Projeto de Ratinho suspende promoções e progressões do funcionalismo | Jornal Plural
31 ago 2020 - 22h21

Projeto de Ratinho suspende promoções e progressões do funcionalismo

Governador pretende que ano de 2021 nem sequer seja computado para aquisição de direitos

Começou a tramitar nesta segunda (31) uma mensagem do governo do Paraná que pretende suspender todas as progressões e promoções do funcionalismo, exceto nas áreas de saúde e segurança. A alegação da gestão de Ratinho Jr. (PSD) é que com a pandemia não há condições financeiras de fazer os pagamentos. A medida foi duramente criticada pelos sindicatos, que prometem reagir.

A mensagem enviada à Assembleia Legislativa determina, além da suspensão dos pagamentos, que o período entre a possível aprovação da nova lei e o final de 2021 não seja computado para o cálculo de novas promoções e progressões. Novamente, só ficam isentos da medida policiais (tanto militares quanto civis) e servidores da saúde.

Líder do governo na Assembleia, o deputado Hussein Bakri (PSD) afirma que a decisão do governo foi baseada na situação do caixa. “Não tem como pagar tudo. Então decidimos dar preferência para segurança e saúde, as duas áreas que ficaram mais expostas durante esse período de pandemia”, afirmou em entrevista por telefone ao Plural. De acordo com ele, caso a situação financeira do estado melhore, a decisão pode ser revertida.

Para os sindicatos, a decisão faz parte de uma tendência do governo de aproveitar a pandemia para cortar direitos com os servidores sem negociar. “Não houve diálogo, assim como vem sendo característico deste governo”, afirma Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato, maior sindicato do funcionalismo paranaense, que representa professores e servidores da educação.

Na opinião de Hermes, o governo sabe que, com a Assembleia Legislativa fechada ao público, até mesmo os protestos ficam praticamente impossíveis. “Vamos reagir como podemos, montando um calendário de mobilização. Já estamos com uma defasagem salarial de quase 20%. Nem estamos pedindo direitos novos, mas não podemos aceitar mais perdas”, declarou.

Segundo Hussein, o governo vem demonstrando boa vontade na medida do possível. Prova disso seria a retirada da emenda que determinava a suspensão do pagamento do reajuste salarial do funcionalismo. A reposição, de 1%, está prevista para janeiro como parte de uma negociação feita no ano passado. “Não tem nada de perseguição. Só não podemos nos comprometer a pagar algo sem ter dinheiro”, diz Hussein.

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