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Confira quem são os candidatos ao Senado pelo PR

Disputa por vaga no Senado tem dez concorrentes, entre eles uma chapa coletiva feminina, um ex-juiz e dois ex-governadores

Confira quem são os candidatos ao Senado pelo PR
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Nas eleições de 2022 os eleitores do Paraná poderão renovar uma das três vagas a que o estado tem direito no Senado. O atual ocupante da vaga, o senador Alvaro Dias (Podemos), é candidato à reeleição e tem outros nove concorrentes, entre os quais três mulheres. Permanecem no Senado pelo Paraná pelos próximos quatro anos os senadores Oriovisto Guimarães e Flávio Arns, ambos também do Podemos.

A eleição para o Senado é majoritária, ao contrário das disputas para a Câmara dos Deputados, que são proporcionais. Cada estado brasileiro tem três assentos na casa com mandatos de oito anos e que são colocadas em disputa de forma alternada. Na última eleição, em 2018, foram eleitos dois senadores pelo Paraná, cujo mandato vai até 2026. Naquela eleição, a disputa foi particularmente acirrada, com 16 candidatos.

Na eleição de 2018, pelo menos três pesos pesados da política paranaense estavam na disputa: o ex-governador e senador candidato a reeleição Roberto Requião (PMDB), o ex-senador Flavio Arns (Rede) e o ex-governador Beto Richa (PSDB). O então novato Oriovisto Guimarães (Podemos), conhecido empresário do setor da educação no Paraná, também entrou na disputa.

O resultado da eleição, porém, acabou surpreendendo. Beto Richa, que foi preso faltando menos de um mês para a eleição, acabou em sexto lugar. Requião ficou em terceiro, com quase um milhão de votos a menos que Flávio Arns, que se elegeu em segundo lugar. E o novato Oriovisto Guimarães ficou em primeiro lugar, com quase 3 milhões de votos.

Neste ano o candidato a reeleição é Alvaro Dias (Podemos), que esperava ser reconduzido com facilidade. Porém o ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sergio Moro (União Brasil), irá disputar a vaga com ele. Outro adversário é o candidato apoiado por Bolsonaro, o deputado federal Paulo Martins (PL), que assim como a também deputada federal Aline Sleutjes (PROS) deve disputar os votos dos bolsonaristas.

Também estão na disputa a professora Desiree (PDT), o ex-governador Orlando Pessuti (MDB), a ex-deputada federal Rosane Ferreira (PV), o Dr Saboia (PMN), Laerson Matias (PSOL) e Roberto França da Silva Junior (PCO).

Aline Sleutjes (PROS)

Deputada Federal da base do governo Jair Bolsonaro, Aline começou na política ao se eleger vereadora por Castro, região dos Campos Gerais. Em 2018 foi candidata pelo PSL na onda bolsonarista e acabou se elegendo deputada na última vaga da chapa, com a menos votada entre os eleitos. Agora é candidata ao senado pelo PROS. É ruralista. Tem como primeiro suplente o empresário da rede de escolas Atuação, Ademar Pereira, que foi candidato derrotado a prefeitura de Curitiba em 2016.

Alvaro Dias (Cidadania, PSDB, Podemos, PSC e PSB)

Aos 77 anos, o senador Alvaro Dias tenta conquistar seu quinto mandato no Senado Federal. A carreira de Alvaro começou com a eleição em 1969 para vereador em Londrina, região Norte do Paraná. Desde então ele já foi deputado estadual, deputado federal e governador do Paraná, de 1987 a 1991.

Como governador, seu feito mais infame foi o massacre de professores durante um protesto na Praça Nossa Senhora de Salete em 30 de agosto de 1988 (não confundir com o massacre de 29 de abril de 2015). Na ocasião, os manifestantes que estavam em greve por melhores condições de trabalho foram atacados na frente do Palácio Iguaçu pela cavalaria da Polícia Militar, além do uso de cães e bombas de efeito moral.

No Senado, Alvaro ganhou notoriedade nacional ao presidir a CPI do Futebol, que investigou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele concorreu à presidência da República em 2018 pelo Podemos com discurso crítico a Bolsonaro, mas de volta ao Senado teve uma atuação discreta e pouco contundente durante o governo bolsonarista.

Tem como suplentes o advogado Rolf Koerner e o vice-reitor da Unicesumar, Wilson Matos Filho.

Desiree (PDT)

Advogada, Eneida Desiree Salgado é professora do Departamento de Direito Público do curso de Direito da Universidade Federal do Paraná. É mestre e doutora em direito do Estado. Além de estudar a participação das mulheres na política, Desiree participou ativamente de iniciativas de promoção da entrada de mulheres na área, com promoção de cursos e outras ações de formação de lideranças. A eleição de 2022 é a estreia dela numa disputa eleitoral.

