Errei no caso Magrão. E peço desculpas | Jornal Plural
6 fev 2020 - 11h54

Errei no caso Magrão. E peço desculpas

Assim que percebi o erro, mudei o texto. Mas ficou o gosto amargo de ter sido pouco leal com nosso próprio jornalismo.

Nesta quarta, um soco comoveu Curitiba. O dono do Torto Bar agrediu uma mulher negra. Acertou seu rosto em cheio: a vítima ficou sangrando em frente ao Torto e diversas pessoas confirmam que a agressão foi exatamente como ela diz.

O caso foi parar na polícia e agora segue para a Justiça. Arlindo Ventura, o Magrão, responderá por lesão corporal.

Na quarta cedo, horas depois do fato, o Plural publicou um texto sobre o assunto. Fui eu quem escrevi. Tinha àquela altura falado com a PM, que confirmava a ocorrência, mas não estava obviamente lá na hora do soco.

Falei também com o Magrão – nunca fui ao Torto e não conhecia Arlindo, mas bastou pedir a amigos boêmios e logo surgiu o telefone dele, que deu sua versão.

A Polícia não dava o nome da vítima e eu não sabia como chegar nela. Li depoimentos de pessoas que, indignadas, relatavam o caso. E escrevi uma primeira versão.

Ao longo do dia, vi o quanto eu tinha errado na mão. Fui criticado porque o texto dava um peso excessivo à versão de Magrão, que era nada menos do que o agressor.

O título foi o maior erro: dava a impressão de que eu estava desculpando o ato. Evidente que jamais poderia fazer isso.

O Plural nasceu, entre outras coisas, para se posicionar em questões como essa. Entre nossas principais causas estão os direitos das mulheres, dos negros e de outros grupos que, estranhamente, ainda chamamos de minorias.

Errei. Não vou tentar me justificar.

Claro que, no calor, algumas das críticas feitas a mim e ao Plural podem também ter sido injustas (assunto para outra hora, quem sabe).

Assim que percebi o erro, mudei o texto, mudei o título. Tentei dar uma versão mais justa com a vítima. Acho que o texto melhorou. Mas ficou o gosto amargo de ter sido pouco leal com nosso próprio jornalismo.

Ouvir Magrão era obrigatório (não estamos aqui para fazer linchamentos, mas para entender). Ouvir a vítima era impossível. Mas ter ouvido aquele zumbidinho na minha orelha que dizia que eu podia estar pegando leve com um homem que, ao fim e ao cabo, estava no papel de agressor, e de agressor violento, teria sido ainda mais fundamental.

Peço desculpas à vítima, mas também ao leitor e à leitora e aos colegas de Plural.

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