O presidente do PT no Paraná, deputado estadual Arilson Chiorato, pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) a cassação do registro da candidatura do advogado Jeffrey Chiquini (Novo) a deputado federal. Segundo Chiorato, o candidato utiliza recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário para fazer propaganda de um curso e de criptomoedas, além de promover páginas ligadas a sua empresa, a Chiquini Consultoria Jurídica Ltda. Chiquini recebeu R$ 470 mil em recursos públicos para sua campanha.
A representação lista uma série de perfis em redes sociais e endereços eletrônicos informados por Chiquini à Justiça Eleitoral como ligados à campanha. Entre eles está o site chiquini.com.br, que teria propagandas de um curso e a oferta de um “Plano anual” e de um “Plano vitalício”. O link remete ao endereço chiquini3000.com.br, que não está no ar.
Em decisão do último dia 7, a juíza eleitoral Nicole Trauczynski determinou que Jeffrey Chiquini remova toda a propaganda eleitoral do site e de um canal no aplicativo de mensagens Telegram, sob pena multa de R$ 10 mil por postagem. Em vídeo publicado no Instagram, o candidato afirmou que seu nome foi utilizado sem que ele soubesse no canal do Telegram. Ele disse ainda que comunicou o fato ao TRE-PR e abriu um boletim de ocorrência (veja abaixo).
Grupo VIP
Um dos benefícios por fazer parte do canal divulgado no site chiquini.com.br seria o acesso a um "grupo VIP" no Telegram. O único canal com o nome do advogado bolsonarista no aplicativo (e que ele nega ser dele) ainda está no ar, tinha 12,9 mil inscritos nesta quinta-feira (10) e faz, além de propaganda eleitoral, propaganda de criptomoedas,

O canal no Telegram tem os mesmos vídeos postados por Chiquini no Instagram – críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes, ataques ao presidente Lula e ao PT e propagandas do presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro (que até hoje não apresentou a prestação de contas do filme "Dark Horse"). Curiosamente, um dos vídeos postados no Telegram é a resposta do candidato à denúncia apresentada por Arilson Chiorato.

"O referido canal conta com mais de 13 mil inscritos, 2 mil fotos publicadas e 827 vídeos. E mescla publicações de conteúdo político-eleitoral e mensagens incentivando a rentabilização de capital por meio de investimentos em criptomoedas. A operação oferecida no canal não instrui o usuário a comprar ativos de forma autônoma em corretoras oficiais (como Binance ou Coinbase), mas funciona por intermediação (direcionamento) para um administrador do canal", afirma a denúncia enviada à Justiça Eleitoral.
A representação diz ainda que são publicadas conversas com assinantes do canal, que supostamente obtiveram lucros com a mineração de criptomoedas. "A técnica utilizada é o que se chama de Funil de Vendas, onde um 'cliente' conhece um produto, adquire o interesse, toma uma decisão e adota uma ação de compra. Não é incomum que, para isso, o processo de venda seja iniciado em redes sociais que levam o consumidor ao site de venda", afirmam os advogados de Chiorato.

Youtube e TikTok
O canal de Chiquini no Youtube tem 634 mil inscritos, 1,6 mil vídeos publicados e 163 milhões de visualizações. Para Arilson Chiorato (que também é candidato a deputado federal), o canal mostra que há uma estrutura empresarial, criada para vender cursos, que se confunde com os canais oficial da campanha eleitoral.
"No caso do investigado, ele não se importa com infringir as regras eleitorais, uma vez que insere diferentes plataformas empresariais como canais de propaganda no Divulgacand", diz a representação protocolada no TRE-PR. "O investigado sequer se deu ao trabalho de tentar mascarar a finalidade empresarial de suas páginas. Utiliza o branding de sua marca em eventos de campanha e faz questão de vincular diretamente a sua campanha ao seu produto."

O canal de Chiquini é monetizado e teria arrecadado entre R$ 23,5 mil e R$ 32,2 ml no mês de agosto, segundo consulta feita pelos advogados de Arison Chiorato no site Influencer Marketing Hub, que publica dados e estatísticas sobre produtores de conteúdo. O crescimento do canal no período de convenções partidária teria sido de 9%, de acordo com a denúncia – o que também representaria um aumento nos ganhos atrelado à campanha eleitoral.
Já o canal do advogado no TikTok, de acordo com o denunciante, tem 335,6 mil inscritos e rendeu de R$ 4,6 mil e R$ 6,3 mil em agosto. Para os advogados do PT-PR, "há em funcionamento um ecossistema complexo que transforma recursos públicos para a divulgação de ideias e plataformas eleitorais para o desenvolvimento democrático em lucro privado para o investigado".
A representação afirma ainda que a empresa Chiquini Consultoria Jurídica Ltda. funciona na casa do advogado e que há abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. "Há um claro interesse em aumentar a repercussão dos vídeos de propaganda eleitoral através da promessa de ganhos com os investimentos com criptomoedas em um mesmo canal".

"Bet ou jogo"
Em vídeo publicado no Instagram, Jeffrey Chiquini chamou Arilson Chiorato de "burro" e "insignificante" e disse que o presidente do PT-PR está "propagando fake news". "Está dizendo que eu tenho um Telegram e que eu estou vendendo coisa de bet, de jogo, nesse Telegram", afirmou o candidato. Diferentemente do que afirmou Chiquini no vídeo visto por 28 mil pessoas, em nenhum momento a representação ao TRE-PR cita as palavras "bet" e "jogo".
Chiquini disse que informou o TRE-PR há três semanas sobre um falso canal no Telegram que utilizaria seu nome. "Olha aqui o boletim de ocorrência. Fizeram um Telegram falso com o meu nome e com a minha foto. E eu informei o TRE, fiz um boletim de ocorrência. Aí esse cidadão, esse gênio da lâmpada, foi pro TRE agora e pediu a cassação do meu registro por causa desse Telegram. Um Telegram que nem é meu". O canal permanece no ar.
A reportagem do Plural entrou em contato com a assessoria de Jeffrey Chiquini nesta quinta-feira e questionou os demais pontos indicados na representação, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço fica à disposição.

