Cerca de 1,8 mil fotografias de Nego Miranda (1945-2021) já podem ser consultadas gratuitamente pelo site (negomiranda.com.br). Lançado nesta semana, o acervo digital reúne registros de quatro décadas do fotógrafo curitibano. Grande parte da coleção é inédita .
A plataforma aberta integra o projeto “Nego Miranda — Acervo e Preservação”, desenvolvido para conservar, organizar, digitalizar e ampliar o acesso à obra do fotógrafo. Além da consulta on-line, o site permite o download de fotografias para fins educativos e de pesquisa.
As imagens podem ser pesquisadas por períodos e temas. Entre os filtros disponíveis estão Curitiba, Foz do Iguaçu, Litoral, erva-mate, artesanato, natureza, retratos, família, Cuba, México e Pernambuco, além de fotografias das décadas de 1970, 1980, 1990 e dos anos 2000.
Nascido em Curitiba em 27 de dezembro de 1945, Carlos Alberto Xavier de Miranda, o Nego Miranda, passou pela fotografia publicitária, documental e autoral. Antes de se dedicar profissionalmente às câmeras, formou-se como técnico em eletrônica, estudou Filosofia e frequentou um curso de cinema no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
De volta a Curitiba, integrou um estúdio de fotografia publicitária ao lado de nomes como Geraldo Magela, Paulo Leminski e Solda. Na década de 1980, participou da ZAP com Márcio Santos, Dico Kremer e João Urban e, posteriormente, manteve com Urban a Fototécnica até o início dos anos 2000.
Foi sobretudo na fotografia documental, porém, que Miranda desenvolveu parte de seus trabalhos mais conhecidos. Ao lado da jornalista Teresa Urban, publicou Engenhos & Barbaquás (1998), Morretes, meu pé de serra (2007) e Puxando o Fio: histórias de armarinhos (2013). Também assinou com Maria Cristina Wolff de Carvalho Paraná de Madeira e Igrejas de Madeira do Paraná, ambos lançados em 2005.
Em 2010, publicou A eterna solidão do Vampiro, trabalho inspirado no universo literário de Dalton Trevisan e realizado a partir de cenários de Curitiba associados às histórias do escritor.
Nego Miranda morreu em 3 de maio 2021, vitima de complicações de uma doença degenerativa. Cinco após o após o seu falecimento, seu acervo se torna público com com mostras de uma obra dedicada às paisagens, à arquitetura, aos personagens e às transformações culturais do Paraná.
A curadoria do acervo digital é de Cahuê Miranda, Letícia W. Magalhães, Sarita Warszawiak e Tali Miranda.






Registros de Curitiba entre os anos 1980-1990. Imagem/Reprodução: Nego Miranda