Policial socou aluno e ameaçou matá-lo em escola militar do PR, diz MP
10 set 2021 - 14h42

Policial socou aluno e ameaçou matá-lo em escola cívico-militar do Paraná, aponta MP

O diretor da escola, também militar, tentou impedir a denúncia do caso e também foi denunciado pelo MP

O Ministério Público do Paraná denunciou dois policiais militares aposentados pelos crimes de ameaça, vias de fato, violência arbitrária, submissão de adolescente a constrangimento, corrupção passiva e prevaricação. Eles foram denunciados por atos cometidos em um Colégio Cívico-Militar de Imbituva, na região Centro-Sul do estado, onde os denunciados atuavam como monitor e diretor militar. Este é o segundo caso recente envolvendo violência de militares contra os alunos. Em agosto, outro policial foi preso por assediar alunas de uma escola de Francisco Beltrão.

Segundo o MP, no dia 6 de agosto, o agente militar que atuava como monitor na instituição de ensino interrompeu uma aula que estava sendo ministrada e retirou um adolescente de sala. A razão seria repreender o aluno por ter desenhado uma folha de maconha e escrito a frase “vida loca” em sua carteira escolar. O monitor então ameaçou o estudante, afirmando “que já tinha matado vários e que ele não iria fazer diferença”. Depois disso, segundo a denúncia, o policial deu um soco na nuca do estudante.

Diretor de escola cívico-militar tentou evitar denúncia

Após os fatos, tanto o monitor como o diretor militar do colégio, também policial, teriam procurado a equipe de psicólogos, pedagogos e assistentes sociais que atuam no município solicitando que o ocorrido não fosse levado ao conhecimento do Ministério Público. Os agentes policiais também teriam pedido à secretária de Assistência Social para que “amenizasse” o relato sobre os crimes à Promotoria de Justiça. 

Além de não ter adotado as medidas necessárias quando tomou conhecimento acerca da conduta do monitor, o diretor do Colégio Militar ainda teria atuado para evitar a punição de seu subordinado. Assim, somado aos crimes de corrupção passiva e prevaricação, o diretor também teria incorrido no crime de ameaça, uma vez que, em conversa com a secretária da Assistência Social de Imbituva, teria afirmado que “ficou sabendo que já teve um caso de uma criança da Casa Lar tacar fogo no carro do conselho, que Deus o livre se fizer isso com meu carro, ainda bem que não tenho porte de arma”, insinuando que o adolescente poderia morrer, com um tiro, caso ele tivesse uma arma.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação, o monitor foi afastado logo após o acontecimento do fato e o caso foi encaminhado para a SESP tomar as providências necessárias. O diretor também se encontra afastado e o colégio está sem militares no momento.

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57 comentários sobre “Policial socou aluno e ameaçou matá-lo em escola cívico-militar do Paraná, aponta MP

  1. Escola é lugar de ensino. Escolas podem e devem trabalhar o civismo sob o prisma pedagógico. Militares, mesmo com formação pedagógica descaracterizam o locus educacional.

      1. Se os militares estão lá é porque os pais votaram e a maioria concordou! Com certeza pais de alunos bem educados em casa não tem o que temer!

    1. Falou e disse tudo. Não coaduno com as atitudes tomadas pelo monitor e/ou diretor, mas também condeno veementemente a atitude do aluno. Motivo pelo qual gerou toda a polêmica.
      O aluno está no colégio errado …

      1. Caro Adelar, ninguém está deixando de condenar a atitude do aluno. No entanto, não há previsão legal no Brasil para aplicação de punição física. O que aconteceu ali foi agressão, com o agravante de ser contra um adolescente, no ambiente escolar e perpetuada pelo responsável pelos alunos.
        Rosiane

      2. Não é um colégio militar. É uma escola regular estadual que foi militarizada. Os militares chegaram depois. Eles é que estão no local errado.

