O corpo da imagem - Jornal Plural

O mais profundo é a pele

A decadência que as acometeu não foi causada por nenhuma catástrofe, mas pela falta de um poder: são mulheres desprovidas do para-ser-olhadas, não são mais desejáveis nem pelo voyeur, nem pelo fetichista. O mais perturbador dessas imagens é a incapacidade de se manterem como objeto – não desejo tê-las, não desejo sê-las

Nicole Lima

Um corpo oco

Ter ou não ter um útero, usar ou não usar, parir ou não parir, dar ou não dar (vender? alugar?), quando, com quem, com quantos, se de pé, de cócoras, debaixo da árvore, na banheira ou no hospital, a questão da maternidade, da virgindade, a disputa pelos acessos e usos dignos ou indignos atribuídos a esse pequeno espaço oco dentro desse corpo ampliado, vêm de longa data e sim: essa história está todinha registrada na arte

Nicole Lima

Entre a versão e a subversão

Se “não se nasce mulher, torna-se mulher”, como bem disse a Simone, também é verdadeiro dizer que não se nasce humano, torna-se humano. E na nossa cultura os humanos são subdivididos ainda em gênero, classe e ordem. Há uma versão pré-fabricada pela cultura para cada um de nós, a que somos forçados a nos moldar

Nicole Lima

Imagem ou enigma?

O objetivo de alcançar o belo (sobretudo na estética medieval cristã) parte da ideia de que a arte estaria aí para nos mesmerizar, para nos elevar por meio do que é perfeitamente agradável

Nicole Lima