Viuvez precoce, geada e muito trabalho: a vida de uma agricultora na Colônia Murici

No Dia do Agricultor, o projeto Periferias Plurais conta a vida de Lídia Fontes na roça

O Brasil tem dado grande destaque ao agronegócio, especialmente aos grandes plantadores, com seus maquinários de ponta e terras quase infinitas. Mas este 28 de julho, Dia do Agricultor, serve para lembrar também que a maior parte dos trabalhadores da terra vivem em condições bem diferentes – e que em grande medida são eles os responsáveis por colocar comida na nossa mesa.

Lídia Schulles Fontes é um exemplo típico da agricultora brasileira. Moradora da Colônia Murici, em São José dos Pinhais, mãe de seis filhos, perdeu o marido muito nova. Nem por isso perdeu a esperança de uma vida melhor: seguiu com a produção de hortaliça ao lado de seus filhos, que desde muito novos já ajudavam na propriedade. Hoje aos 85 anos deixou o cuidado com a terra nas mãos de seus filhos Luís e Sueli Alves Fontes.

A família sabe por experiência própria que para superar os obstáculos do clima, das pragas e doenças é preciso ter muita determinação. Sandra Mara, filha mais nova de Lídia, conta que lembra de um incidente na década de 80. “Na época meu pai já tinha falecido. Nós estávamos todos em uma plantação de pimentão no bairro Colônia Gamelas e de repente veio uma forte chuva de granizo e destruiu toda a plantação. Voltamos tristes e preocupados para casa mas tivemos uma ótima surpresa: o gelo não atingiu e a plantação de tomates, que ficou intacta. Foi uma luz de esperança pois todo o nosso ganha pão vinha das plantações.”

Plantação de rúcula na Colônia Murici. Foto: Debora Reusing

O rosto suado, as mãos calejadas e as surpresas do nosso clima instável não impedem o árduo trabalho diário dos protagonistas do campo. Luís explica algumas inovações que implantaram nas lavouras para que os prejuízos diminuíssem. “Implantamos o plantio sobre a palhada, que auxilia no controle da erosão e na qualidade das folhosas. E o plantio em estufas, no ambiente controlado no caso da alface, por exemplo, temos de oito a dez plantios anuais em uma mesma área, já a céu aberto são cerca de dois ”. Ambos os sistemas foram implantados na propriedade visando uma maior produção, mas sem danificar o solo ou a qualidade das hortaliças.

Em São José há milhares de agricultores como eles. Segundo João Carlos Almeida, Chefe do núcleo regional de Curitiba, a organização dos produtores e a localização geográfica dão grande potencial agrícola ao município. Só em 2020, o negócio rendeu cerca de R$ 590 bilhões. Grande parte desta produção é levada para a Ceasa de Curitiba.

Este texto é parte do projeto Periferias Plurais, que convida seis jovens da região de Curitiba a falar sobre suas vidas e suas comunidades.

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2 comentários em “Viuvez precoce, geada e muito trabalho: a vida de uma agricultora na Colônia Murici”

  1. Guilherme Fontes Valenga

    Parabéns pelo texto Débora, fico ansioso para ver uma matéria sobre a vida dela, contando a imigração Polonesa e alemã na região, a dura vida em que eles passaram a desbravar as terras virgens da região… tem muito a mostrar ….

  2. Célia Regina Sari Schulis

    Parabéns a todos agriculturores e agricultoras …semeando todos os dias com muito amor para em alguns meses colocar em nossas mesas ou frutos de seus esforços e dedicação.
    Deus abençoe suas calejadas mãos e que saibamos lembrar a cada dia de agradecer e pedir proteção a você AGRICULTOR .

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