilização de todas e todos no enfrentamento à violação de direitos que é a violência contra a mulher e o feminicídio”, afirma.
Ela avalia que ainda existe falta de informação por parte das mulheres sobre a rede de proteção e os próprios direitos, o que também dificulta denúncias. “Muitas mulheres chegam ao serviço achando que elas não têm direito porque, muitas vezes, existe uma fala masculina que nega este direito, diz que vai perder seus filhos. Tudo isso faz e deslegitima a condição da mulher de protagonista da sua vida, da sua autonomia”, observa a presidenta do Conselho.
O Paraná registrou 87 casos de feminicídio em 2025 contra 109 em 2024, uma queda de 20%, segundo o Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública). Já o Laboratório de Estudos de Feminicídios da UEL (Lesfem/UEL) aponta 155 casos consumados em 2024 e 122 em 2025.
Dia Estadual de Combate ao Feminicídio
O Dia Estadual de Combate ao Feminicídio foi instituído pela Lei 19.873/2019 em memória da advogada Tatiane Spitzner, assassinada em 2018, pelo então companheiro Luis Felipe Manvailer, em Guarapuava. Em maio de 2021, o autor foi condenado a 31 anos de prisão pelo crime.
1ª Blitz Educativa de Combate ao Feminicídio
Horário: 9h às 11h
Local: em frente ao Terminal Central e ao Museu Histórico de Londrina