    1. Com esse seu pensamento e posicionamento, francamente torço que vc nunca se envolva num conflito social e que precise de um atendimento policial. Porque na hora do caos, é a única instituição que lhe estará disponível 24:00h por dia, e precisamente lhe prestará o devido e merecido atendimento.

      Concordo até que tem alguns maus policiais, mais essa pecha jamais pode ser atribuída a todos, da forma que fez. Pois a grande maioria é correta, ordeira, precisa, ágil e muito profissional.

  2. Gostaria de ecpressar minha tristeza de ver nosso pais caindo em desgrsças principalmente depois de termos um infeliz de um militar mo poder militar é is arrogância prepotencia e exibicionismo de puder quando estas atitudes nao vem rechiadas de corrupção e todo tipo de maledicência fora militar das escolas vamos acqbar com a militarização da polícia

  3. Escola deve ser escola. Quartel é quartel. Escola deve ter professor. Quartel deve ter militar. Quando se mistura as coisas, bom resultado não vai dar. Ainda espero que a imprensa comece a fazer matéria sobre as diferenças per-capita sobre alunos entre as escolas tradicionais e esses tais Colégios Militares.

  4. FAÇAMOS ( ARIMINHAS ) ? – Depois do tiroteio de 20 de abril de 2015 ficou evidente que este país mergulhava em um novo GOLPE após 1964.. A realidade oprime de forma sutil. O comunismo PETISTA precisava sair para que a DEMOCRACIA DE FACHADA voltasse.. Este país é isto. Uma eterna colonia que oprime seus escravos….

  5. Não quero nem imaginar minha reação contra estes bandidos de farda.Estes m….,pensão o que em?.Ainda ameaçar de morte?.OAI,o que tu vai fazer em?.

  6. Este modelo cívico militar foi inserido sem explicação, sem debates aprofundados e baseado na fake news de que seria um avanço no ensino público. Votei contra, sou contra e desejo profundamente que a escola pública seja símbolo de integridade e marco da construção do respeito e do saber . Chega né?*

  7. Escola não é quartel. Esses militares não estão preparados para atuar junto aos adolescentes. Se os professores que tem formação já enfrentam dificuldades imagina esse pessoal que não vive na sociedade comum.
    A escola deve mudar mas não retroceder. A maioria dos adolescentes não se encaixam na escola pq ela é a mesma a mais de cem anos. Mas militarizá-la não é a solução

  8. O governo do estado do Paraná quer contratar 543 militares estaduais, da reserva, para atuarem nas escolas Cívico Militares. Ou seja pessoas, que presumo, têm um bom salário e que vão ocupar essas vagas num país que tem 14 milhões de desempregados. Dentre esses Professores, Pedagogos e vários profissionais com formação adequada para essa vagas e que estão desempregados. Esse projeto não querendo entrar no mérito da questão veio num momento inoportuno para dizer o mínimo.

    1. Esse ano me formo pedagogo,quero entrar em colégio militar só pra ter o prazer de mandar essa raça de fardados ir se foder! E também quero deitar em professor que faz aluno de tapete. Esses são meus únicos objetivos.

      1. Não…é desrespeitar todo mundo e fazer o que quiser. Hoje pais não impõe mais nenhum limite, por isso temos adultos sem limites. “Ah, é adolescente…vamos deixar bater em professor e fazer o que quiser”.

    1. Dei aula sei o que muitos adolescentes fazem um desenho é o mínimo, mas se fez esta no regulamento da escola no que diz que se pode fazer ou não é as punições que cada um pode receber.
      Se houve ameaça por parte do policial tem que ser apurado.
      Mas se o aluno cometeu ato inflacional. Tem que ser punidos e destas punições está previsto de advertência até a expulsão da escola. (TRANSFERÊNCIA).
      O QUE VAI SER DIFICIL PARA FUNCIONAR O MILITAR NA SEGURANÇA DAS ESCOLAS É MUITO ESQUERDISMO POR PORTE DE ALGUNS PROFESSORES GERANDO CONFLITOS.
      ESTA E MINHA OPINIÃO….

