A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou na tarde desta terça-feira (9) a concessão do título de cidadão honorário do estado ao empresário bolsonarista Luciano Hang, dono das lojas Havan. O projeto apresentado pelo deputado Cobra Repórter (PSD) foi aprovado com 30 votos favoráveis, quatro contrários e uma abstenção.
Cobra Repórter, que fez carreira como radialista no Norte do estado, homenageou um empresário conhecido por processar jornalistas. Segundo matéria publicada em 2021 pelo portal Uol, Hang movia em média um processo contra jornalistas e críticos a cada 26 dias. O levantamento do portal mostrou que, até abril de 2021, Hang havia movido 61 processos com pedidos de indenização a jornalistas, veículos de imprensa ou críticos, com 64 réus. Em maio de 2022, o "Jornal de Brasília" informou que Hang movia uma ação por semana contra críticos e autores de matérias que o desagradam.
Em maio deste ano, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina reverteu a condenação do jornalista Helder Maldonado, do canal Galãs Feios no YouTube. Ele havia sido condenado a indenizar Hang em R$ 100 mil. "Importa sempre lembrar que a democracia não está imune a vírus golpistas, ela precisa ser protegida e guardada todos os dias e todas as noites, com olhos e ouvidos muito atentos", afirmou o desembargador Joao Marcos Buch em sua decisão na segunda instância.
Requisitos legais
Para o deputado Professor Lemos (PT), Luciano Hang não merece a homenagem, por não preencher os requisitos legais. Lemos lembrou que a lei estadual 13.115, de 2001, prevê a concessão de títulos de cidadão honorário ou benemérito para pessoas com contribuição ao desenvolvimento da ciência, das letras, da arte ou da cultura em geral; para pessoas com ação destacada na filantropia, em favor de obras sociais; com biografia de postura ética e respeitosa na defesa dos postulados democráticos; com notório saber em sua área de atuação; ou com publicações em periódicos de repercussão estadual.
“No momento da propositura, devem ser anexadas certidões negativas e criminais, com a finalidade de comprovar a reputação ilibada”, disse Lemos. “Não foi comprovado, por que não há qualquer ação que demonstre a contribuição do homenageado para as ciências, as artes, as letras, a cultura ou para atividades filantrópicas. Desconhece-se qualquer publicação de abrangência estadual. As únicas publicações do senhor Luciano Hang são seus posts em suas redes sociais, onde ele faz falas carregadas de preconceitos, em sua maioria mentirosas”.
Lemos questionou ainda que Luciano Hang tenha uma reputação ilibada. “Tramitam dezenas de ações trabalhistas contra o senhor Luciano Hang e suas lojas Havan. Ele já foi condenado por ofender a OAB. Foi condenado na eleição de 2018 porque coagiu funcionários a votarem no Bolsonaro", disse o deputado. "Ele não atende o que a nossa lei estadual determina, por isso não há razão nenhuma para aprovar o título de cidadão honorário do Paraná".
“Isso passou dos limites. É um escárnio. Não podemos aprovar um título de cidadão honorário para passarmos vergonha diante do Paraná”.
Professor Lemos, deputado estadual
Em defesa de Hang na sessão desta terça da Alep, o deputado Marcelo Rangel (PSD) disse que o empresário “colabora com o progresso do estado”. Luiz Cláudio Romanelli (PSD) pediu o voto favorável de todos os deputados do PSD.
Os votos contrários foram dos deputados Ana Júlia (PT), Dr. Antenor (PT), Professor Lemos (PT) e Luciana Rafagnin (PT). Os outros integrantes da bancada de oposição não estavam no plenário no momento da votação. Cristina Silvestri (PP) se absteve. O Plural entrou em contato com o deputado Cobra Repórter, mas não houve retorno.
Multa em Curitiba
Conhecido como "Véio da Havan", Luciano Hang divulgou um vídeo para todo o Brasil em abril de 2022, em que criticava a Prefeitura de Curitiba, após seu ônibus ser multado por estacionamento irregular na esquina entre a Avenida Sete de Setembro com a Rua Ângelo Sampaio.

“Visite Curitiba (PR) e ganhe uma multa”, escreveu Hang. “Colocar radar não significa dar mais segurança. É como sempre falo, radares são corrupção mais arrecadação, não é educação. É uma máquina de fazer dinheiro”, criticou o milionário, fazendo coro ao então presidente Jair Bolsonaro, que era contrário a radares de fiscalização e até a cadeirinhas para crianças no interior dos veículos.