Na contramão da crise, rede curitibana de cafeterias dobra na pandemia | Jornal Plural
24 fev 2021 - 10h03

Na contramão da crise, rede curitibana de cafeterias dobra na pandemia

Com base em franquias, rede se expandiu para o Brasil e até para fora

Enquanto a pandemia levou ao fechamento de bares e restaurantes tradicionais de Curitiba – nos deixaram: Empadas Caruso, Bar do Pudim, churrascaria Devons e Castelo Trevizzo, só para citar alguns -, a rede de minicafeterias The Coffee se consolidou como oásis feliz durante a crise econômica. 

Em 2020, muito se falou em resiliência para enfrentar a pandemia. O The Coffee não só foi resiliente, mas expandiu maciçamente sua rede. No último ano passou de 23 para 42 cafeterias com a meta de chegar ao final de 2021 com cerca de cem unidades no Brasil e no exterior.

Resiliência sim, mas também uma pitada de sorte. Quando em 2017 os irmãos Fertonani criaram a marca, eles não imaginavam que uma pandemia assolaria o mundo três anos depois. O acaso fez com que o formato “grab to go”, ou pegue e leve, se adaptasse melhor que outros empreendimentos ao distanciamento social.     

Os irmãos Fertonani: Carlos, Alexandre e Luis

“Fizemos a cafeteria que a gente gostaria que existisse”, resume Luis Fertonani, fundador do The Coffee ao lado dos irmãos Alexandre e Carlos. A ideia surgiu após viagens a São Paulo, Nova York e Japão, onde cafeterias com esse conceito já existiam. “As pessoas procuravam lugares que não tem obrigação de entrar e sentar na mesa só para um café”, explica o empresário.

Ar livre, pagamento 100% digital (as lojas não aceitam dinheiro físico) e interação mínima com os atendentes fazem parte do sucesso da rede. A piada vem pronta: a “frieza” do curitibano e a pouca disponibilidade em interagir com os desconhecidos, explicaria o êxito da cafeteria por aqui.

Mas não passa de uma piada, já que o modelo ultrapassou os limites do município e hoje o The Coffee está presente em 11 cidades de Norte ao Sul, de Fortaleza a Porto Alegre, passando por Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Joinville (SC) é uma das próximas.

E não para por aí: a marca curitibana já virou internacional. Aberturas de lojas já foram anunciadas em Madrid e Lisboa. Outras cidades europeias, que Fertonani não revela, também vão receber cafeterias em breve. A previsão é ter uma dezena de unidades no exterior ainda este ano. 

Marca já tem 15 lojas em Curitiba e agora é internacional

A demanda dos franqueados é alta. São cerca de 20 pedidos por dia. “As pessoas vêm atrás da gente, isso acaba alavancando o negócio”, afirma Fertonani. Além disso, no final do ano passado, a empresa recebeu aporte de R$ 28 milhões da Monashees, Norte Ventures e Shift Capital.

Em Curitiba são já 15 lojas. “A gente se pergunta: será que já saturou? Depende da região: algumas não têm nada”, diz o empresário. Além do ParkShoppingBarigüi e do Shopping Estação, a próxima inauguração será no Pátio Batel. Outros centros de compras também estão em negociação.

Um feito notável já que a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) calculou que 300 mil estabelecimentos fecharam as portas no país. Em Curitiba, 907 restaurantes, cafés e lanchonetes deixaram de ter alvará ativo ao longo do último ano, segundo levantamento d’O Expresso. Já os que iniciaram as atividades foram 493, gerando um saldo negativo de 410 estabelecimentos.

Café gelado: são 16 opções de café no cardápio

“Ninguém se deu bem ou vendeu mais, nem o pessoal que trabalha com delivery. O delivery não sustenta o empreendimento, é só um respirador”, explica Nelson Goulart, presidente da seccional Paraná da Abrasel e dono do restaurante Ibérico.

O cardápio do The Coffee conta com 16 opções entre cafés, bebidas quentes e geladas que misturam vários ingredientes como leite, chocolate e matcha. A novidade é o Vanilla Latte que, como o nome diz, leva leite e baunilha. Há ainda docinhos como cookies, brownie e bolinhos, além de saquinhos de café moído e em grão para levar para casa.

Os preços variam de unidade para unidade. Na The Coffee Reitoria, na Conselheiro Araújo, perto da UFPR, por exemplo, o espresso sai por R$ 3,50. Já nos shoppings, o mesmo café é vendido a R$ 4,30.

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