  9. Tristeza ver ideias e tempos sombrios do passado serem trazidos pelos representantes do povo à quem deveriam proteger e servir. Só uma revolução e renovação política de fato, com pessoas que tenham consciência e conhecimento histórico, que tenham responsabilidade na condução das questões sociais, que tenham respeito e compromisso com as pessoas, com a sociedade que queremos . Só assim para corrigir tanta barbárie. Profissionais capazes de todos os setores, atuantes e pré [email protected] com uma sociedade que tenha um futuro, nós estamos contratando!

  10. Cda um no seu quadrado! Lugar de aluno e professor é na escola e de militar combatendo crimes! Esta mistura não está correta e dá nisto! Deixem os limitares no lugar para o qual foram formados e as professoras e pedagogas não escola. Ensinar também se aprende na escola e deve ser feito por quem tem formação educacional! Esperamos que revejam está política! E façam quem dá aula ler mais Paulo Freire e tomem a lição de cada de quem ensina!

  11. Violência e assédio, nossas crianças não mereciam isso. Militarismo serve pra guerra, não para estar dentro da sociedade, muito menos nas escolas.

  12. Com todo respeito, essas tais “escolas cívicos militares” são uma excrescência na origem. Coisa de quem não entende nada de Educação e que quer tratar os pobres a base de chicote e pistola. É assombroso que em 2021 alguém possa lançar mão desse tipo de iniciativa. Por óbvio que isso se revelará um fracasso completo. É questão de tempo. Os primeiros resultados negativos já começam a aparecer.

    1. Desculpa, na minha cidade não é pobre que vai pra escola militar, porque tem um processo de seleção muito disputado e é caro manter um filho nela. O que aconteceu não tem justificativa, assim como o monte de alunos batendo em professores e destruindo o patrimônio da escola. Valores invertidos e abusos por todo lado.

  13. Dúvida nenhuma de que isso iria acontecer e que tentariam encobrir , esse é o modus operandi da PM em sua maior parte . Jogar sujeira pra debaixo do tapete , isso quando não distorcem os fatos pra acusar ou incriminar a vítima .

  14. NA REALIDADE, UM ERRO NÃO JUSTIFICA, TAMPOUCO CONSERTA OU/ CORRIGE OUTRO…PORÉM, O QUE NÃO SE VÊ DIVULGADO É O HISTÓRICO DESSE ADOLECENTE….TAMPOUCO A IDADE DELE. SOMENTE O QUE O INOCENTE FEZ PARA PROVOCAR O POLICIAL…AGORA, SERÁ QUE NÃO ESTÁ TENDO TENDÊNCIA NA REPORTAGEM!!

    1. Caro Ademir, a legislação brasileira não aceita punições físicas nem contra adulto. Além disso estamos falando de um adulto que deveria ser exemplo de conduta (o que inclui a capacidade de lidar com situações de conflito dentro das regras) claramente desrespeitando a lei e sua própria função como suposto educador.
      Sugiro se informar melhor antes de ter opinião sobre o assunto.
      Rosiane

    2. Será?? EU TENHO VERGONHA DO NOSSO JORNALISMO. Viraram juízes de plantão, tentando influenciar a opinião alheia de acordo com a própria. Não existem mais reportagens, em sua maioria são tentativas de direcionar a opinião do público, que se apressa em emitir um juizo sem saber de toda história.

      1. Cara Rosiane, melhor saber de toda história antes de emitir um parecer tão definitivo. Pra começar, se as pessoas fossem perfeitas nem de leis precisariamos. Não existe justificativa pra violência, porém existem atenuantes. E todo mundo sabe da rigidez de escolas assim e ainda disputam vagas em escolas militares.

