A Companhia Paranaense de Energia (Copel) registrou lucro líquido de R$ 1,047 bilhão no segundo trimestre de 2026, valor 82,6% superior aos R$ 573,6 milhões apurados no mesmo período de 2025. O resultado foi divulgado pela companhia, que fará webcast de apresentação em 6 de agosto.
Em bases recorrentes — métrica que exclui itens não recorrentes e efeitos contábeis sem impacto no caixa —, o lucro foi de R$ 645,1 milhões, aumento de 42,6% na comparação anual. A diferença entre os dois números decorre, segundo a empresa, de fatores como a repactuação do Uso do Bem Público (UBP) da Elejor, que gerou R$ 284,4 milhões em receita financeira no período, além de ajustes de Valor Novo de Reposição (VNR), marcação a mercado (MTM) e efeitos do IFRS no segmento de transmissão.
A receita operacional líquida recorrente somou R$ 5,96 bilhões, crescimento de 10,4% em relação aos R$ 5,40 bilhões do segundo trimestre de 2025. No primeiro semestre, a receita recorrente acumulada foi de R$ 12,35 bilhões, ante R$ 10,61 bilhões um ano antes.
EBITDA e segmentos
O EBITDA recorrente atingiu R$ 1,612 bilhão, alta de 20,8% sobre os R$ 1,335 bilhão do 2T25. O EBITDA reportado foi de R$ 1,993 bilhão, avanço de 26,0%. A margem EBITDA recorrente ficou em 27,1%, ante 24,7% no mesmo período do ano anterior.
O avanço do EBITDA recorrente, de R$ 277,6 milhões, distribuiu-se entre os negócios da companhia. A Copel Distribuição (Copel DIS) contribuiu com aumento de R$ 196,3 milhões (34,5%), alcançando R$ 765,6 milhões. A Copel Geração e Transmissão (Copel GeT) somou R$ 76,8 milhões (10,1%), atingindo R$ 838,2 milhões. As Centrais Elétricas Rio Jordão (Elejor) acresceram R$ 12,1 milhões, para R$ 29,1 milhões.
Na distribuição, a companhia atribuiu o desempenho ao crescimento de 7,2% do mercado fio faturado e ao Reajuste Tarifário Anual de junho de 2025, com efeito médio de 1,3% na Parcela B. O consumo no mercado cativo cresceu 8,0% e no mercado fio, 7,3%.
Na geração e transmissão, a empresa citou a incorporação integral da transmissora Mata de Santa Genebra (MSG), o aumento médio de 2,2% na Receita Anual Permitida (RAP) das transmissoras para o ciclo 2025-2026 e a alta de 6,4% no preço médio dos contratos bilaterais. No sentido oposto, o desvio de geração (curtailment) nos parques eólicos passou de 15,7% no 2T25 para 23,7% no 2T26, com impacto negativo de R$ 34,8 milhões, e o volume físico de geração eólica recuou de 799 GWh para 660 GWh.
Resultado financeiro e endividamento
O resultado financeiro recorrente foi negativo em R$ 653,3 milhões, ante resultado negativo de R$ 401,9 milhões no 2T25. A companhia informou que a variação decorre do aumento de R$ 195,0 milhões (32,0%) nas despesas com encargos da dívida, associado ao maior saldo médio de endividamento, e de R$ 63,2 milhões em despesa de PIS/COFINS sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP).
A dívida bruta consolidada encerrou junho de 2026 em R$ 23,484 bilhões, ante R$ 20,038 bilhões em dezembro de 2025. A dívida líquida ajustada foi de R$ 19,651 bilhões, e a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA ficou em 2,9 vezes, ante 2,7 vezes no fim de 2025. Segundo a empresa, o indicador está dentro da banda de 2,6x a 3,2x definida na atualização de sua estrutura de capital, divulgada em fato relevante de 15 de julho de 2026.
O custo médio da dívida em taxa nominal foi de 12,92% em 30 de junho de 2026, equivalente a 91,33% do CDI, ante 13,54% um ano antes. O prazo médio passou de 4,9 para 5,2 anos.
Investimentos e revisão tarifária
Os investimentos totalizaram R$ 957,2 milhões no trimestre, sendo 50,1% na Copel Distribuição e 49,9% na Copel GeT, Comercialização e Holding. O valor inclui R$ 317,9 milhões destinados à ampliação da capacidade das usinas hidrelétricas Governador Bento Munhoz (Foz do Areia) e Governador Ney Braga (Segredo), no âmbito do Leilão de Reserva de Capacidade realizado em 18 de março de 2026.
No período, a Copel concluiu a Revisão Tarifária Periódica do 6º ciclo da distribuidora, com a Base de Remuneração Regulatória (BRR) definida em R$ 19,9 bilhões.
Os custos gerenciáveis (PMSO) recorrentes somaram R$ 701,9 milhões no trimestre, redução de 0,9% frente ao 2T25. O quadro de pessoal encerrou junho em 4.508 empregados, ante 5.811 em 2023.
Remuneração aos acionistas
A companhia anunciou o pagamento de R$ 706 milhões em Juros sobre Capital Próprio (R$ 0,2377 por ação), com pagamento previsto para 30 de setembro de 2026. Em 30 de junho, a Copel pagou R$ 1,35 bilhão em dividendos, referentes a proventos anunciados em dezembro de 2025.