A Prefeitura de Curitiba exonerou nesta sexta-feira (25) Paulo Henrique Rivera de Melo, filiado ao PL que foi nomeado pelo prefeito Eduardo Pimentel (PSD) no último dia 18 de julho para ocupar um cargo em comissão no Instituto Municipal do Turismo (IMT). Melo, que é suplente de vereador em Curitiba, participou na tarde da última quinta (24) de um ato contra o presidente Lula (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no bairro Alto da Glória.
A Prefeitura diz que a exoneração teve efeito retroativo e que Melo não chegou a trabalhar no cargo nem receberá qualquer salário pela nomeação.
Foi a terceira exoneração em tempo recorde, na gestão de Pimentel, de pessoas ligadas ao PL que tinham cargos no IMT. O partido indicou o vice-prefeito na chapa de Pimentel na eleição do ano passado, Paulo Eduardo Martins – que está oficialmente de saída para o Partido Novo.
Em abril, a Prefeitura exonerou Andréia Gois Maciel, que era lotada no Instituto, mas dizia atuar como assessora do vereador Eder Borges (PL) na Câmara Municipal de Curitiba. Borges nomeou a filha de Andreia, Victoria Lauren Maciel Almeida, como sua chefe de gabinete, com salário de R$ 17.685,33. Em redes sociais e na própria Câmara, o vereador afirmou que Andreia era sua mulher, mas o Conselho de Ética da Câmara entendeu que o caso não configura nepotismo.
No início de maio foi demitido o presidente do IMT, José Luiz Gonçalves Velloso, que era presidente do PL Jovem no Paraná. Indicado pelo presidente do partido no estado, o deputado federal Fernando Giacobo, Velloso foi condenado por improbidade administrativa depois de exercer um cargo público em Antonina. A exoneração foi publicada no mesmo dia em que o Plural entrou em contato com a Prefeitura, já que Pimentel se comprometeu, durante a campanha, a não nomear pessoas com condenação.

A nomeação de Paulo Henrique Rivera de Melo foi assinada no dia 18 de julho por Pimentel, para o cargo de Gestor Público Municipal I, siga EAG, símbolo C-3, da Secretaria de Governo, para prestar serviços no IMT. A exoneração foi publicada na edição desta sexta-feira do Diário Oficial do Município.
Na tarde de quinta, ele participou de um ato de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no viaduto da Avenida João Gualberto, no Alto da Glória. A manifestação foi organizada pelo vereador Guilherme Kilter (Novo) – que votou pelo arquivamento da representação contra Eder Borges pela prática de nepotismo.

Ao Plural, Paulo Melo disse que foi nomeado "erroneamente", que não exerceu o cargo e que não receberá nada. Segue o esclarecimento enviado por Melo:
A nomeação publicada no dia 21 de julho e é cancelada publicada com a mesma data. Ou seja, não exerci qualquer função, não tive vínculo funcional com a Prefeitura, não recebi remuneração, nem cumpri horário ou desempenhei qualquer atividade no Instituto de Turismo.
Estou seguindo normalmente com minha vida particular e minhas atividades profissionais privadas.
Caso, no futuro, venha a atuar em algum espaço público, será sempre pautado por princípios éticos, técnicos e com base na minha formação, que inclui especializações em Gestão Pública, Governança, Governabilidade, Accountability e Marketing Político.
Apoiador de Bolsonaro, Paulo Melo obteve 5.851 votos na eleição do ano passado e ficou na segunda suplência do PL.
Cargos criados em junho
O cargo que seria ocupado por Paulo Melo é um dos criados no dia 16 de junho pela Câmara de Curitiba. Os vereadores aprovaram a criação de 39 cargos comissionados – 30 deles na administração direta, vinculados à Secretaria de Governo, e nove no Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba).
O custo previsto até 2027 é de quase R$ 20 milhões, segundo o Instituto e o Conselho de Gestão e Responsabilidade Fiscal (CGRF) da prefeitura. O IPPUC prevê um gasto de R$ 1.829.068,41 até 2027. Na Prefeitura, os custos previstos são de R$ 7.059.297,77 em 2026 e de R$ 7.384.146,10 em 2027.