O Núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), deflagrou na manhã da última quarta-feira (15), uma ação com cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados a duas investigações em curso na comarca do litoral paranaense.
As medidas fazem parte das Operações Falsa Receita e Pipa, e tiveram como alvos uma servidora pública municipal e a filha de um homem preso por tráfico de drogas. Os mandados foram expedidos pela Justiça e cumpridos com apoio de forças de segurança.
Venda de remédios sem receita e atestados falsos
A Operação Falsa Receita apura um esquema que envolve o fornecimento irregular de medicamentos controlados, sem a devida prescrição médica, além da emissão de atestados médicos falsos.
De acordo com o MPPR, um dos focos da investigação é uma servidora pública municipal vinculada à Secretaria Municipal de Saúde de Paranaguá. Contra ela foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência.
Com autorização judicial, os agentes do Gaeco apreenderam o telefone celular da servidora. O aparelho foi recolhido e será submetido à perícia. A análise do conteúdo, segundo o Ministério Público, é fundamental para identificar outros possíveis envolvidos, a origem dos medicamentos e a forma de distribuição na cidade.
A investigação corre em sigilo e busca mapear toda a cadeia de distribuição: de quem emitia os documentos falsos, passando por quem recebia até a comercialização dos remédios de uso controlado.
Ordens de dentro da cadeia
Já a Operação Pipa investiga a atuação de uma mulher apontada como intermediária de um grupo ligado ao tráfico de drogas.
O alvo é a filha de um homem que cumpre pena por tráfico. Conforme as apurações do Gaeco, a suspeita teria recebido informações do pai durante visitas à unidade penal. Em seguida, ela repassava esses dados a outras pessoas envolvidas no esquema com práticas criminosas fora do presídio.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, foram apreendidos o telefone celular da investigada e diversos bilhetes com mensagens manuscritas. No meio prisional, esses bilhetes são chamados de “pipas” e servem como meio clandestino de comunicação entre pessoas presas e seus contatos externos.
Para o Gaeco, a apreensão do material pode ajudar a identificar a rede de contatos, a frequência das mensagens e o conteúdo das ordens que teriam sido transmitidas.
Ação do Ministério Público
Em nota, o MPPR informou que as duas operações seguem em fase de investigação e que o material apreendido passará por análise técnica. Novas diligências não estão descartadas, a depender do que for encontrado nos celulares e nos bilhetes.
O Gaeco de Paranaguá está atuando no combate a organizações criminosas na região do litoral e tem conduzido operações periódicas para desarticular esquemas ligados a corrupção, tráfico e crimes patrimoniais.