Cinco testemunhas e vítimas foram ouvidas na primeira audiência de instrução do processo sobre a morte do jovem Mateus Silva Noga, de 22 anos, atingido por uma bala disparada pelo guarda municipal Alessandro Neves Toso em setembro de 2021 no Largo da Ordem, em Curitiba. A audiência foi na quinta-feira (27). A defesa arrolou como testemunhas seis guardas municipais, que serão ouvidos na próxima audiência, ainda sem data marcada.
Após a conclusão desta fase, o juízo da 1ª Vara Privativa do Tribunal do Júri de Curitiba do Tribunal de Justiça do Paraná decidirá se Alessandro Neves Toso será julgado por Júri Popular ou por uma Vara Criminal comum, caso considere que o ex-guarda municipal cometeu homicídio culposo (sem intenção de matar). Ele foi exonerado em abril de 2022.
"Ele (Toso) assume a morte, mas na medida do fato, por conta da arma que disparou", disse o advogado de defesa do ex-agente municipal, Samuel Eber Braga Ramos.
"Ele reconhece o fato, mas não tinha a intenção de causar a morte e causar as lesões corporais."
Samuel Eber Braga Ramos, advogado de Alessandro Toso
Segundo a advogada Eliana Faustino, assistente da acusação, mais duas testemunhas de acusação serão ouvidas. A expectativa é que a próxima audiência seja realizada no início de 2026.
"O que impressiona é que a primeira audiência do processo ocorre quatro ano depois do fato. Para a família isso é bastante dolorido, esperar com todas essas memórias muito vivas para poder testemunhar mais um vez."
Eliana Faustino, advogada, assistente de acusação.

O caso ocorreu no dia 11 de setembro de 2021. Na época, a Guarda Municipal afirmou que, antes dos disparos, garrafas de vidro foram jogadas contra os agentes, que abordavam um grupo de pessoas na Rua Trajano Reis. Mateus Noga chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. Uma adolescente de 14 anos e uma mulher de 31 anos ficaram feridas. Elas foram ouvidas na audiência de quinta-feira.