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Após vitória de Lula, centro acadêmico de Arquitetura da UFPR é vandalizado

Universidade encaminhou o caso para apuração dos fatos e identificação dos responsáveis

Após vitória de Lula, centro acadêmico de Arquitetura da UFPR é vandalizado
Fotos: Grêmio de Arquitetura e Urbanismo (GAU)

Texto de Nicole Ribeiro, aluna de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo

Na manhã desta terça-feira (27), estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) encontraram a sala do Grêmio de Arquitetura e Urbanismo (GAU), que funciona como centro acadêmico do curso, vandalizada. O espaço fica no bloco 1 (PD) do Complexo Rubens Meister, no Centro Politécnico, em Curitiba.

Representantes da Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo e do diretório acadêmico do curso relataram que materiais adquiridos por meio de doações e compras realizadas com recursos do próprio Grêmio foram destruídos. Imagens do local mostram pichações nas paredes, em móveis e em outros objetos, molho shoyu derramado em desenhos e pertences pessoais, além de frases pejorativas direcionadas aos estudantes. Também foram identificadas inscrições com o número 22, associado ao Partido Liberal (PL), legenda do então candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. 

Segundo estudantes que estiveram no local, materiais com referências à comunidade LGBTQIAPN+ também foram depredados e uma bandeira Bissexual foi furtada. Para as entidades estudantis, o caráter discriminatório do ataque preocupa e levanta questionamentos sobre a segurança dos alunos dentro da universidade.

Em conversa com o Plural, representantes das entidades manifestaram preocupação com a segurança e o sentimento de pertencimento dos estudantes. Para eles, a sala do Grêmio é um espaço de convivência, acolhimento e organização estudantil. Por isso, consideram inadmissível que o local seja alvo de violência e intolerância.

De acordo com informações preliminares, o episódio pode ter ocorrido na noite de segunda-feira (26). Alguns estudantes relataram ter sentido um forte cheiro de tinta spray ao sair do bloco, mas não presenciaram a ação.

Após a identificação dos danos, os representantes da Reitoria da UFPR Juliana Mitelbach e Mário Messaggi Júnior estiveram no local para prestar apoio aos estudantes. A Universidade informou que encaminhou o caso para a apuração dos fatos e a identificação dos responsáveis.

Entidades estudantis se manifestam

Segundo o Grêmio, este não é o primeiro episódio do tipo. Em 22 de junho deste ano, a sala também foi invadida e pichada com frases de violência política. Em nota enviada ao Plural, representantes do Grêmio e da Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo manifestaram preocupação com a segurança e o sentimento de pertencimento dos estudantes, além de defenderem a preservação dos espaços de organização estudantil.

“Nossa preocupação é principalmente com o impacto sobre a segurança e o sentimento de pertencimento dos estudantes. O Grêmio é um espaço de convivência, acolhimento e organização estudantil. Já recebemos relatos de estudantes que não se sentem mais seguros para deixar seus materiais, trabalhos e pertences ali, algo que sempre fez parte da nossa rotina. O ataque abala essa relação de confiança com um espaço que construímos e compartilhamos diariamente.

A sala do Grêmio fica aberta, e sempre foi assim. Essa abertura expressa a universidade que queremos: pública, acessível e aberta a todas as pessoas. Não queremos que um espaço de encontro e convivência se transforme em um lugar marcado pelo medo e pela desconfiança. A convivência democrática pressupõe liberdade, mas também responsabilidade e respeito: a liberdade de uma pessoa não autoriza atacar, intimidar ou ferir outras pessoas, nem destruir aquilo que é de uso coletivo.

É fundamental preservar os estudantes e os espaços estudantis, garantindo a liberdade de organização e expressão política dentro da universidade, que é um lugar de produção de conhecimento, ciência e debate. O movimento estudantil tem uma trajetória de luta por melhorias na universidade, pela permanência dos estudantes e pela defesa do orçamento público. Essa atuação muitas vezes incomoda, mas nenhuma divergência justifica a violência ou a destruição de um espaço coletivo.

Esperamos que os estudantes não se retraiam diante dessa violência absurda. Vamos resistir, com organização, solidariedade e defesa dos nossos direitos, para que o medo não silencie a participação estudantil nem nos faça abrir mão de uma universidade democrática e acolhedora”, declararam.

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Nicole Ribeiro

Nicole Ribeiro

Estagiária do Jornal Plural. Estudante de Jornalismo da UFPR. Entre pautas, textos e muito café.

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