Foi aprovada por 21 votos favoráveis, 7 contrários e 3 abstenções a concessão de Título de Cidadania Honorária para a psicóloga Deuza Avellar. Avellar promove, entre outras coisas, a chamada "cura gay", uma terapia rejeitada pelo Conselho Federal de Psicologia que alega ajudar na conversão de homossexuais de volta a heterossexualidade. Avellar também é militante contrária a "ideologia de gênero", um termo cunhado para denunciar qualquer incentivo a educação sexual e de gênero.
Em plenário, houve apenas o vereador Dalton Borba (PDT) se manifestou para encaminhar o voto da bancada do PDT contra a iniciativa e lamentar que se tenha que discutir esse assunto em pleno 2022. "Considero esse projeto inadequado do ponto de vista ético, moral, social", reforçou.
A Câmara, que é composta por 38 parlamentares eleitos, não tem nenhum membro que se declare homossexual ou outra orientação que não seja heterossexual.
Na segunda, durante o primeiro turno de votação em plenário, o vereador Ezequias Barros (PMB) chamou Avellar de uma mulher "com posições muito bem definidas". A vereadora Sargento Tânia Guerreiro (União) disse que a psicóloga é "também é lutadora comigo na questão da pedofilia". E Denian Couto concluiu que ela "é uma mulher verdadeiramente empoderada" e que ela recebe ataques "ideológicos".
Homenagem inconstitucional
O único posicionamento mais contundente contrário ao projeto está registrado em sua passagem pela Comissão de Educação, quando a vereadora Carol Dartora (PT) apresentou um parecer em separado apontando que a homenageada não atendia os critérios para tal. Isso porque o Regimento Interno da Câmara indica que "A concessão dos Títulos referidos será outorgada àqueles cuja conduta atenda os princípios constitucionais e que venha dignificar a homenagem e o Município de Curitiba".
A defesa da cura gay, porém, atenta contra a dignidade da população LGBTQIA+ e é reconhecida como inadequada pelo Conselho Federal de Psicologia porque promove a patologização da homossexualidade apesar de já ser ponto pacífico na medicina e na psicologia que não patologia na orientação sexual que difere da heterossexualidade.
Na Comissão, o parecer pela tramitação (que permitiu que o projeto fosse à plenário) recebeu votos favoráveis de Eder Borges e Amália Tortato e foi aprovado.

Pedofilia
Em plenário, na votação em primeiro turno pela homenagem, a vereadora Professora Josete (PT) voltou a destacar os argumentos de Dartora no parecer da Comissão de Educação. E respondeu à Tânia Guerreiro: "Também sou lutadora contra a pedofilia, mas não podemos confundir pedofilia com qualquer forma de orientação de orientação sexual, qualquer forma de identidade de gênero. Inclusive porque grande parte dos pedófilos são heterossexuais".
A isso, o vereador Ezequias Barros respondeu: "A pedofilia é defendida pela esquerda como algo normal. Então para mim é algo indiferente".
A declaração, que não tem qualquer prova concreta, foi rechaçada por Renato Freitas (PT): "Quero lamentar acusações levianas, descabidas de um populismo rasteiro que envergonha a democracia brasileira, sobretudo fragiliza a ética desta câmara". Freitas também chamou a declaração de "quebra de decoro".