Marcha da Diversidade tem política, música e beijos | Plural
1 jul 2019 - 0h52

Marcha da Diversidade tem política, música e beijos

Manifestação teria reunido 10 mil pessoas, segundo organizadores

São 14h36 quando uma contagem regressiva dá início à Marcha (e festa) da Diversidade. Partindo da praça Santos Andrade, o carro de som passam a tocar ritmos dançantes, que embalarão o caminho dos milhares de jovens até a praça Rui Barbosa. O clima é de festa: bandeiras, glitter, maquiagem e exuberância passam a colorir todo o trajeto. A rua vira pista de dança para receber o posicionamento político dos presentes, e a sua celebração.

A edição de 2019 ainda teve um gostinho mais especial, uma vez que comemorou – também – os 50 anos das revoltas de Stonewall. Em 28 de junho de 1969, em Nova Iorque, uma série de protestos da comunidade LGBTQIA+ marcaram o início da mobilização política do movimento. Na época, frequentadores do bar gay Stonewall Inn, no bairro de Greenwich Village, reagiram a uma das muitas batidas policiais que aconteciam no estabelecimento. O acontecimento foi responsável por marcar no calendário o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.

No anos anteriores, a manifestação – organizada pelo Grupo Dignidade – tinha como ponto final a Praça Osório, na região da Boca Maldita. Esse ano, no entanto, questões ligadas à manutenção do local fizeram com que as estrutura de palco e caixas de som fosse realocada para a Praça Rui Barbosa. “Manifestações são permitidas, desde que não haja uma estrutura física”, comenta a integrante do Dignidade, Melissa Souza.

Estimar público durante a Marcha da Diversidade é tarefa difícil: a concentração começou por volta das 11h, e após a marcha, a atividade na praça se estende até a noite. A organização estima que algo por volta de 5 mil pessoas estiveram pelo evento ao longo do dia.

“Quem disse que não podemos ter um posicionamento político, pelo nossos direitos, e uma festa ao mesmo tempo?”, questiona Melissa. De fato, do ponto inicial à parada final da marcha, além das cores e do brilho, as ruas de Curitiba também ficam tomadas pelo riso e pela dança. “Só o fato de nós existirmos, com tanta coisa negativa voltada à nossa população, com certeza é uma festa”, pontua a organizadora.

Tensão

Na mesma data, marcada para às 15h, uma manifestação a favor da Operação Lava-Jato acontecia na boca Maldita. A pequena travessa Oliveira Bello, na praça Zacarias, foi palco de tensão por alguns minutos. De um lado, a manifestantes da marcha entoavam coro de “Fora Bolsonaro”e afins, enquanto do outro, manifestantes trajando verde e amarelo respondiam ao rebolado. Agentes da Rotam e da Rocam separaram as manifestações. Virados de costas para a Boca Maldita, nove policiais formaram o cordão mais próximo à Marcha, enquanto cinco agentes se posicionaram a alguns metros de distância.

Do trio elétrico, os organizadores ressaltaram que democracia era definida pela pluralidade de ideias, e pediram respeito à manifestação alheia. Apesar das provocações de ambos os lados, e dos celulares em riste, não houve incidentes.

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