Grevistas acampam para pressionar Ratinho | Plural
1 jul 2019 - 22h15

Grevistas acampam para pressionar Ratinho

Professores são a categoria mais atingida com a falta de reajuste e atenção do governo

Após manifestação que reuniu 15 mil trabalhadores no Centro de Curitiba nesta segunda-feira (1), servidores estaduais decidiram montar acampamento em frente ao Palácio Iguaçu. A medida vem para pressionar o governador Ratinho Júnior (PSD) a apresentar uma proposta de reposição de salários, congelados desde 2016.

A greve dos servidores começou no dia 25 de junho e já atinge 90% das escolas estaduais, parcial ou integralmente, segundo a APP-Sindicato. O protesto desta segunda se estendeu à Assembleia Legislativa do Paraná, onde os grevistas buscaram apoio para um acordo. A bancada até tentou, mas até agora o governo não cedeu.

De acordo com os sindicatos, as perdas salariais chegam a 17% nos últimos 42 meses sem reajuste. Além da reposição da inflação (4,94%), a pauta dos trabalhadores pede a retirada da Assembleia do projeto de lei 04/19; a continuidade da contração de professores pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS); a manutenção dos atuais critérios para eleição de diretores de escola; vale-transporte; auxílio-alimentação; retirada de falta; e não punição para quem participou da greve, “pois não são faltas injustificadas nem ilegais”, diz o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão.

Professores são 120 mil no Paraná. Foto: Giorgia Prates/Plural

Saúde também está na pauta. “Queremos que o governo assuma o compromisso de realizar uma conferência publica sobre a saúde dos servidores públicos, com participação da Assembleia Legislativa, Ministério Público, universidades, para fazer um bom balanço, pois o quadro é grave de adoecimento, inclusive do número de suicídios”, garante o sindicalista.

“Então, precisamos desse balanço para que o governador, que havia em campanha assumido o compromisso da valorização do tema da saúde, possa estabelecer um debate real de como fazemos saúde preventiva e tratamos das perícias médicas, que pelo longo período sem concurso, estão totalmente desumanizadas. Precisamos sair da greve com este compromisso.”

Protesto parou o Centro Cívico nesta segunda-feira. Foto: Giorgia Prates/Plural

Deputados tentam diálogo

Com a pressão dos servidores durante a sessão, a Bancada em Defesa do Serviço Público e dos Servidores conseguiu uma reunião com o chefe da Casa Civil, Guto Silva (PSD). “Solicitamos que o governo apresente uma proposta aos servidores pois a greve está crescendo e deve afetar outros serviços e ainda mais a população”, conta o deputado Professor Lemos (PT). “Quanto antes houver negociação, antes termina a greve e os serviços e aulas serão retomados.”

Segundo Lemos, Guto Silva prometeu levar a solicitação de proposta de acordo diretamente a Ratinho. Da janela do Palácio Iguaçu, o governador deve ver aumentar o movimento pela negociação. “Nosso acampamento vai alimentar a presença permanente da greve para que possamos fazer com que o governador encaminhe a solução, pois isso cabe a ele”, garante Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato.

Pauta das categorias vai além da data-base. Foto: Giorgia Prates/Plural

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