A Prefeitura de Curitiba previu gastar R$ 16,61 bilhões em 2025. Ao fim do ano, tinha pago em caixa R$ 11,21 bilhões — dois de cada três reais do que planejou. Do restante, R$ 3,81 bilhões (23%) viraram restos a pagar, empurrados para 2026, e R$ 1,60 bilhão (10%) simplesmente não chegou a ser empenhado: dotação que existia no papel mas não virou compromisso.
Esses números escondem realidades muito diferentes entre as secretarias. A folha de pessoal e o custeio rodam perto do limite — a Secretaria de Gestão de Pessoal executou 99% do previsto, os Encargos Gerais 95%, a Saúde 92%. Já as áreas de investimento ficaram muito atrás: a Secretaria de Obras Públicas executou apenas 27% do que tinha, e o Fundo de Habitação de Interesse Social, 15%. Em Obras, dos R$ 1,20 bilhão previstos, R$ 575 milhões sequer foram empenhados — obras que não saíram do papel, como a ampliação da Linha Inter 2 e o BRT, ambas com só 15% de execução.
Para que qualquer pessoa possa investigar esses contrastes, o widget abaixo abre o orçamento pasta por pasta e plano de trabalho por plano de trabalho.
O caminho do dinheiro público
Antes de explorar, vale entender as etapas pelas quais o dinheiro passa — são elas que o widget mostra:
- Orçado — o valor autorizado. Começa como orçado inicial (a lei orçamentária) e pode virar orçado atualizado ao longo do ano, com suplementações (reforços) ou anulações (cortes).
- Empenhado — o município reservou o dinheiro e assumiu o compromisso (um contrato, uma nota).
- Liquidado — o bem ou serviço foi entregue e conferido. É a melhor medida do que a prefeitura de fato realizou no ano.
- Pago — o dinheiro saiu do caixa.
- Restos a pagar — o que foi empenhado mas não pago dentro do ano. É levado para o exercício seguinte. Quando o serviço já foi entregue (liquidado), é resto processado; quando nem isso, é não processado, e sua execução em 2026 é incerta.
- Não empenhado — a dotação que não virou compromisso nenhum. Aqui, o dinheiro não foi só "atrasado": não chegou a ser usado.
Como usar o widget
- Escolha uma pasta no menu. O painel de resumo mostra, para aquele órgão, quanto foi previsto e como o valor se dividiu em pago em 2025, restos a pagar → 2026 e não empenhado.
- Leia as barras. Cada linha é um plano de trabalho (uma ação do orçamento). A parte azul é o que foi pago; a laranja, os restos a pagar; o trecho vazio, a dotação não empenhada. Passe o mouse sobre o nome para ler o texto completo.
- Clique em um plano de trabalho para abrir o detalhamento. Ali aparece o fluxo completo — do orçado inicial ao pago, com as suplementações — e duas tabelas: por natureza da despesa (obras, serviços de terceiros, material, pessoal…) e por fonte de recurso (tesouro, recursos vinculados, operações de crédito).
É nesse detalhe que as histórias aparecem. Na Linha Inter 2, por exemplo, a fonte revela que o empréstimo do BID moveu mais que a contrapartida do município — dos R$ 123 milhões de recursos próprios previstos, só R$ 2 milhões foram pagos.
O que observar
- Pastas que executaram pouco: barras com muito laranja (restos) ou muito espaço vazio (não empenhado) indicam planejamento que não se cumpriu.
- Investimento x custeio: compare uma secretaria de obras com a folha de pessoal — o padrão de que a máquina corrente executa quase tudo, mas o investimento trava, fica evidente.
- Suplementações: quando o orçado atualizado é bem maior que o inicial, aquele plano foi reforçado durante o ano — vale perguntar por quê.
Orçamento de Curitiba, 2025 — por pasta e plano de trabalho. Selecione um órgão e clique em um plano para abrir a execução detalhada: fluxo por natureza da despesa e por fonte de recurso.
Passe o mouse sobre um plano para ler o nome completo. Clique para abrir a execução detalhada.
Fonte: saldos orçamentários da Prefeitura de Curitiba, dotação de 2025, posição de 31/12/2025 — 516 planos de trabalho, abertos por elemento de despesa e fonte de recurso. Cada barra é o previsto (orçado atualizado): Pago em 2025; Restos a pagar = empenhado − pago (a executar/quitar em 2026); Não empenhado = orçado − empenhado. Município: previsto R$ 16,61 bi = pago R$ 11,21 bi (67%) + restos R$ 3,81 bi (23%) + não empenhado R$ 1,60 bi (10%). O bloco Fornecedores vem de outra base (empenhos de licitações/contratos) e é acumulado — não restrito a 2025 e não vinculado a um plano de trabalho.
Como esta reportagem foi feita: os valores vêm dos saldos orçamentários publicados pela Prefeitura de Curitiba (dotação de 2025, posição de 31 de dezembro de 2025), detalhados por órgão, plano de trabalho, natureza da despesa e fonte de recurso. "Executado" refere-se à despesa liquidada. O bloco de fornecedores, quando aberto, vem de outra base — os empenhos de licitações e contratos — e traz valores acumulados, não restritos a 2025 nem vinculados a um plano de trabalho específico; serve para identificar os maiores fornecedores contratados de cada órgão. O valor exato dos restos de 2025 efetivamente pagos ao longo de 2026 só será consolidado no fechamento do próximo exercício.