A Polícia Militar de Santa Catarina (PM-SC) prendeu na noite de sábado (6 de dezembro) José Oswaldo Dell’Agnolo, de 43 anos, conhecido como "Lobo do Batel", suspeito de aplicar um golpe bilionário por meio de um esquema de pirâmide financeira em Curitiba. Ele estava desaparecido deste agosto e, segundo a PM-SC, foi preso em um hotel em Itapema, no litoral catarinense, com R$ 5 milhões em dinheiro.
Na semana passada, o Plural mostrou que pelo menos 30 processos que tramitam no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) tentam reaver milhões de reais investidos no Futuree Bank e na Theboss Soluções de Softwares Inteligentes. As vítimas relataram que foram abordadas por Dell Agnolo com a promessa de rendimentos mensais de 3% sobre o capital investido.
Uma das vítimas disse ter investido R$ 180 mil em maio. Após receber o rendimento mensal, depositou mais R$ 100 mil no Futuree Bank em julho, mas os pagamentos cessaram. Em agosto, o irmão de Dell’Agnolo registrou um boletim de ocorrência relatando seu desaparecimento. Depois disso, o próprio "Lobo do Batel" chegou a mandar áudios para as vítimas, prometendo regularizar os pagamentos entre os dias 11 e 16 de setembro, o que não ocorreu.
Na quinta-feira (4), dois dias antes da prisão de Dell’Agnolo, a Polícia Federal cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em Curitiba, na operação Mors Futuri. Os mandados foram expedidos pela 23ª Vara Federal de Curitiba e a Justiça bloqueou R$ 66 milhões, imóveis e veículos. A estimativa é que o golpe tenha dado um prejuízo de R$ 1 bilhão e atingido cerca de 800 pessoas.
Segundo a investigação, os clientes eram captados pela Theboss, com a promessa de rendimento de 3% ao mês. As aplicações eram feitas no Futuree Bank. Em matéria publicada na semana passada, o Plural mostrou que o grupo criou uma empresa em Delaware (EUA) em 6 de maio de 2025.

Entre os sinais de que se tratava de uma pirâmide financeira estão a promessa de rendimentos altos, a ausência de registro da Theboss e do Futuree Bank como banco ou fundo de investimento na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a transferência para um conta que não é do banco ou fundo.
A PM-SC informou que Dell’Agnolo era procurado pelos crimes previstos no artigo 2º da Lei 12.850/2013 (organização criminosa) e no artigo 7º da Lei 7.492/1986 (gestão fraudulenta de instituição financeira). Ele estava em um hotel no bairro Ilhota. Foram apreendidos um tablet, dez celulares, um notebook, relógios, R$ 1.131.220,00 e US$ 721.300,00 em espécie. Convertidos, os valores totalizam R$ 5.055.092,00. O material foi encaminhado à Polícia Federal de Itajaí e o "Lobo do Batel" foi conduzido ao presídio de Itapema.
O Plural tenta contato com a defesa de José Oswaldo Dell’Agnolo e fica aberto e uma eventual manifestação.