Obituário: Cornelis Kool, um músico da Renascença no século 21 | Jornal Plural
15 jun 2020 - 16h41

Obituário: Cornelis Kool, um músico da Renascença no século 21

Cravista da Camerata Antiqua morreu de câncer na semana passada

Quem gosta de música clássica em Curitiba certamente se acostumou a ver o rosto de Cornelis Kool. Sentado ao cravo, ele se apresentou centenas de vezes ao longo das últimas décadas com a Camerata Antiqua, tocando parte importante do repertório de música antiga e barroca para as salas de concerto e também para o público dos bairros, em igrejas espalhadas pela cidade.

Organista de formação, formado em piano e órgão pela Belas Artes, Cornelis fez do cravo seu instrumento na Camerata. Também exerceu uma série de outras funções na orquestra e no coro: foi ensaiador, cantou, tocou piano e órgão, fez a função de arquivista. Além disso, se dedicava a outros corais na cidade.

“Ele era como um homem da renascença, pleno de conhecimentos. O Cornelis fará muita falta nas nossas manhãs musicais na Capela Santa Maria, e sentiremos sua ausência, acima de tudo como o grande companheiro e ser humano”, diz Janete Andrade, coordenadora de música da Fundação Cultural de Curitiba.

O jornalista Sérgio Wesley, amigo de Cornelis desde que os dois chegaram a Curitiba, em 1987, diz que o músico era “um homem de fé, gente boa, engraçado, bom pai, marido companheiro, um exemplo de cara”. A amizade começou na comunidade presbiteriana.

“Durante anos mantivemos um grupo de 5 famílias que almoçavam juntas todos os domingos (esse grupo chegou a montar um pequeno conjunto vocal para ir cantar nas tarde de domingo em casas de pessoas doentes e amigos afastados), fizemos muitas viagens juntos (ao Rio e muitos feriados prolongados em Arapoti, onde eles têm uma propriedade hoje arrendada)”, conta.

Cornelis enfrentou um câncer nos últimos dois anos. Pai de dois filhos, continuou trabalhando, mas sabia que a doença era agressiva. Um dos filhos, que vive hoje no Canadá, falava com o pai à distância, e não pôde vir ao Brasil no meio da pandemia para se despedir porque a esposa espera o novo neto de Cornelis.

A morte de Cornelis foi lamentada formalmente pelo prefeito Rafael Greca, pela presidente da Fundação Cultural, Ana Cristina de Castro, e pelo presidente do ICAC, Marino Galvão Júnior.

“Cornelis foi nosso companheiro dos primórdios da Camerata Antiqua. Foi regente do Coro e cravista da Orquestra. Esteve conosco nos momentos mais tensos e também nas nossas maiores conquistas. E soube percorrer com muita elegância e firmeza esse caminho dentro da Camerata até hoje. A tristeza é imensa. Que Deus conforte a família nesse momento”, declarou o violinista Francisco Freitas.

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