        1. Cara Simone, o atenuante se discute na justiça, que é o que vai acontecer com este policial. No entanto, temos fatos. São eles:
          – 1) a lei brasileira não prevê castigo físico nem no código penal
          2) a lei brasileira (via Estatuto da Criança) estabelece que criança e adolescência é pessoa em processo de desenvolvimento, portanto considerada vulnerável. Professores são responsáveis por seus alunos, portanto a agressão física de um aluno por um professor é um grave desrespeito a esse papel
          3) É uma escola, não um centro de detenção (muito embora mesmo um centro de detenção o item 1 continue válido)
          4) A atual pesquisa científica na área de educação em relação a punições físicas e processo educativo não indica qualquer resultado que impute a essa conduta (a da agressão) qualquer valor pedagógico. Ou seja, você não vai encontrar nenhum estudioso sério da educação, nem pesquisa séria na área que tenha encontrado provas de que agredir tem resultado pedagógico.
          5) Essas escolas não são escolas militares, são escolas cívico-militares. A diferença é enorme. Escolas militares são instituições com orçamento próprio, corpo docente e equipe qualificadas e um projeto pedagógico claro. As escolas cívico-militares são essencialmente escolas regulares com meia dúzia de policiais militares como gestores e/ou professores ou em outras funções. Não há orçamento próprio, nem projeto pedagógico e muitos desses policiais não têm formação própria. Nós reportamos exaustivamente esse assunto. É só pesquisar em nosso site.
          6) Não somos nós que estamos dizendo que é grave o que aconteceu nesta escola, é o Ministério Público do Paraná.
          Att,
          Rosiane

  15. Regime militar é isso aí, tão desumano quanto o fundamentalista religioso. Instituições de formatação militar e religiosa são baseadas em crenças e obediência cegas. Você só deve ouvir e se calar, se submeter aos mandos e desmandos da hierarquia. Transformam o ser humano em autômatos sem vontade própria, sem liberdade de pensamento, sem vez nem voz, se tornando idiotas úteis, usados e abusados, como um produto final sem personalidade nem humanidade. É por essa razão que militares e religiosos odeiam tanto Filosofia, História, Sociologia, Arte, Cultura e Direitos Humanos em escolas e faculdades. Eles não querem pessoas autônomas, livres, racionais e sensibilizadas para com a causa humana, a justiça social e as mudanças sociais necessárias. Aqueles que queriam tanto escolas de perfil autoritário, agora estão tendo essas amostras grátis, pelo país todo, desse atraso de vida e arremedo de civilização. Militarismo e fundamentalismo religioso são isso aí: a aceitação servil e suicida da barbárie.

  16. Na verdade, alguns alunos desta escola não gostaria de estar ali, foram matriculados e obrigados pelos pais achando que a ma índole do seu filho será sanado ou transformado em bom cidadão mas a base da educação vem a exemplo dos pais a educação e formada dentro da sua casa, na escola e somente uma continuação do seu caráter, também não concordo em agressão para disciplinar o aluno mas sim em punição, pagar o seu ato de desobediencia e desvio das regras estabelecidas a instituição com outro tipo e atitude porém, não tendo arrependimento ou continuidade a ma conduta e enfrentamento aos superiores e professores que esse aluno seja desligado da escola porque com certeza aquele local não seja adequado para ele, acaso for uma situação mais grave se possível entrar com processos judiciais contra ao aluno e ao tutor responsável.

  17. Fui professora durante 35 anos, vi as mudanças ocorridas em cada geração que chegava até mim, mas sempre tivemos por princípio, não importava o que o aluno tivesse feito, nunca os abordamos com violências verbal ou física. Qdo um fato acontecia, o aluno era encaminhado para as pedagogas, aos pais e por último ao Conselho Tutelar.
    Bater em aluno, jamais. Coitado do professor seria crucificado em praça pública. Não é direito de um adulto castigar, não importa a maneira, um ser em estado de vulnerabilidade.

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