Sergio Moro (PL) foi eleito governador do Paraná em 1º turno, com
50,10% dos votos (3.127.911), neste 4 de outubro de 2026. Sandro Alex
(PSD), candidato apoiado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, ficou em segundo com 25,37% (1.583.764 votos) — menos da metade do que Ratinho fez ao se reeleger em 2022.
Na madrugada de 5 de outubro de 2026, o Paraná encerrou o ciclo político mais longo da sua história recente. Ratinho Junior, que foi reeleito em 2022 vencendo em 379 das 399 cidades do estado, deixa o Palácio Iguaçu sem conseguir transferir sua base para o candidato que escolheu — o deputado federal Sandro Alex (PSD), que foi secretário de Infraestrutura no governo estadual —, com Rafael Greca (MDB) de vice.
Com 100% das seções totalizadas, o resultado para o governo do Paraná foi:
| Candidato | Partido | Votos | % | Situação |
|---|---|---|---|---|
| Sergio Moro | PL | 3.127.911 | 50,10% | Eleito |
| Sandro Alex | PSD | 1.583.764 | 25,37% | Não eleito |
| Requião Filho | PDT | 1.465.601 | 23,47% | Não eleito |
| Luiz França | Missão | 44.581 | 0,71% | — |
| Tayná Miessa | UP | 14.193 | 0,23% | — |
| Alexandre Salomão | Mobiliza | 4.144 | 0,07% | — |
| Samuel de Mattos | PSTU | 2.080 | 0,03% | — |
| Adriano Funileiro | PCO | 1.525 | 0,02% | — |
Fonte: TSE, totalização final em 04/10/2026 às 22:43.
Moro ficou acima dos 50% + 1 e evitou o 2º turno. Mais do que a vitória dele, o resultado é a derrota de um projeto: Sandro Alex recebeu menos de 40% dos votos que Ratinho recebeu em 2022 (4,24 milhões → 1,58 milhão), apesar de ter o palanque do governador em exercício e nove partidos empilhados na mesma chapa.
O que Ratinho tinha para transferir — e por que não transferiu
Nos oito anos de Palácio Iguaçu, Ratinho construiu uma dominância rara na história recente do Paraná. Em 2022, ele chegou a 69,6% dos votos válidos do estado, com percentuais superiores a 70% em cinco das dez mesorregiões paranaenses:
| Mesorregião | Ratinho 2022 |
|---|---|
| Norte Central | 72,4% |
| RMC | 72,1% |
| Oeste | 71,8% |
| Noroeste | 70,5% |
| Centro Oriental | 68,1% |
| Sudeste | 68,4% |
| Centro Ocidental | 69,3% |
| Norte Pioneiro | 64,8% |
| Sudoeste | 59,2% |
| Centro-Sul | 54,9% |
Isso significa que, no mínimo, Sandro Alex perdeu mais de 40 pontos percentuais da base que Ratinho entregava, em todas as regiões. Em alguns redutos tradicionais do PSD — Arapongas (82%), Mercedes (86%), Nova Santa Rosa (86%), Pato Bragado (83%) — a transferência de capital foi o teste mais claro da campanha, e também o mais revelador do que o voto em Ratinho era: pessoal, não partidário.
Como Moro reparou a derrota de 2022
Em 2022, Sergio Moro foi eleito senador pelo União Brasil, mas perdeu no voto por cidade: foi primeiro lugar em apenas 96 dos 399 municípios do PR naquela disputa. Sua eleição se deu pela concentração em RMC e eixo Londrina–Maringá.
Em 2026, pelo PL e com apenas três partidos na coligação (PODE / PL / NOVO), ele ampliou essa base para o estado inteiro e repetiu o fenômeno que elegeu Bolsonaro governador do Brasil em 2018 pelo PSL: uma candidatura "antiestablishment" com estrutura partidária enxuta vencendo uma coligação do tamanho do PR. A chapa de Sandro Alex juntou nove siglas — Republicanos, MDB, Democrata, PSD, Avante, Cidadania, PSDB, PP e União Brasil —, a soma de todo o espólio eleitoral do grupo Ratinho Junior com o que restou do grupo Beto Richa, do grupo Álvaro Dias e dos remanescentes do MDB herdados do Requião pai. Essa máquina somada ficou abaixo da metade do que um nome só, sem máquina, entregou pelo PL.
Por que Requião Filho conseguiu segurar o 23%
Requião Filho (PDT), com vice Michele Caputo (Solidariedade, ex-secretário de Saúde de Beto Richa e deputado estadual), ficou em terceiro com 23,47%, à frente da coligação PT/PCdoB/PSOL/Rede/PV. Em 2022, Roberto Requião (PT) havia feito apenas 10,8% do estado. O filho dobrou o percentual, mas não evitou o atropelamento de Moro. É um indicador de que o eleitorado antigo do Requiãozismo (Centro-Sul, Sudoeste, parte do Noroeste) sobrevive — mas insuficiente para fazer 2º turno.
