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Brasil só pode voltar à normalidade com Jair Bolsonaro na cadeia

Jair Bolsonaro é um símbolo, e a política se faz por símbolos. É também um criminoso, e um país sério se faz com a prisão de criminosos

Brasil só pode voltar à normalidade com Jair Bolsonaro na cadeia
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O Brasil não tem como voltar à normalidade sem que Jair Bolsonaro seja condenado e preso. Eis o tamanho da importância do julgamento que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal tem pela frente.

Não se trata de gostar ou não de um político. Muito menos trata-se de sadismo, de sentir prazer em ver sofrer alguém, por mais que se sinta ódio da pessoa. O encarceramento de Bolsonaro é algo necessário para que o país possa enfim superar seu período mais difícil desde a redemocratização. Para que enfim nossa democracia tenha alguma segurança.

Nos últimos sete anos, o país viveu um pesadelo. Com o naufrágio do governo de Dilma Rousseff e a incapacidade de Michel Temer de conseguir viabilizar um sucessor, abriu-se espaço para quem pregava o radicalismo e o caos. 

Jair Bolsonaro, um egresso da linha dura do regime militar, defensor dos porões, da tortura, da eliminação dos opositores da ditadura, estava lá para colher o que lhe caiu no colo, e assumiu a Presidência já deixando claro, para todo mundo que estava de olhos abertos, o que viria pela frente: ele tentaria um golpe de Estado, tentaria acabar com a democracia brasileira.

No poder, Bolsonaro foi o pior gestor possível, principalmente pelo que fez e deixou de fazer na pandemia (e seria importante que também por isso fosse condenado judicialmente). Mas, além disso, fez o país regredir em pensamento: nos devolveu à barbárie ao defender o que há de pior no país.

As declarações de Bolsonaro em seu cercadinho para a imprensa, o que ele falou em suas lives, as entrevistas, tudo isso ajudou a criar um clima no país onde todos os comportamentos bárbaros passaram a ser justificáveis.

Deputadas sacavam armas na rua para perseguir críticos, como se isso fosse normal; pessoas pediam golpe de Estado, sob o nome pouco disfarçado de intervenção militar, como se fosse aceitável; acampava-se em frente a quartéis pedindo a anulação de eleições justas; recebiam-se líderes neonazistas no Palácio; tratavam-se negros como animais pesados em arrobas e mulheres como frutos de “fraquejadas”.

Esse clima levou, por exemplo, um policial penal a invadir uma festa de aniversário por ser contra o PT e, mesmo sem conhecer as pessoas, decidir que era o caso de matar o aniversariante, o guarda municipal Marcelo Arruda.

Mas principalmente levou uma porcentagem absurdamente alta da população a encarar como naturais comportamentos que são absolutamente intoleráveis num país normal.

Agora, chega.

Bolsonaro precisa ser freado. Cometeu crimes, e precisa pagar por eles. É preciso que a Justiça mostre que ainda existe lei no país e que as pessoas não têm o direito a certos comportamentos, nem em nome da liberdade de expressão nem em nome de uma suposta crítica ao sistema eleitoral, que mal disfarça a disposição de pôr por terra a democracia.

Jair Bolsonaro é um símbolo, e a política se faz por símbolos. É também um criminoso, e um país sério se faz com a prisão de criminosos.

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Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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