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Justiça arquiva processo sobre mortes causadas pela PM em Ponta Grossa; primo de jogador da seleção morreu na ação

Núcleo da Defensoria Pública questionou ausência de câmeras corporais em policiais; vídeo mostrava corpos com características de execução

Justiça arquiva processo sobre mortes causadas pela PM em Ponta Grossa; primo de jogador da seleção morreu na ação
Foto divulgada pela Polícia Civil após a operação que resultou na morte de seis suspeitos em Ponta Grossa, em janeiro de 2025
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A Justiça arquivou o processo sobre a ação policial que resultou na morte de seis suspeitos em janeiro de 2025 em Ponta Grossa. Segundo a Polícia Civil, houve confronto com integrantes de uma quadrilha fortemente armada que praticava assaltos a bancos. Entre os mortos estava Wesley Henrique Gomes Borges, de 31 anos, primo do zagueiro Leo Pereira, do Flamengo e da Seleção Brasileira, que começou a carreira no Athletico Paranaense.

Em agosto do ano passado, um ofício do Nupep (Núcleo de Política Criminal e Execução), da Defensoria Pública do Paraná, classificou como "grave" a "falta de registros imparciais da operação que culminou nos óbitos e que seriam facilmente captados com o uso pelos agentes envolvidos de câmeras corporais". "Diante de tudo isso, apenas resta a este órgão defensorial atuar com o escopo de ver consolidada a adoção das câmeras corporais pelas polícias, sobretudo em ações com risco elevado de letalidade", diz o documento.

O Nupep afirmou que, a partir da análise do inquérito, foi possível apurar que houve reação por parte dos suspeitos e que as equipes policiais "foram surpreendidas por intensa e imediata agressão armada desencadeada pelos investigados, que se encontravam fortemente equipados com fuzis, explosivos e até armamento de calibre .50". A reação dos agentes teria sido "estritamente necessária para cessar a agressão injusta e proteger suas próprias vidas, sobretudo diante da continuidade dos disparos, da recarga constante das armas pelos suspeitos e das tentativas de fuga mediante novos ataques".

Segundo a Polícia Civil, a operação confirmou que o grupo neutralizado integrava organização criminosa especializada em assaltos violentos no estilo “novo cangaço”, responsável por ações anteriores envolvendo sequestro de reféns, uso de armas de guerra e explosivos. "Laudos balísticos e genéticos comprovaram o vínculo de armas e indivíduos com crimes anteriores contra instituições financeiras", diz o Nupep.

Em março, a seção paranaense da Ordem dos Advogado do Brasil (OAB-PR) enviou um ofício ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) e questionou sobre “alegações de possíveis execuções sumárias e irregularidades na condução das investigações”. Um vídeo atribuído à operação, que circulou em aplicativos de mensagens, mostrava corpos no chão, com características de execução, mas não houve confirmação por parte de órgãos oficiais.

A ação policial, na madrugada de 17 de janeiro de 2025, envolveu agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Grupo Tigre, em um chácara na PR-151. Os suspeitos teriam reagido utilizando armas pesadas e até uma metralhadora .50. O tiroteio teria durado cerca de oito minutos. Além de Wesley Borges, morreram Carlos Eduardo Fernandes Moreira, de 47 anos; Fred Guilherme dos Santos, 38; José Marcelo de Oliveira, 39; Marco Souza dos Anjos, 47; e Rudinei Lopes, 44.

A Polícia Civil informou ter apreendido sete fuzis, uma metralhadora, uma pistola, 36 carregadores de fuzil, coletes, munições para fuzis e metralhadoras, explosivos, placas falsas de veículo e um veículo clonado e blindado.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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Tags: Judiciário

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