Como ficou a bancada federal do Paraná em 2026
As 30 cadeiras do Paraná na Câmara em 2026 ficaram assim:
| Partido | Eleitos 2022 | Eleitos 2026 |
|---|---|---|
| PSD | 7 | 4 |
| PL | 3 | 5 |
| NOVO | 0 | 4 |
| PP | 4 | 4 |
| PT | 5 | 5 |
| União | 4 | 2 |
| Republicanos | 1 | 2 |
| Podemos | 1 | 2 |
| MDB | 1 | 1 |
| PV | 1 | 1 |
| Demais | 3 | 0 |
O PSD perdeu três cadeiras — era a maior bancada paranaense e agora empata com PP e NOVO em 4º lugar. O NOVO saiu do zero para quatro federais, dois deles entre os três mais votados do estado: Jeffrey Chiquini (425 mil votos) e Guilherme Kilter (270 mil votos). Puxa também o eleito senador Deltan Dallagnol, que trocou Podemos pelo NOVO para a disputa deste ano.
O outro senador eleito foi Filipe Barros (PL), que vinha de duas legislaturas como federal pelo Norte Central — em 2022, foi o deputado federal mais votado do PR fora da RMC. Rosangela Moro (PL) também se elegeu federal, com 146 mil votos.
Por que Sandro Alex não repetiu o desempenho de Ratinho
O resultado tem três leituras possíveis, todas apoiadas em números da série histórica. A primeira é a de que o capital eleitoral de Ratinho é pessoal, não partidário. Nos ciclos de 1998 a 2022, apenas dois nomes varreram o Paraná em uma eleição majoritária: Álvaro Dias, para o Senado em 1998 e em 2014, e o próprio Ratinho, para o governo em 2018 e 2022. Em nenhum dos dois casos a transferência para sucessores chegou perto da votação original — Álvaro Dias deu palanque a candidatos que perderam, inclusive na sua última eleição, em 2022.
A segunda leitura é a de que a base histórica de Sandro Alex era estreita demais para o estado. Em 2010, 58% dos seus votos para deputado federal vinham de uma única cidade, Ponta Grossa. Em 2022, mesmo com 168 mil votos de federal, ele não ultrapassava 19% do próprio município-sede. A candidatura ao governo partiu de um reduto dos Campos Gerais, sem capilaridade construída no restante do estado.
A terceira — talvez a mais política — é a de que o eleitorado paranaense premiou "troca", não "sucessão". A última vez que o estado reconduziu uma linha de governo foi em 2010, com Beto Richa depois de Roberto Requião, e mesmo assim houve troca de campo político. Em 2018 e em 2022, Ratinho foi "troca" (contra PT e MDB), não continuidade. Sandro Alex, com Rafael Greca de vice e com Beto Richa, Álvaro Dias e Ratinho no palanque, era, para o eleitor, a continuidade. Perdeu.
O que fica para 2030
Sem mandato eletivo à vista para Ratinho Junior e com Moro no Palácio Iguaçu, o PR volta a ser disputado em um tabuleiro aberto. O PSD, dominante no último ciclo, perde a cadeira principal e três de sete federais. O PL cresce em três eixos — governo, Senado por Filipe Barros e cinco federais — e amplia controle junto do NOVO, que entra no estado como força nova, por fora da RMC.
Perguntas rápidas
Quem venceu a eleição para governador do Paraná em 2026?
Sergio Moro (PL) foi eleito governador do Paraná em 1º turno, com 50,10% dos votos válidos (3.127.911 votos), em 4 de outubro de 2026.
Quem foi o candidato apoiado por Ratinho Junior?
O deputado federal Sandro Alex (PSD), ex-secretário de Infraestrutura do governo Ratinho, com Rafael Greca (MDB) como vice. A chapa reuniu nove partidos (Republicanos, MDB, Democrata, PSD, Avante, Cidadania, PSDB, PP e União Brasil) e ficou em segundo lugar, com 25,37%.
Quantos votos Sandro Alex teve no Paraná em 2026?
1.583.764 votos, 25,37% dos válidos. Pouco mais de um terço dos 4,2 milhões (69,6%) que Ratinho Junior teve ao se reeleger em 2022.
Quem foram os senadores eleitos pelo Paraná em 2026?
Filipe Barros (PL), com 3,15 milhões de votos (27,25%), e Deltan Dallagnol (NOVO), com 2,90 milhões (25,14%). Rosangela Moro (PL) também se elegeu, mas para a Câmara Federal.
Como ficou a bancada do Paraná na Câmara dos Deputados em 2026?
PL e PT elegeram cinco deputados cada; PSD, NOVO e PP, quatro cada; União Brasil, Republicanos e Podemos, dois cada; MDB e PV, um cada. O NOVO estreia com quatro cadeiras — saiu do zero em 2022.
Por que Ratinho Junior não concorreu em 2026?
Já cumpriu dois mandatos consecutivos como governador do Paraná (2018 e 2022) e, pela Constituição, não pode se candidatar à reeleição.
Leia também: especial de candidatos do Paraná 2026.
Fonte: TSE (apuração oficial de 04/10/2026) e base histórica integrada
do Plural (dados/candidatos.duckdb, 1998–2022). Última atualização:
5 de outubro de 2026.