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Gestão de Pimentel quer retomar aulas de inglês com professores sem formação na área

Alunos terão menos aulas de arte, história e geografia

Gestão de Pimentel quer retomar aulas de inglês com professores sem formação na área
Aulas recomeçaram na terça-feira (3 de fevereiro). Foto: Daniel Castellano /
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A Secretaria Municipal da Educação de Curitiba publicou em dezembro uma Instrução Normativa que prevê uma aula de língua inglesa por semana para todos os alunos da rede, sem contratar professores com formação específica. A Instrução Normativa também reduz o número de aulas de artes, história e geografia – os alunos passarão a ter apenas uma aula por semana dessas disciplinas.

Professoras ouvidas pelo Plural relataram que, durante as reuniões pedagógicas no início de fevereiro, foram convidadas a dar aulas de inglês, mesmo sem formação na área. Elas relataram que a Prefeitura "daria capacitação" para as interessadas.

“Substituir docentes licenciados por profissionais sem formação pedagógica é precarizar o trabalho, desvalorizar a carreira e colocar em risco o direito das crianças a uma educação de qualidade”, afirmou em nota o Sismmac, o sindicato do magistério municipal de Curitiba, sobre as aulas de inglês.

No ano passado, a Prefeitura enviou às escolas uma espécie de questionário para apurar quais professores tinham algum conhecimento de língua inglesa. Só alunos do 3º ano terão a disciplina. No ano passado a Prefeitura ofereceu cursos de línguas para o 2º e o 4º ano por meio do programa Multilíngues Mirins – substituto do Curitibinhas Poliglotas, criado durante a gestão de Rafael Greca.

O Sismmac também criticou a redução no número de aulas de história e geografia. "Ao fazer essas mudanças, Curitiba vai na contramão do modelo de países desenvolvidos, que investem em uma formação crítica do ser humano. A lógica aqui é de um projeto elitista, que utiliza o poder político para criar uma sociedade com menos capacidade de questionamento", criticou o sindicato.

A Instrução Normativa 16 prevê ainda a docência compartilhada "forma de organização do trabalho pedagógico voltada à melhoria da qualidade do ensino, por meio do planejamento coletivo realizado pelo trio de docentes do Ensino Fundamental I", segundo a Prefeitura.

Para o Sismmac, trata-se de um "malabarismo organizacional". "Ao criar a docência compartilhada sem enfrentar a defasagem no quadro de profissionais, a Prefeitura substitui política pública por malabarismo organizacional, e, pior, cria ainda mais dificuldades para garantir a hora-atividade, direito assegurado em lei", diz a nota. "A falta de professoras e professores, que poderia ser resolvida com a convocação de concursados e novos concursos, passa a ser usada como justificativa para 'reorganizações' que ampliam a sobrecarga e pressionam quem já está no limite, deixando cada vez mais profissionais adoecidos".

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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