10 dez 2021 - 9h16

No thriller francês “Caixa Preta”, o som constrói o suspense

Filme exibido no Festival Varilux fala sobre investigação de possível ato terrorista em voo

Depois que se tornou a norma no cinema, o som passou a ser um daqueles elementos fílmicos pouco notados pelo público geral, exceto em casos bastante específicos. O polêmico silêncio que segue uma explosão em Star Wars: Os Últimos Jedi motivou, na época, alguns exibidores a comunicarem os espectadores com antecedência sobre a cena: a repentina ausência de som provocou diversas reclamações de clientes que acreditavam haver um problema com a cópia do filme exibida pelos cinemas. Sua ausência é imediatamente notada e sua presença é subestimada, mas o som é essencial para torna o filme verossímil e, no caso de Caixa Preta, construir o suspense da trama.

No filme dirigido por Yann Gozlan e roteirizado por Gozlan ao lado de Nicolas Bouvet-Levrard, Simon Moutairou e Jérémie Guez, o analista da BEA, autoridade francesa responsável pelas investigações de segurança na aviação civil, Mathieu Vasseur (Pierre Niney), é designado como investigador principal de um acidente aéreo sem sobreviventes. Todas as pistas indicam que o voo, que partiu de Dubai com destino a Paris, foi sequestrado por um terrorista que forçou o capitão a jogar a aeronave contra uma montanha. Porém, inconsistências nos áudios das caixas pretas levam Mathieu a acreditar que há uma conspiração para ocultar problemas mecânicos no avião. O sumiço do técnico encarregado da investigação antes de Mathieu também provoca suspeitas. Com apenas as gravações dos momentos finais das 316 pessoas a bordo do voo Dubai-Paris, Mathieu precisa descobrir o que aconteceu e como evitar uma nova tragédia.

Além da mixagem de som, a trilha sonora desempenha um papel fundamental em Caixa Preta. Em um filme cuja ação se desenrola majoritariamente na frente de computadores, os áudios das caixas pretas do avião aparecem como recursos para auxiliar Mathieu na simulação de diferentes cenários sobre os acontecimentos na aeronave. Através do som o analista – e o espectador – veem os eventos no avião. As mais sutis alterações nos roncos dos motores podem informar o que provocou a queda e Mathieu aos poucos se torna obcecado pelos sons capturados nas caixas pretas e pelas possibilidades que eles apresentam.

Além de sua dramática investigação, Mathieu procura entender que tipo de conspiração prefere colocar o país em alerta diante de uma ameaça terrorista a revelar a verdade por trás do acidente aéreo. Caixa Preta é em um suspense de espionagem que reúne todos os suspeitos usuais do gênero: jornalistas, whistleblowers (ou informantes), conspirações nos mais altos níveis de agências governamentais, esposas misteriosas, amigos questionáveis e erros do passado.

Com 2h09 de duração e um intrigante enredo, Caixa Preta é um excelente thriller psicológico e está em cartaz em Curitiba pelo Festival Varilux de Cinema Francês.

Serviço

Festival Varilux | Caixa Preta (2020)

Cine Passeio: 11.12, às 19h30

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