As mulheres são 360 das 1.062 candidaturas do Paraná em 2026 — 33,9%, pouco acima do piso legal de 30%. O número, porém, esconde uma disputa desigual: as candidatas chegam à urna com menos recursos, menos trajetória política e praticamente sem espaço nos cargos mais disputados.
O topo é masculino
Quanto mais alto o cargo, mais rara é a presença feminina. Entre os 8 candidatos ao governo do Paraná, há uma única mulher (12%). Nas duas vagas ao Senado, elas são 3 de 9 (33%). É só nas eleições proporcionais — deputada federal e estadual — que a fatia feminina se firma em torno de 34%, justamente onde a lei de cotas obriga um mínimo de 30%. Onde a cota não alcança, a mulher some.
| Cargo | Mulheres | Total | % |
|---|---|---|---|
| Governador | 1 | 8 | 12% |
| Senador | 3 | 9 | 33% |
| Deputada federal | 142 | 413 | 34% |
| Deputada estadual | 209 | 606 | 34% |
A desigualdade dentro da disputa
O dado mais revelador não é quantas são, mas em que condições disputam. O patrimônio mediano de uma candidata é de R$ 53 mil — contra R$ 320 mil de um candidato homem, uma diferença de seis vezes. 35% das mulheres declaram não ter bem algum, ante 22% dos homens.
A distância se repete nos outros marcadores de poder. Só 41% das candidatas são sócias de empresa, contra 63% dos homens. E a política feminina é mais nova na urna: 44% das mulheres já disputaram uma eleição antes, contra 61% dos homens — elas entram com menos mandato, menos rede e menos máquina acumulada. As candidatas também são um pouco mais jovens (46 anos de mediana, contra 50).
Consulte o perfil de cada candidata no especial do Plural.
A exclusão dobrada: raça
Se a mulher já disputa em desvantagem, a mulher negra ou indígena quase não disputa. Entre as 360 candidatas, 72% são brancas. Somadas, pretas e pardas são 95 candidatas — apenas 8,9% de todos os candidatos do estado. Indígena, há uma única em toda a disputa paranaense. A sub-representação de gênero e a de raça se multiplicam.
Quem são e quem as lança
As profissões mais declaradas pelas candidatas são advogada, empresária, vereadora e professora — e aparece também "dona de casa", ausente entre os homens. Cinco candidaturas são de mulheres trans ou travestis (que declararam nome social ao TSE).
Na hora de lançar mulheres, a esquerda vai à frente: PT (45%) e PSOL (44%) são os que mais se aproximam da paridade, seguidos — pela direita — do DEMOCRATA (42%). No extremo oposto, legendas como PL, Republicanos e Avante ficam coladas no mínimo de 30%, tratando a cota como teto, não como piso. É o retrato de uma regra que garante a vaga na lista, mas não o poder na disputa.
Metodologia: análise das 360 candidaturas femininas entre os 1.062 candidatos do Paraná (turno 1, Eleições 2026), por CPF. Comparações com os candidatos homens pela mediana (patrimônio) e por proporção (empresas, reincidência, raça). "Já concorreu" considera candidaturas anteriores por CPF ou por nome e data de nascimento; "sócia de empresa", o cruzamento com o quadro de sócios da Receita Federal. Candidaturas trans identificadas pela declaração de nome social — um indicativo, não um campo específico do TSE. Números preliminares, sujeitos a decisões da Justiça Eleitoral. Fonte: TSE e Receita Federal, compilação Plural.