Alvo de uma ação da Polícia Federal (PF) na tarde desta sexta-feira (2), o deputado estadual Mauro Moraes (PL) divulgou um vídeo no início da noite e admitiu ter sacado um alto valor em espécie na agencia do Itaú da Assembleia Legislativa do Paraná, mas culpou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e incentivou a retirada de dinheiro dos bancos caso ele seja reeleito. Moraes foi um dos primeiros deputados a anunciar apoio à candidatura de Sergio Moro (PL) ao governo.
O deputado citou o confisco das poupanças, promovido pelo então presidente Fernando Collor de Mello em 1990, para tentar justificar o saque. Além de citar um fato ocorrido há 36 anos, o parlamentar incentivou saques em massa – o que em tese poderia ser enquadrado como crime eleitoral ou como crime contra o sistema financeiro nacional, previsto no artigo 3º da Lei nº 7.492/1986, segundo advogados consultados pelo Plural, por se tratar de uma informação falsa.
Mauro Moraes deu a entender que vem sendo alvo de "perseguição política" desde que deixou a Secretaria de Estado do Trabalho no governo de Ratinho Jr (PSD), em maio de 2025 – apesar de a operação desta sexta-feira ter sido autorizada pela Justiça Eleitoral e realizada pela Polícia Federal. Ele confirmou que seus comitês de campanha também foram alvo de busca e apreensão.
"Hoje, fui alvo de perseguição política dentro da Assembleia Legislativa do Paraná e também nos meus comitês de campanha. Isso desde que abri mão da Secretaria do Estado para apoiar um novo projeto de governo para o estado do Paraná", disse.
"Mantenho, sim, reserva em espécie do meu dinheiro, pois, como todos os brasileiros, fomos vítimas de confisco do governo Collor de Mello. E acredito que todo brasileiro deveria pensar como eu, dessa forma. Se o Lula ganhar, temo que esta tragédia aconteça de novo."
Mauro Moraes, incentivando saques em massa caso Lula seja reeleito
Mauro Moraes deixou o União Brasil em abril e se filiou PL, depois de Sergio Moro tomar o mesmo caminho. Na semana passada, publicou um vídeo com em que o ex-juiz da Lava Jato pede votos para o parlamentar, tratado como "um dos aliados mais leais".
"O Paraná vai ser a nossa fortaleza, uma terra de liberdades e de oportunidades para todos. E Mauro Moraes, um dos nosso aliados mais leais, para deputado estadual", disse Moro. A mulher do candidato, a deputada federal por São Paulo Rosângela Moro, também aparece no vídeo. Ela tenta a reeleição pelo Paraná.
O Plural entrou em contato nesta sexta-feira com a Superintendência da Polícia Federal no Paraná, com Mauro Moraes e com a assessoria do deputado, mas não houve retorno. Em nota, a assessoria de Sergio Moro informou que "não existe qualquer relação entre o candidato Sergio Moro e a ação da Polícia Federal nesta sexta-feira" e que a campanha "reforça seu compromisso com a transparência e com o respeito às instituições responsáveis pela apuração dos fatos".