A Câmara Municipal de Maringá acompanha os desdobramentos de uma Comissão Processante instaurada para apurar denúncias contra a vereadora Ana Lúcia. O processo teve início após um ex-assessor do gabinete apresentar acusações que envolvem assédio moral e suposto desvio de função, além da divulgação de um áudio gravado no momento de sua exoneração. A representação motivou a abertura dos trabalhos na Casa para avaliar a conduta da parlamentar.
A reportagem entrevistou a vereadora Ana Lúcia, que apresentou sua versão sobre os fatos, rebateu as acusações e detalhou o impacto do processo em sua trajetória pública.
Defesa classifica denúncia como farsa e aponta motivação política
Durante a entrevista, a vereadora afirmou que o conjunto de alegações levadas à comissão não possui procedência e classificou o caso como uma farsa e um conjunto de "calúnias e injúrias" contra o seu mandato. Segundo Ana Lúcia, a representação inicial apresentou inconsistências formais e, ao tomar conhecimento das acusações, ela registrou um boletim de ocorrência contra o ex-assessor.
A parlamentar sustenta que o processo tem sido impulsionado por adversários políticos com o objetivo de desgastar sua imagem e prejudicar sua atuação pública.
Trata-se de uma farsa em cima de uma página de calúnias que eu contestei no primeiro dia que tive acesso. (...) O que se busca com uma comissão processante de cassação é cassar. O problema é que se usa esse momento para construir uma ação contra mim buscando me tirar do cenário público político.
Contexto da gravação e desligamento de assessor
Sobre a gravação divulgada, Ana Lúcia relatou que o registro ocorreu sem o seu conhecimento no momento em que comunicava o desligamento do ex-colaborador. Segundo a vereadora, a decisão foi tomada após meses de queda no desempenho do assessor, atritos na rotina do gabinete e ausências injustificadas em compromissos oficiais.
Ela explicou que, diante da situação e buscando evitar prejuízos imediatos ao ex-funcionário, sugeriu inicialmente estender a permanência dele até o fim do mês, afastando-o das atividades de campo. No entanto, o descumprimento imediato das tarefas administrativas repassadas pela chefia de gabinete levaram à assinatura da exoneração no dia seguinte.
Andamento na Comissão Processante e defesa
Em relação ao trabalho da Comissão Processante, a vereadora destacou que sua equipe jurídica atua para demonstrar a ausência de provas e a improcedência das acusações. Ela pontuou que depoimentos prestados por testemunhas ao longo das oitivas têm corroborado a versão da defesa e que a própria comissão optou por desconsiderar anexos apresentados pelo denunciante que careciam de verificação técnica.
Não é difícil fazer a minha defesa porque eu trabalho com a verdade. O difícil é quem está mentindo manter a acusação. Todas as coisas que ele falou já estão demonstradas falsas.
Trajetória na docência e impacto no mandato
Ana Lúcia destacou o impacto emocional do processo em sua rotina, ressaltando o constrangimento de ver sua imagem associada a denúncias dessa natureza após uma longa carreira pública. A parlamentar enfatizou seus 35 anos de dedicação ao ensino e à pesquisa na Universidade Estadual de Maringá (UEM), além do trabalho técnico no Observatório das Metrópoles em defesa do planejamento urbano, da habitação popular e dos direitos sociais na região.
Apesar dos desdobramentos na Câmara e do desgaste gerado pelas acusações, a parlamentar reforçou que a estrutura do gabinete segue em pleno funcionamento. A atuação frente à Comissão de Educação da Casa e o diálogo contínuo com os servidores da rede municipal permanecem mantidos como prioridades do mandato.
A vereadora concluiu ressaltando que confia no esclarecimento dos fatos ao longo da instrução do processo e reforçou o compromisso de manter o diálogo aberto com a população maringaense, colocando sua trajetória política e acadêmica à disposição do escrutínio público.