Escritor Carlos Machado é obcecado por memória e psicanálise 

No livro "Imagem invertida", ele fala de um personagem que troca de rosto diante do espelho; autor participa do lançamento coletivo Implode

“Como autor, sou obcecado pela ideia da ‘invenção de uma memória'”, diz Carlos Machado, “de como nossa memória nos surpreende e pode se misturar com a ficção.” Essa é uma das ideias que permeiam a novela “Imagem invertida”, que Machado autografa neste sábado (16), no lançamento coletivo Implode. Ao todo, dez escritores participam do evento, que será na Alfaiataria (Rua Riachuelo, 274 – Centro), das 15h às 21h.

Uma questão, porém, se destaca no livro: a do narcisismo paterno. “Como se a inveja não o deixasse [o pai] exercer uma paternidade menos controladora”, explica.

Carlos Machado

Na entrevista a seguir, ele fala sobre seu livro e os autores que estava lendo enquanto escrevia – entre eles, o francês Michel Houellebecq.

Quais você diria que são os temas da novela “Imagem invertida”? 
Essa novela trata de alguns assuntos que se ligam ao redor do narcisismo paterno e relação abusiva (em vários níveis). Quais as consequências para o personagem do livro, o Pedro Pietra (psicanalista como profissão) ao viver nesta relação com seu pai? Pedro, que nasceu no início dos anos 80, é da geração “cara-pintada” (que saiu às ruas em 1992 pedindo o impeachment de Fernando Collor) e que, portanto, carrega traços de toda essa geração.

Que escritoras e escritores serviram de referência para você nesse livro novo?
Tudo que eu faço vem da mesma fonte primária: Dalton Trevisan. Mas, claro, antes de escritor, sou leitor, e especificamente durante a produção deste meu novo livro, eu estava muito imerso na obra de Patrick Modiano e Michel Houellebecq.

Você poderia falar um pouco sobre as circunstâncias em que escreveu a novela “Imagem invertida”?
Como autor, sou obcecado pela ideia da “invenção de uma memória”: como nossa memória nos surpreende e pode se misturar com a ficção. Como se vivêssemos em um não-lugar e em um não-tempo. Além deste tema, ou melhor dizendo, misturado a este tema, a psicanálise é outra fascinação. Tenho perseguido este tipo de narrativa há alguns bons anos. 

A novela “Imagem invertida” surgiu a partir de um microconto que escrevi em 2019 na qual um personagem trocava de rosto diante do espelho. Nesta mesma época, eu li um artigo que comentava sobre a possibilidade (ainda difícil de ser definida) de um pai ser narcisista em sua relação com um filho homem, como se a inveja não o deixasse exercer uma paternidade menos controladora. Enfim, achei que a imagem do personagem trocando de rosto diante do espelho, combinava muito bem com esta ideia. O nome do livro “Imagem invertida” faz referência, entre outras possibilidades, ao negativo de uma fotografia. A questão é: qual imagem está invertida? 

Livro

“Imagem invertida”, de Carlos Machado. Urutau, 152 páginas, R$ 52. Novela.

Sobre o/a autor/a

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