Pular para o conteúdo

Ex-fã de carteirinha e autora de biografia, Joice Hasselmann diz que Sergio Moro “perdeu parte de sua dignidade”

Para ex-deputada, governador eleito do Paraná se aliou ao bolsonarismo porque "tinha medo de ser preso"

Ex-fã de carteirinha e autora de biografia, Joice Hasselmann diz que Sergio Moro “perdeu parte de sua dignidade”
A jornalista Joice Hasselmann em entrevista ao canal MyNews nesta quinta-feira (22) (Reprodução)

Dez anos depois de lançar a biografia de Sergio Moro, a jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann se disse decepcionada. No mesmo dia em que anunciou o voto no presidente Lula (PT), nesta quinta-feira (22), a ex-bolsonarista criticou, em entrevista ao canal MyNews no Youtube, a união com o PL de Valdemar da Costa Neto e Flávio Bolsonaro – que ela chama abertamente de “ladrão”.

Para a ex-bolsonarista, Moro aceitou se aliar à família Bolsonaro porque “tinha medo de ser preso”. Menos de dois anos depois de deixar o governo e acusar Jair Bolsonaro de tentar controlar a Polícia Federal para livrar Flávio de investigações, o ex-juiz apoiou a reeleição do então presidente no segundo turno de 2022. "O mandato, o foro privilegiado foi o preço. Esse foi o preço, infelizmente, do Sergio, que acabou perdendo parte da sua dignidade por conta disso."

“Ele (Moro) tinha muito medo (de ser preso) pelo que aconteceu na Lava Jato, pelos vazamentos que aconteceram, pela troca de informações que acontecia entre o Ministério Público e a Justiça. Pelo Lula ter sido libertado da cadeia por conta desse erro. A mesma Lava Jato que prendeu foi a que soltou. Você pode dizer, ‘não, foi o Supremo’. Foi o Supremo, mas porque houve esse erro dentro da Lava Jato. Não é nem um erro, na verdade é um crime essa troca entre Promotoria e Justiça. Essa combinação.”

Joice Hasselmann, jornalista e ex-deputada federal

Moro foi eleito senador pelo União Brasil em 2022, depois de uma passagem tumultuada pelo Podemos. Ensaiou a candidatura ao governo do Paraná pelo União, mas enfrentou resistência no PP do deputado Ricardo Barros (os dois partidos formam uma federação). Abandonou o União Brasil (e a pré-candidata ao Senado Cristina Graeml) e se filiou ao PL de Bolsonaro em abril deste ano. Garantiu os votos da extrema direita e isolou o PSD de Ratinho Jr.

Na entrevista à jornalista Mara Luquet, Joice Hasselmann criticou a adesão de Moro ao partido de Valdemar da Costa Neto, condenado a mais de 7 anos de prisão em 2012 no processo do Mensalão – um dos temas que biografia que exaltava o juiz da Lava Jato.

“O PL é partido de ladrão, é do Valdemar da Costa Neto. Como é que pode eu ver o Moro, o cara que eu biografei, o cara que eu apoiei na Lava Jato, agarrado no Valdemar da Costa Neto e agarrado no Flávio Bolsonaro, depois de sair do governo denunciando corrupção do Flávio Bolsonaro e do (Jair) Bolsonaro? Cadê a dignidade dessa gente? É tudo pra não perder a eleição.”
Joice Hasselmann

Horas depois da entrevista ao MyNews, Joice Hasselmann declarou que vai votar em Lula no segundo turno das eleições. "Perder uma eleição tudo bem. Perder a democracia jamais".

"Hoje eu posso confirmar. Os dois lados não são iguais. Um tem ideias que combato há décadas, mas dentro das regras da democracia. Do outro, a família miliciana ligada a facções criminosas, a família capaz de qualquer coisa, inclusive de mandar matar. É o grupo que representa ódio, mentira, violência, crimes, roubo."
Joice Hasselmann, jornalista e ex-deputada federal, ao anunciar o voto em Lula

Poça de sangue

A biografia escrita por Joice Hasselmann (Reprodução)

Sergio Moro – A história do homem por trás da operação que mudou o Brasil foi lançado em 2016, durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e dois anos antes do ápice da Lava Jato, a prisão de Lula. Joice Hasselmann aderiu ao bolsonarismo em 2018. Foi eleita deputada federal por São Paulo com mais de um milhão de votos e se tornou líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados em 2019.

Disputas internas no PSL (o partido usado pelos bolsonaristas para disputar as eleições de 2018) a fizeram perder o cargo de líder. A relação piorou em dezembro de 2019, quando afirmou à CPMI das Fake News que o governo mantinha um "gabinete do ódio" no Palácio do Planalto.

Na manhã de 18 julho de 2021, Joice acordo em meio uma poça de sangue no chão de seu apartamento funcional em Brasília. Tinha fraturas no rosto, dentes quebrados e uma fratura na coluna. Ela garantiu não se lembrar do que tinha acontecido. No ano passado, disse que foi espancada por militares das forças especiais do Exército a mando de um dos integrantes da família Bolsonaro.

Newsletter

O que aconteceu em Curitiba e no Paraná hoje, em cinco minutos

De segunda a sexta, no fim do dia, direto no seu e-mail.

Sem spam. Você pode cancelar quando quiser.

Falta um passo

Enviamos um link para o seu e-mail. Clique nele para confirmar o cadastro.

Não conseguimos concluir agora. Tente de novo em instantes.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

Todas as reportagens

Mais em Eleições 2026

Ver todos

Mais de José Marcos Lopes

Ver todos