O ex-juiz e senador Sergio Moro (PL) lidera a disputa pelo governo do Paraná. As pesquisas mais recentes o colocam na primeira posição, embora com números que variam entre 35% e 44,7% das intenções de voto, à frente de Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD). A entrada na corrida eleitoral do ex-juiz símbolo da Operação Lava Jato começou, na prática, em 2018, quando decidiu abandonar a magistratura para se tornar ministro da Justiça e Segurança Pública de Jair Bolsonaro.
A decisão, porém, contrariava o que Moro havia afirmado nos anos anteriores. Em 2016, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele foi categórico ao rejeitar qualquer possibilidade de entrar para a política. “Não, jamais. Jamais. Sou um homem de Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política. Acho que a política é uma atividade importante (...) mas eu sou um juiz, eu estou em outra realidade.”
Dois anos depois, já após aceitar o convite de Jair Bolsonaro (PL) para assumir o Ministério da Justiça, Moro voltou a afirmar que não pretendia disputar eleições, justificando a decisão de aceitar o convite de Bolsonaro porque se tratava de uma posição técnica, na qual poderia “fazer o meu trabalho”.
Apesar dessas declarações, em 2021 oficializou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Podemos, mas acabou desistindo por falta de apoio. No ano seguinte, decidiu inicialmente se candidatar a deputado federal por São Paulo pelo União Brasil, mas a impossibilidade de mudar o domicilio eleitoral levou Moro a lutar por uma vaga no Senado contra o seu ex-padrinho político Alvaro Dias.
Da ruptura com Bolsonaro ao apoio em 2022
Em 2019, ainda ministro da Justiça, Moro negava que pretendesse disputar a Presidência e dizia que seu candidato para 2022 seria justamente Bolsonaro. Menos de um ano depois, porém, a relação terminou. Em abril de 2020, Moro deixou o governo acusando Bolsonaro de tentar interferir no comando da Polícia Federal, em meio às investigações que atingiam os filhos do então Presidente.
A ruptura se aprofundou nos anos seguintes. Em janeiro de 2022, quando ainda era pré-candidato à Presidência, Moro escreveu no Twitter que Bolsonaro “mente” e que “nada do que ele fala deve ser levado a sério”. Também afirmou que o então presidente havia mentido ao dizer que era favorável à Lava Jato e contrário ao Centrão e concluiu: “Não é digno da Presidência”.
Poucos meses depois, entretanto, a posição de Moro voltou a mudar. Em outubro de 2022, já eleito senador pelo Paraná, o ex-juiz declarou apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições. “Lula não é uma opção eleitoral. Contra o projeto de poder do PT, declaro, no segundo turno, o apoio para Bolsonaro”, afirmou aos jornalistas na noite do primeiro turno.
Decidiu assessorar Bolsonaro também no debate presidencial na Band e foi fotografado por diversas vezes conversando sozinho com o então presidente. Essa aliança, que parecia improvável poucos meses antes, estava novamente de pé.
Moro voltou a defender Bolsonaro mesmo após a condenação do ex-presidente pelo Supremo Tribunal Federal. Em setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Após a sentença, Moro criticou a decisão em seu Twitter: “O julgamento termina como começou, com excessos. Mesmo no cenário condenatório, sobre o qual há mais do que dúvidas razoáveis, as penas são excessivas contra o ex-presidente Bolsonaro”.
A relação com Flávio
Uma vez eleito, Moro ocupou seu lugar no Senado ao lado de Flávio Bolsonaro, fechando uma aliança com ele. Tanto que o zero um escolheu apoiar sua campanha para o governo do Paraná, enquanto Moro se tornou seu principal apoiador na corrida pelo Planalto. Uma relação que teria feito Moro mudar de ideia até mesmo sobre as acusações de rachadinha. “Sergio Moro sabe que não fiz nada de errado”, declarou Flávio durante uma visita a Ponta Grossa em 5 de setembro de 2026.
Nem mesmo a nova investigação por corrupção aberta pela Polícia Federal contra Flávio Bolsonaro, relacionada ao caso do Banco Master, levou Moro a se afastar do filho do ex-presidente. “Flávio já se defendeu e nunca se opôs às investigações”, disse o ex-juiz da Lava Jato à Globo.