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Instituições criticam registro da Polícia Civil em agressão a mulheres muçulmanas em Foz do Iguaçu

OAB, Prefeitura, Câmara e Igreja afirmam que enquadramento policial falha diante de ataque a símbolo religioso

Instituições criticam registro da Polícia Civil em agressão a mulheres muçulmanas em Foz do Iguaçu
Suspeito tentou fugir após a agressão em um shopping de Foz do Iguaçu, mas foi contido por populares até a chegada da polícia. Foto: Divulgação
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A agressão sofrida por duas mulheres muçulmanas em um shopping de Foz do Iguaçu levou instituições jurídicas, políticas e religiosas a criticar o registro da Polícia Civil, que enquadrou o caso como lesão corporal.

O episódio ocorreu na tarde de quinta-feira (12), na área externa de um shopping da Avenida Costa e Silva. Um homem de 33 anos foi contido por populares após arrancar o hijab (véu islâmico) de uma das vítimas, tentar retirar o da outra e desferir socos contra ambas.

Segundo o Boletim de Ocorrência, as duas mulheres, naturais do Líbano (40 anos) e da Síria (48 anos), apresentavam escoriações no rosto. O suspeito foi preso e conduzido à delegacia. No registro policial, consta apenas lesão corporal, sem menção a crimes de intolerância religiosa ou discriminação.

O enquadramento adotado pela polícia foi alvo de críticas e passou a concentrar as divergências.

A Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção de Foz do Iguaçu, divulgou nota pública afirmando que a agressão configura violação à dignidade da pessoa humana, à integridade física e à liberdade religiosa. A entidade informou que a vice-presidente da subseção, Lissandra Aguirre, presenciou os fatos, acolheu as vítimas e interveio para que o agressor fosse detido e as autoridades acionadas.

A subseção informou que acompanhará os desdobramentos do inquérito.

A Prefeitura de Foz do Iguaçu também se manifestou. Em nota, repudiou qualquer forma de intolerância, discriminação ou violência e defendeu apuração rigorosa dos fatos, com aplicação da lei. O Executivo destacou a diversidade cultural e religiosa da cidade.

No Legislativo, a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu classificou o episódio como intolerância religiosa. O órgão ressaltou que o hijab é símbolo de fé, identidade e autonomia e que ataques a esse símbolo atingem princípios constitucionais.

A reação alcançou ainda o campo religioso. Em manifestação pública, o bispo diocesano Dom Sergio de Deus Borges afirmou nesta sexta-feira (13) que Foz do Iguaçu abriga múltiplas tradições religiosas e que o uso de símbolos e vestes de fé deve ser respeitado.

As manifestações convergiram ao apontar que a agressão atingiu um símbolo religioso em espaço público, ampliando o alcance do episódio para além da esfera penal individual.

Foz do Iguaçu abriga a segunda maior comunidade árabe do Brasil, estimada em cerca de 20 mil pessoas. O caso ocorreu em um dos principais centros comerciais da cidade.

A Polícia Civil não foi localizada para comentar se o enquadramento poderá ser revisto no curso do inquérito. As vítimas optaram por não se manifestar. A defesa do homem preso não foi localizada. O caso segue sob apuração.

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