O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) esteve em Curitiba nesta terça-feira (13) para participar de um ato em defesa de seu mandato, alvo de um pedido de cassação que deverá ser votado no dia 1º de junho pelo plenário da Câmara dos Deputados. Para Glauber, o que está por trás da ação contra o mandato é seu enfrentamento às emendas parlamentares, que passaram a movimentar mais recursos durante a presidência de Arthur Lira (PP-AL) na Câmara.
“Se falar com qualquer deputado da Câmara, vão dizer que é ele que está tocando isso. O Arthur Lira, ex-presidente da Câmara que já em 2022 dise que ficaria muito feliz quando eu não mais eu estivesse naquele plenário. Por conta das denúncias que o mandato fez, principalmente em relação ao orçamento secreto, foi o mandato que mais subiu na tribuna para fazer essa denúncia, mais de 20 vezes”, disse Braga em entrevista ao Plural na tarde desta terça (assista abaixo à entrevista completa).
O pedido de cassação foi protocolado pelo Partido Novo, por quebra de decoro parlamentar. Em abril do ano passado, Braga expulsou da Câmara o militante do MBL (Movimento Brasil Livre) Daniel Costenaro. Era a sétima vez que Costenaro procurava o parlamentar para fazer provocações e registrar sua reação em vídeo. Naquele dia, o ativista do MBL ofendeu a mãe de Glauber Barga, que sofria de Alzheimer e morreu dias depois.
“O MBL é o sócio minoritário no pedido de cassação”, afirma Braga. O “agente oculto” é Arthur Lira, diz o deputado – uma retaliação à denúncia das emendas secretas. “É uma máquina de dinheiro e poder como não antes vista. Antigamente o deputado tentava entrar em um ministério para ter um controle maior do orçamento, hoje os caras não querem estar mais em ministério, porque eles controlam milhões de reais como parlamentares. O Lira foi quem azeitou e articulou prioritariamente esse esquema das chamadas emendas secretas”.
Glauber Braga recebeu o Plural na tarde desta terça para falar sobre a luta contra a cassação de seu mandato, o orçamento secreto, sua relação de enfrentamento com Arthur Lira, a ameaça representada pela extrema direita e o cenário político do país. Confira a íntegra:
“Para a realização de investimentos o governo federal tem livre R$ 200 bilhões. O Congresso Nacional tem R$ 50 bilhões, um quarto. Não é exagero dizer que muito parlamentar tem mais dinheiro para execução e articulação do que muito ministério.”
Glauber Braga, deputado federal
Ato
O ato na noite de terça-feira, no auditório da Fetraconspar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário no Paraná), reuniu apoiadores e militantes de partidos e movimentos sociais. Estiveram presentes as vereadores de Curitiba Professora Angela (PSOL), Camilla Gonda (PSB), Giorgia Prates (PT) e Vanda de Assis (PT), o deputado estadual Renato Freitas (PT), a deputada Ana Júlia (PT), a ex-deputada federal Dra. Clair (PT) e o ex-vereador Jorge Bernardi, presidente municipal da Rede Sustentabilidade. Os deputados federais Tadeu Veneri (PT) e Carol Dartora (PT) também estiveram representados.
Além de Curitiba, a caravana de Glauber Braga já passou por Belo Horizonte e Vitória. Nesta quinta-feira (15) ele segue para Salvador, e na sexta desembarcara em Aracajú. "A caravana termina no dia 26 de junho, no Rio de Janeiro e vou em marcha até Brasília, parando nos municípios, fazendo trechos caminhando, de carro e de ônibus", disse o deputado, que chegou a fazer uma greve de fome após ter seu pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética da Câmara. Com isso ,ele conseguiu adiar a votação no plenário por dois meses.