14 jan 2022 - 16h52

Ômicron e famílias não imunizadas fazem saltar casos de Covid entre crianças em Curitiba

Hospital Pequeno Príncipe confirmou 127 casos até quinta, número seis vezes superior à média registrada em 2021

O Hospital Pequeno Príncipe (HPP) de Curitiba, um dos mais importantes hospitais pediátricos do país, havia confirmado desde o início do ano até esta quinta-feira (13) 127 casos de crianças com Covid-19. O número é, segundo a própria instituição, seis vezes superior à média de casos registrados no ano passado.

O aumento de diagnósticos positivos de infecção pelo coronavírus entre crianças de Curitiba segue uma tendência padrão provocada pela disseminação da variante Ômicron, cuja propagação em maior velocidade tem chamado a atenção. Mas não é só isso. De acordo com a pediatra do HPP Heloisa Giamberardino, também é consequência de esquema de imunização incompleto entre familiares.

“As crianças que estamos pegando, que estamos vendo adoecer, são não vacinadas, obviamente porque nem todas já foram contempladas, mas principalmente as crianças de pais que não se vacinaram ou que têm vacinação incompleta. E adolescentes com vacinação incompleta”, observa a pediatra, responsável pelo Centro de Vacinas do HPP. “Todos têm que fazer seu papel. Se está na época de tomar a sua dose de reforço, tem que ir lá fazer. Muitas pessoas não foram ainda nem buscar a segunda dose, quem dirá a dose de reforço. E são pessoas que se contaminam e acabam contaminando também outras pessoas. Não podemos falar que tudo isso é uma responsabilidade compartilhada.”

O Brasil convive com uma retomada na curva de infecções pelo coronavírus e também pelo vírus da gripe, mais especificamente o H3N2. Somente no Pequeno Príncipe, já foram confirmados quatro casos de crianças com infecção dupla de influenza e Covid-19, algo que vem sendo popularmente chamado de “flurona”. Nenhum deles grave.

Desde o fim do ano passado, o mundo voltou a registrar números recordes de contaminação por Covid-19. A chegada da nova variante, a Ômicron, reconduziu países a novos picos, inclusive o Brasil.

Oficialmente, a Secretaria da Saúde do Paraná confirmou o primeiro caso de infecção pela Ômicron no estado na última quarta-feira (12), mas infectologistas acreditam que a cepa já esteja bem mais presente. Nesta quinta, a prefeitura de Curitiba prorrogou a bandeira amarela – o patamar mais flexível e medidas restritivas – , mas reduziu ocupação nos estabelecimentos a 70% da capacidade total como medida de cautela diante do novo cenário.

Apesar da curva em ascensão entre o público infantil, o HPP afirma que o número de internações continua em proporções baixas. Dos 127 diagnósticos feitos até agora, apenas cinco crianças precisaram ficar internadas.

“É uma nova variante mais contagiosa entre qualquer grupo etário, não só criança. Temos o comportamento dessa variante e também a gente já esperava um aumento de casos depois de festas. Ano passado também tivemos um pico em janeiro”, relembra a especialista. “As crianças são reflexo dos adultos. Se aumentam os casos entre adultos, aumentam, na sequência, entre as crianças”.

“As crianças são reflexo dos adultos. Se aumentam os casos entre adultos, aumentam, na sequência, entre as crianças.”

Heloisa Giamberardino, pediatra responsável pelo Centro de Vacinas do Hospital Pequeno Príncipe.

Vacina

A vacinação tem sido defendida por médicos, cientistas e autoridades sanitárias como a barreira mais eficaz contra a Covid-19, diminuindo o risco de desenvolver a forma grave da doença.

Agora, as crianças de 5 a 11 anos também entram no esquema. O Paraná recebeu nesta sexta o primeiro lote de doses pediátricas adquiridos pelo Ministério da Saúde. A expectativa é que os municípios, incluindo Curitiba, comecem a vacinar já neste sábado (15).

Em nota técnica, o governo Federal definiu que a vacinação para brasileiros de 5 a 11 anos não será obrigatória e ocorrerá por faixa etária, com prioridade para os que possuem comorbidades ou deficiências permanentes. Nas crianças sem comorbidades será realizada a imunização por faixa etária conforme a seguinte ordem: de 10 a 11 anos; de 8 a 9 anos; de 6 a 7 anos e, por fim, as de 5 anos. A aplicação será com intervalo de 8 semanas entre a primeira e a segunda dose. Apesar de são precisar de receita, os pais ou responsáveis devem estar presentes e concordarem com a aplicação. Em caso de ausência, a vacinação deverá ser autorizada por um termo de assentimento por escrito.

“Vamos conseguir controlar melhor essa doença com a vacinação de mais faixas etárias. A vacina vai ser também uma super resposta na questão de ter menor situação do vírus. Inclusive falando de criança. A criança, principalmente as maiores de cinco anos, já tem uma resposta imunológica muito melhor para qualquer vacina, ela forma mais anticorpos, fica com anticorpos por mais tempo”, ressalta Giamberardino.

Segundo ela, além do papel dos pais – de se vacinarem e buscarem as doses para seus filhos – também é importante uma campanha consistente para conseguir imunizar a população infantil o mais rápido possível.

“As autoridades sanitárias têm de tentar agilizar ao máximo essa campanha para que seja de forma rápida, que a gente faça de domingo a domingo, não paremos de vacinar, quando tivermos a vacina disponível”.

Nesta primeira leva, o Paraná recebeu cerca de 65 mil doses da primeira remessa enviada ao Brasil pelo acordo do Ministério da Saúde com a Pfizer, de 1,2 milhão de doses. Estimativa feita pelo Plural é de que, no estado, a vacina por idade só comece a ser aplicada no fim de janeiro.

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5 comentários sobre “Ômicron e famílias não imunizadas fazem saltar casos de Covid entre crianças em Curitiba

  1. Os pais não vacinados são responsáveis por transmitir para os filhos, inclusive os que não tomaram todas as doses.. mas quem toma a vacina continua correndo o risco de se contaminar e transmitir da mesma forma, ou estou errada? O vírus está se propagando rápido desse jeito, não seria pq quem se vacinou achou que está 100% imune e foi aglomerar? Tô achando tudo muito confuso..

    1. Oi Fran vc está certa. Quem está vacinado ainda pode contrair e transmitir a doença (mesmo que em menor intensidade que quem não está vacinado). Ou seja, tínhamos que continuar a usar máscara para evitar a contaminação. Esse pessoal que tá vacinado e não se cuida transmite a doença para quem não se vacinou, no caso, as crianças.
      Os dados que temos hoje, com grande quantidade de contaminados e poucas internações e mortes são um testemunho claro da eficácia da vacina.
      Um abraço
      Rosiane

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