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Aos 80 anos, Alceu Valença arrasta multidão na Virada Cultural em Maringá

Aos 80 anos, Alceu Valença agitou a Virada Cultural de Maringá. Nos bastidores, criticou a inteligência artificial na música e reencontrou um ex-motorista local que lhe emprestou o violão para um show improvisado no Carnaval de 1996.

Aos 80 anos, Alceu Valença arrasta multidão na Virada Cultural em Maringá
Alceu Valença em show na Virada Cultural de Maringá. Foto: Thaís Almeida

Quem viu Alceu Valença dominar o palco principal da Virada Cultural de Maringá no último sábado (22) acompanhou o espetáculo de um artista que recém completou 80 anos em julho mantendo a mesma energia e irreverência do início da carreira. Mas foi nos bastidores que a passagem do pernambucano pela cidade ganhou um capítulo ainda mais especial.

Pouco antes do show, Alceu recebeu no camarim o ex-motorista de ônibus Divino Vieira. Nas mãos, Divino levava um violão gasto e uma memória guardada há três décadas.

Em 1996, ele dirigia a viagem que levou um grupo de maringaenses para viver o Carnaval no Recife. Após o desfile dos blocos, os passageiros encontraram Alceu em uma lanchonete. O cantor brincou que tocaria ali mesmo se alguém arrumasse um instrumento. Divino correu até o ônibus, buscou o seu violão e viu o artista improvisar uma apresentação no meio da rua, sem microfone nem palco. Trinta anos depois, o reencontro em Maringá serviu para Alceu autografar o mesmo instrumento e fechar um ciclo que começou na calçada de uma lanchonete recifense há 30 anos.

Alceu Valença autografa violão de Divino Vieira
Alceu Valença autografa violão de Divino Vieira

Essa mesma simplicidade e proximidade com o público deu o tom da conversa que ele teve com a imprensa. Na coletiva, Alceu manteve a postura firme e autêntica que sempre marcou sua trajetória. Revisitou o começo de tudo, lembrando que subiu ao palco pela primeira vez aos quatro anos de idade, no Cine-Teatro Rex, em São Bento e fez questão de reforçar sua recusa em ceder às pressões da indústria fonográfica.

"Eu só canto o que eu quero. Nunca fui atrás do que está fazendo sucesso no momento", afirmou. Questionado sobre os novos caminhos da música, o cantautor reconheceu que a internet abriu espaço para artistas independentes emergirem de forma orgânica, mas criticou abertamente a ascensão da inteligência artificial na composição. Para ele, a tecnologia pode até cruzar dados de grandes nomes como Luiz Gonzaga, Caetano Veloso ou Beatles, mas jamais conseguirá reproduzir a essência do sentimento humano.

A julgar pela entrega no show e pelo carinho no reencontro com seu Divino, é justamente essa essência que continua fazendo a diferença.

Thaís Almeida

Thaís Almeida

Sou jornalista e redatora, com experiência em diferentes frentes da comunicação: colunas de notícias, reportagem de rua e produção e apresentação de programas ao vivo. Minha atuação se concentra em temas como política e questões raciais.

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