O deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), disse em entrevista ao portal Congresso em Foco que o objetivo do agronegócio nas eleições deste ano é "tirar o PT do poder". Para ele, "não existe possibilidade de a produção agropecuária do Brasil sobreviver com mais quatro anos de PT".
Segundo Lupion, o agronegócio vai fazer as "composições necessárias" com os pré-candidatos à Presidência da República que podem enfrentar o presidente Lula, como os governadores do Paraná, Ratinho Jr (PSD), de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos) e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Ou com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – cujo irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), incentivou e comemorou a imposição de tarifas ao agronegócio brasileiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O alinhamento com Tarcísio de Freitas faz sentido: no ano passado, o governador de São Paulo vendeu para grandes proprietários rurais, com 90% de desconto, terras públicas invadidas por eles mesmos. Com o programa de regularização da grilagem, que envolveu 600 mil hectares de terra, os cofres públicos de São Paulo deixaram de arrecadar cerca de R$ 7,6 bilhões, segundo levantamento da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Agro teve recuperação em 2025
Os números da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) mostram que o agronegócio teve uma recuperação em 2025. Desde 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, o recorde no crescimento do PIB do agronegócio foi em 2020 (24,3%), impulsionado pela valorização do dólar, a alta nos preços internacionais de commodities e a forte demanda externa.
Em 2022, último ano o governo Bolsonaro, e 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula, o PIB do agronegócio caiu. Teve uma pequena recuperação em 2024 e em 2025 cresceu 11,7% – o único ano do governo Bolsonaro com crescimento maior que o do ano passado foi 202o.
Veja os resultados do PIB do agronegócio brasileiro desde 2019, segundo a CNA:
2019: crescimento de 3,81%
2020: crescimento 24,3%
2021: crescimento de 8,3%
2022: queda de 4,2%%
2023: queda de 2,9%
2024: crescimento de 1,81%
2025: crescimento 11,7%
Em 2021, de acordo com a CNA, a produção foi afetada pela alta nos custos de insumos e o recuo em segmentos como agroindústria e agrosserviços. Já em 2022, apesar da grande safra, houve redução nos preços das commodities agrícolas e para o setor pecuário.
Escala 6x1
Na entrevista ao Congresso em Foco, Pedro Lupion disse que o fim da escala de trabalho 6x1 poderá "destruir o mercado de trabalho". "Isso pode destruir o mercado de trabalho, pode gerar uma série de demissões, pode aumentar um custo gigantesco e isso ser repassado para o consumidor."
Segundo Lupion, a Frente Parlamentar da Agropecuária fará mobilizações sobre o tema. "Existe um rol de frentes do setor produtivo, frentes parlamentares, como também as entidades representativas de cada uma das classes do setor produtivo, as entidades que representam o setor patronal, para a gente ter uma negociação muito clara e entender o que nós podemos ter de projeto referente a isso. Alguém paga essa conta e essa conta não pode ser paga pelo consumidor".
Pedro Lupion é filho do ex-deputado federal Abelardo Lupion e neto do ex-governador do Paraná Moysés Lupion, que construiu um império no ramo madeireiro no Estado. Em 1947, já governador, Lupion retirar a oferta de terras no Oeste para pequenos agricultores, que havia sido feita pelo interventor Manoel Ribas, e negociar o território com grandes proprietário e fazendeiros. Isso gerou uma série de conflitos no campo
Uma das beneficiadas pela política de Moysés Lupion foi a família Lunardelli, de São Paulo. Tratado como Rei do Café no século passado no Paraná, Geremia Lunardelli era tio-avô de Yvone Lunardelli Pimentel, mulher do ex-governador Paulo Pimentel e avó do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, e do presidente da Copel, Daniel Slaviero Pimentel.
Outra integrante da família Lupion no mundo político é a vereadora de Curitiba Rafaela Lupion, bisneta de Moyses Lupion e prima de Pedro Lupion. No mês passado, ela assinou o parecer contrário ao projeto de lei que retirava homenagens a proprietários de escravos que hoje dão nome a ruas de Curitiba.