Dr Saboia (PMN)

O médico Carlos Eduardo Saboia Gomes, 75 anos, é natural de Rio Negro e está em sua quinta eleição. Em 2008 ele foi eleito vereador em Maringá pelo PMN. Mas em 2012 não conseguiu a reeleição, nem em 2016. Também disputou uma vaga na Câmara Federal em 2006, sem sucesso. Tem como suplentes a aposentada Gisele Durigan, de Curitiba e o empresário Clovis Santos, de Realeza.

Laerson Matias (PSOL)

Bancário de 62 anos, Laerson Vidal Matias é natural de São Miguel do Oeste, Santa Catarina e está em sua terceira eleição. Mas não foi eleito ainda. Tem como suplentes o também bancário Leonardo Martins e o professor Sebastião Donizete Santarosa.

Orlando Pessuti (MDB)

Médico veterinário e funcionário de carreira da EMATER (Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), Orlando Pessuti foi durante cinco mandados consecutivos deputado estadual pelo PMDB, eleito pela primeira vez em 1983. Em 2003 foi eleito vice-governador na chapa de Roberto Requião, cargo no qual permaneceu até 2010, quando o então governador renunciou para disputar uma vaga no Senado e Pessuti se tornou governador. A aliança política entre Requião e Pessuti acabou no mesmo ano.

Em 2015, Pessuti se tornou diretor do BRDE por indicação do então governador Beto Richa (PSDB), desafeto político de Requião. Ele ficou no cargo até 2019.

Paulo Martins (PL)

O jornalista Paulo Martins foi comentarista da Rede Massa, rede de televisão do governador Ratinho Junior. Em 2014 foi eleito suplente de deputado federal e acabou assumindo uma vaga. Em 2018, emplacou como um dos deputados federais mais votados do estado com a defesa de uma plataforma que é conservadora nos costumes e liberal na economia. Era do PSD e mudou para o PL para ter o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL) como candidato ao senado.

Tem como suplentes a vereadora por Assis Chateaubriand Franciane Sonni Martins Micheletto e o advogado Juarez Berté.

Roberto França da Silva Junior (PCO)

O professor do Ensino Médio Roberto França tem 45 anos, é casado e está em sua primeira eleição como candidato ao senado pelo Paraná. Ele tem como suplentes o aposentado Antonio Cesar Guariza e o também professor do Ensino Médio Gilson Mezarobba.

Rosane Ferreira (PV, PT e PC do B)

A enfermeira Rosane Ferreira é a cabeça de chapa de uma candidatura coletiva feminina. Filiada ao PV desde o início da carreira política, Rosane tentou a primeira vez de eleger vereadora em Araucária em 2000, mas não conseguiu. Em 2006 se elegeu deputada estadual depois de perder a eleição para prefeita de Araucária em 2004. Tornou-se deputada federal pelo PV do Paraná em 2010 depois de mais uma candidatura frustrada a prefeita de Araucária em 2008.

Foi candidata a vice-governadora na chapa de Roberto Requião em 2014, que foi derrotada por Beto Richa (PSDB). Ela não voltou a concorrer e voltou a trabalhar como enfermeira em Araucária.

Agora ela é encabeça uma chapa que é composta também pela ex-presidente da APP-Sindicato, Professora Marlei e a assistente social Elza Campos, do PCdoB, que nunca se elegeu para nenhum cargo eletivo, mas tem um histórico de militância tanto no partido quanto no movimento feminista. É a única chapa só de mulheres na disputa ao Senado.

Sergio Moro (União Brasil)

O ex-juiz federal Sergio Moro está em sua primeira disputa eleitoral este ano, concorrendo a uma vaga de senador pelo Paraná pelo União Brasil. Moro era funcionário público federal, atuando como juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba, assim como professor do curso de Direito da Universidade Federal do Paraná. A partir de 2014 ele ganhou notoriedade quando começou a comandar o julgamento em primeira instância em Curitiba dos casos da Operação Lava Jato, que investigava indícios de corrupção na Petrobrás e inúmeras empreiteiras brasileiras.

Moro foi responsável pela prisão do ex-presidente Lula, o que o retirou da disputa pela presidência em 2018 e a consequente eleição de Jair Bolsonaro naquele ano. Após a eleição, Moro aceitou um convite de Bolsonaro e se tornou ministro da Justiça. A relação entre os outros acabou quando Bolsonaro passou a interferir diretamente em operações e cargos da Polícia Federal que investigavam pessoas da família Bolsonaro. Moro deixou o governo e passou a trabalhar por uma candidatura em 2022.

A primeira tentativa, porém, de sair como candidato a presidência pelo Podemos não ganhou tração. Ele então se mudou para o União Brasil e tentou ser candidato ao Senado em São Paulo. Sua filiação naquele estado, porém, foi negada por ele não ter provas de residência lá. Para continuar candidato, Moro voltou ao Paraná e se lançou ao Senado aqui.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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