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Entidades acusam secretário do Meio Ambiente de Matinhos de agredir cavalo em atos antidemocráticos

Adriano Ribeiro, que é dono de imobiliária em Matinhos, foi apontado em relatório da polícia como um dos líderes do bloqueio de rodovias no Paraná

Entidades acusam secretário do Meio Ambiente de Matinhos de agredir cavalo em atos antidemocráticos
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Doze entidades de proteção ao meio ambiente encaminharam ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) um ofício em que repudiam a nomeação de Adriano Geraldo Cruz Ribeiro como novo secretário do Meio Ambiente de Matinhos, no litoral do Paraná. Dono de uma imobiliária na cidade, Ribeiro é acusado de agredir um cavalo da Polícia Militar do Distrito Federal durante os atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Segundo o ofício elaborado pela associação de proteção animal Anoé, de Matinhos, Ribeiro ajudou a organizar bloqueios em rodovias no Paraná depois das eleições presidenciais de 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi derrotado, e estava em Brasília no dia 8 de janeiro do ano seguinte, quando manifestantes invadiram as sedes dos três Poderes. Imagens foram anexadas à denúncia.

“Adriano Ribeiro estava presente nos atos antidemocráticos quando, além de todo o vandalismo, as imagens sugerem que se envolveu em agressões a um cavalo da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF)”, dizem as entidades, que consideram inadmissível a presença dele na Secretaria. “Imagens amplamente divulgadas mostram um homem de boné, camiseta do Brasil e bermuda cáqui atacando o animal cujo cavaleiro (policial) já se encontrava caído no chão. Esse indivíduo foi identificado como Adriano Ribeiro”.

Ribeiro teria participado de agressão a cavalo da PM (Reprodução/Anoé)

Antes disso, o empresário teria participado da organização de bloqueios nas rodovias em protesto contra a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. Em um relatório do Gabinete de Gestão de crises da Polícia Militar do Paraná, feito no dia 4 de novembro de 2022, Adriano Ribeiro é apontado como uma das lideranças do movimento pelo 6º Comando Regional da PM. Entre 30 de outubro e 10 de novembro, a PM identificou 43 lideranças e registrou 246 boletins de ocorrência, seis deles pelo crime de desobediência.

Para as entidades, a atuação profissional de Ribeiro é incompatível com o cargo de secretário municipal do Meio Ambiente. “Adriano Ribeiro é empresário da área imobiliária da cidade de Matinhos, caracterizando intenso conflito de interesses na área ambiental”, afirma o ofício. “O município apresenta atributos naturais importantes para a qualidade de vida da população e para fomentar a principal atividade econômica da cidade que é o turismo; ao mesmo tempo, vivenciando graves problemas ambientais ocasionados pela pressão e especulação imobiliária. Não parece, portanto, que este empresário seja a melhor escolha para lidar com esses conflitos”.

O ofício é assinado pelas entidades Associação Anoé de Proteção aos Animais; Amigo Animal; Associação dos Catadores e Selecionadores de Resíduos Sólidos de Matinhos (Ancresmat); Associação dos Protetores de Animais Unidos de Guaratuba (Apaug); Centro de Estudos, Defesa e Educação Ambiental (Cedea); Grupo de Estudos e Ações para a Serra do Mar (Geas); Mar Brasil; Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais; Movimento SOS Bicho; Selva Ecodesenvolvimento Ltda.; SOS Vira-Lata; e Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (SPAC).

Adriano Ribeiro foi nomeado para o cargo pelo prefeito Eduardo Dalmora (PL), que assumiu no dia 1º de janeiro. Dalmora já foi prefeito de Matinhos em duas gestões, de 2009 a 2012 e de 2013 a 2016. Em abril de 2013, em seu primeiro mandato, Eduardo Dalmora nomeou Ribeiro para o cargo de chefe municipal do Departamento de Trânsito, da Secretaria Municipal de Defesa Social.

Foto que teria sido feito em Brasília não está mais disponível (Reprodução/Anoé)

O ofício enviado ao MP mostra o que seria uma postagem de Ribeiro feita em Brasília na época dos atos antidemocráticos, mas a imagem não está disponível. O perfil do empresário no Instagram tem um hiato de publicações entre 17 de setembro de 2022 e 9 de fevereiro de 2023, o que indica que postagens feitas nesse período podem ter sido apagadas.

Em seu perfil, Ribeiro aparece ao lado de lideranças da direita, como os deputados estaduais bolsonaristas Ricardo Arruda (PL) e Tito Barrichello (União Brasil) e o ex-procurador Deltan Dallagnol. As fotos são de uma manifestação do dia 15 de novembro do ano passado. No dia 2 de dezembro, Ribeiro publicou um vídeo de convocação para uma manifestação no dia 10 do mesmo mês, na Boca Maldita, em Curitiba, contra a nomeação do ministro Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo que ele chamou de “resgate da Justiça”. O empresário também compartilhou um vídeo em que Bolsonaro é chamado de "vilão de uma história mal contada".

A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Matinhos e com a imobiliária de Adriano Ribeiro na sexta-feira (17 de janeiro), mas não houve retorno até esta segunda-feira (20). O Plural fica à disposição para eventuais posicionamentos do secretário e da prefeitura.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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