“Sim sim sim”, o álbum do Bala Desejo que nasceu clássico

Bala Desejo: A banda anunciou seu encerramento e agora faz turnê de despedida. (Foto de: Elisa Maciel/Divulgação)
Conheça as histórias dos bastidores da trajetória da banda que, em breve, faz seu primeiro e ultimo show em Curitiba

Tudo começou nas lives de pandemia da sambista Teresa Cristina. Pelo menos aos olhos do público, essa foi a primeira reunião do quarteto que hoje compõe a banda Bala Desejo. A cantora reunia amigos e celebridades para falar sobre os mais variados assuntos durante a quarentena, sendo a música o ponto de maior contato entre ela, os convidados e o público.

O sofá virtual da artista recebia diariamente nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Eduardo Suplicy e Mariana Ximenes. Entre tantas estrelas, em 11 de julho de 2020, brilhavam de forma mais modesta um grupo de amigos que cantava “Águas de março”, em live dedicada a Tom Jobim.

Zé Ibarra, Dora Morelenbaum, Julia Mestre e Lucas Nunes eram os jovens que encantavam Teresa e o público cativo das transmissões. Somava-se a eles João Gil, neto de Gilberto e integrante dos Gilsons, no que a sambista definia como “comunidade hippie”.

Agora a banda está em turnê de despedida após uma breve e impactante jornada na música brasileira, com show agendado em Curitiba, em 9 de março. É primeira e também a última vez que Bala Desejo vem à capital paranaense. A realização é da CULT! Produções, com apresentação no Teatro UP Experience,

Embrião de novos projetos

A comunidade estava em pé desde o fim de junho de 2020, na casa dos pais de Julia, em Copacabana. Os quatro nomes que dariam origem ao grupo eram amigos desde a infância. Colegas da Escola Parque, do Rio de Janeiro, compartilhavam o talento musical como fio-condutor da amizade.

Zé e Lucas integravam a banda Dônica, formada ainda por Tom Veloso (filho de Caetano), André Almeida e Miguima. Dora fazia parte do conjunto vocal Zanzibar e é filha dos renomados Jacques e Paula Dorelenbaum, ex-integrantes da Banda Nova, grupo parceiro de Jobim. Julia já havia lançado o EP “Desencanto”, em 2017, e o álbum “GEMINIS”, em 2019.

O confinamento imposto pela pandemia foi o laboratório perfeito para a criação de novos projetos entre os integrantes, até mesmo solos futuramente lançados e o segundo álbum do Dônica, “Hoje, ontem”, que Zé e Lucas finalizaram durante o período. O Bala Desejo, no entanto, foi o resultado de maior sucesso do encontro.

O desejo

O grupo foi oficialmente formado a partir do convite do produtor Gabriel Andrade, do Coala Festival e Coala Records. A proposta era de a banda subir aos palcos na edição de 2021 do evento e também gravar um álbum pelo selo. As ideias efervescentes da trupe hippie ganhou forma no som maduro e ousado dos músicos.

Após 11 meses de produção, assinada também pela cantora Ana Frango Elétrico, o álbum estava pronto. A estética analógica e vintage do grupo não poderia ficar de fora do lançamento do “bolachão” virtual: as 14 faixas foram divididas em lado A e lado B, como nos discos de vinil.

Parte das canções já estava consolidada no repertório caseiro do grupo. O restante foi idealizado após a união oficial do quarteto enquanto banda. Alternando entre os desejos musicais de cada um, o encontro em comum das paixões foi a ode à música popular brasileira dos anos 70 e 80.

“A juventude vive um momento de conexão com a música brasileira do passado e do presente e tende a valorizar isso que convencionamos chamar de música popular. O Bala Desejo é uma banda que estabelece esse elo entre passado e presente, porque, além do revival setentista, serve a essa construção de identidade, conversando com esse público jovem”, afirma o crítico musical e jornalista cultural Gabriel Caetano.

A banda-base arregimentada para o disco reuniu Alberto Continentino (baixo), Daniel Conceição (percussão e bateria), Marcelo Costa (percussão, cuja carreira foi tema desta coluna anteriormente) e Thomas Harres (bateria e percussão).

Três vezes sim

O primeiro lado do álbum “Sim sim sim” foi lançado em janeiro de 2022, complementado pela segunda parte em fevereiro. Da bossa ao rock e do tropicalismo ao pop, o amálgama de referências e até mesmo ressignificações de influências estava disponível ao público.

Era um momento de reencontro e celebração, metafórica com a música e literalmente com o fim do isolamento. Era o “Recarnaval” para o público e para o grupo, como manda uma das faixas do disco. Havia espaço de compensação e reflexão dos dois anos de pandemia.

O sucesso do álbum alçou o quarteto a novos voos. A admiração que Caetano, Milton Nascimento e Gal Costa (astros que já dividiram o palco com membros da banda) se estendeu para o apreço de crítica e público.

O pouco tempo de estrada não impediu que a rodagem fosse grande. A banda passou por festivais como Rock in Rio, Coala, Rock The Mountain, Auê e turnês internacionais em países como Inglaterra, Portugal, Japão, Holanda, Dinamarca, Alemanha e Espanha.

No ano de lançamento do álbum, o prestígio foi posto à prova no Prêmio Multishow de Música Brasileira e no Grammy Latino. A premiação latina assegurou a conquista de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa ao grupo.

Dois anos depois, a banda anuncia seu encerramento, com uma turnê de despedida que marca o mesmo reencontro e celebração que deram o ritmo do álbum.

“O Bala Desejo não poderia acabar sem antes passar por Curitiba. Trazer eles é motivo de grande orgulho para nós. As grandes estrelas da MPB já reconheceram o talento pulsante nessa nova geração. Estamos animados e temos a certeza de que, em breve, novos projetos virão. Ainda vamos ouvir muito de cada um deles”, antecipa o produtor Ramon Prestes, da CULT! Produções.

O que esperar do show

A turnê de encerramento já se apresentou em Brasília e Goiânia (2 e 3 de fevereiro, respectivamente) e tem datas marcadas para Belo Horizonte e São Paulo (23 e 24 de fevereiro). Em março, além de Curitiba, o grupo se apresentará em Porto Alegre e no Rio de Janeiro.

“Nós assistimos ao show do Bala Desejo no ano passado, no Rio de Janeiro, e foi cativante. A forma de apresentação deles é muita enérgica, envolvente, sedutora. Voltamos encantados e foi aí que decidimos que precisávamos promover esse show aqui em Curitiba”, diz Larissa Drabeski, diretora de comunicação da CULT!.

A disposição cênica e a euforia dos membros no palco também são destacados por quem pôde ver a banda ao vivo. “[Nos shows] Eles conseguem brincar com a banda, com interação constante e entre quem está no palco e o público. Julia Mestre, em especial, tem domínio sobre o espetáculo. O negócio ferve mesmo”, confirma Gabriel, que acompanhou a banda em Belo Horizonte (MG), em 2022.

O público curitibano pode aguardar muita folia para antecipar a saudade, frevo, salsa, reggae e rock em tom de bailinho. Enfim, o que de melhor a música brasileira de hoje e ontem pode oferecer.

Show do Bala Desejo

Quando: 9 de março de 2024 (sábado)
Onde: Teatro UP Experience (R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Ecoville)
Horário: 21h
Ingressos: a partir de R$ 100
Venda: Disk Ingressos*
Realização: CULT! Produções

* PROMO 1+1: até o dia 29 de fevereiro, na compra de um ingresso, você ganha outro!. Saiba mais neste link.

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