No último domingo (21), um passeio em família terminou com crise nervosa para a londrinense Ana Paula Luiza de Andrade. Quando esperava para embarcar no ônibus da linha 501 no Terminal Urbano Central de Londrina, acompanhada do marido e do filho de 5 anos, ela foi agredida verbalmente pelo motorista do veículo. Segundo Ana Paula, que faz uso de cadeira de rodas desde a infância, o homem reagiu aos gritos quando ela pediu que ele estacionasse mais próximo da plataforma.
“Eu falei assim ‘Moço, o ônibus tá muito longe, dá pra você encostar mais próximo?’ e ele começou a gritar comigo”, conta. O episódio desencadeou uma crise nervosa e Ana Paula começou a chorar. Outro funcionário da empresa Grande Londrina (TCGL) pediu desculpas a ela em nome do colega e a embarcou no ônibus seguinte.
“Eu achei um absurdo a falta de respeito, porque em nenhum momento eu fui grossa com ele. Simplesmente eu falei pra ele manobrar o ônibus e ele achou ruim. Eu sou passageira como qualquer outra pessoa. Eu pago passagem como qualquer outra pessoa. Eu não ando de ônibus de graça”, desabafa.

Histórico de luta
A luta de Ana Paula, moradora do Residencial Vista Bela, na Zona Norte de Londrina, por respeito no uso do transporte público vem de anos. Em junho de 2024, suas denúncias motivaram a roda de conversa “Anticapacitismo e Mobilidade Urbana: Lutando pelos direitos das pessoas com deficiência”, realizada pelo coletivo Vista Bela em Movimento no dia 13 de junho. Na ocasião, Ana Paula contou como as dificuldades afetavam sua vida e outras pessoas com deficiência também apresentaram seus depoimentos. Na época, as constantes quebras dos elevadores de acesso dos ônibus era o maior problema.
Em novembro do mesmo ano, Ana Paula voltou às manchetes após precisar ser carregada para descer de um ônibus que estava com falhas no elevador. Ela relatou o que chamou de “humilhação” em vídeo nas redes sociais.
“Eu te vi uma recaída muito grande, a pressão subiu, tive muita crise de ansiedade devido a esse acontecimento de novo do ônibus. Eu queria mesmo ter um carro pra não precisar andar de transporte público, pra não ser mais humilhada, motivo de chacota, brincadeiras desagradáveis. Cansei, mas não tenho outra alternativa”, finalizou Ana Paula, em relato à reportagem.
O que diz a empresa
Procurada, a TCGL não respondeu ao pedido de posicionamento até o fechamento da reportagem. O espaço continua aberto.

