A oposição a Ratinho Júnior (PSD) voltou a cobrar o governador nesta terça-feira (7) sobre as suspeitas de corrupção na Sanepar, a Companhia de Saneamento do Paraná. Em novo áudio divulgado nesta segunda (6) pelo jornal Diário de Maringá, uma pessoa que trabalharia na Casa Civil do governo diz que o presidente da Sanepar, Cláudio Stabile, chantageou Ratinho para permanecer no cargo. Em outra gravação, uma pessoa não identificada diz que vai "chutar o pau da barraca" e denunciar casos de corrupção.
O áudio divulgado pelo Diário de Maringá, segundo o jornal, é o registro de uma conversa entre Rogério Pazzoto, assessor na Casa Civil do governo de Ratinho, e um homem identificado apenas como Bedeu – que pode ser Wellington Bedeu, funcionário da Sanepar multado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) por suposta omissão em um contrato firmado em 2018.
De acordo com o jornal, Pazzoto disse que Stabile "está destruindo tudo" e chantageou Ratinho Júnior para permanecer no cargo. Segue a transcrição:
“Bedeu, bom dia meu irmão, tudo bem? Do Cláudio eu escuto bastante sabe, que está destruindo tudo e eu ouvi falar no gabinete que o Cláudio… foram reclamar do Cláudio pro governador, que o governador ameaçou tirar o Cláudio e que o Cláudio chantageou o governador. Eu ouvi isso lá dentro tá, que o Cláudio chantageou o governador pra continuar no cargo. Deve ser com a história do dinheiro das empreiteiras né? Agora da Priscila cara, é… ninguém fala um 'a' dela.”
O Diário de Maringá informou que se trata de Priscila Brunetta, que seria responsável pela condução de Parcerias Público-Privadas na área de esgoto.
Em outro áudio que circula nas redes sociais, um homem não identificado conversa supostamente com Bedeu e reclama que gastou entre R$ 47 mil e R$ 49 mil na campanha de alguém chamado Tiago, sem receber nada em troca. Ele ameaça divulgar informações sobre o deputado federal Beto Preto (PSD-PR), ex-secretário da Saúde de Ratinho Júnior. "É tudo farinha do mesmo saco mesmo, cara", diz.
"Eu vou esperar essa semana. Se não der, eu vou chutar o pau da barraca. Eu vou falar que não precisa mais, não, que eu vou caçar alguma coisa pra fazer. Mas que eles aguardem. Eles me aguardem. Até o Beto Preto vai rodar. Eu vou ferrar até com a vida do Beto Preto. Que eu tenho prova aqui pra derrubar o... Pra ele perder o mandato dele".
Rombo de campanha
Os áudios começaram a ser divulgados em dezembro. Um deles indicaria um suposto esquema de caixa dois na Sanepar. A gravação é atribuída ao ex-gerente da Companhia Rafael Malaguido e a Jaime Antônio de Camargo Ferreira, ex-chefe de gabinete do secretário das Cidades, Guto Silva. A fala indicaria pedidos de arrecadação de recursos dentro da estatal, supostamente destinados a auxiliar no pagamento de débitos da campanha de Ratinho à reeleição, em 2022.
Na conversa há a menção a um valor de R$ 4 milhões para o pagamento de dívidas da campanha de reeleição, montante que se aproxima do déficit os dados oficiais da prestação de contas, disponíveis no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Conforme os dados, há um rombo no valor de aproximadamente R$ 3,4 milhões, como mostrou o Plural.

Em outra gravação divulgada pelo Diário de Maringá, um homem identificado pelo jornal como Jaime Antônio de Camargo Ferreira, assessor de Guto Silva, diz que o secretário é o responsável por pedidos "sensíveis" à Sanepar. "Meu chefe não é nem o governador, meu chefe é o Guto”, afirma.
Explicações
Líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado estadual Arilson Chiorato (PT) cobrou explicações e lembrou que Ratinho Júnior não se posicionou sobre as denúncias anteriores.
“Os áudios continuam surgindo, o conteúdo se torna mais grave, e até agora nenhuma palavra do governador. Queremos explicações”, afirmou. “O governador precisa vir a público e explicar o que está acontecendo na Sanepar. Enquanto surgem mais áudios, o governo se cala”.

Em dezembro, Chiorato e o deputado Requião Filho (PDT) formalizaram representações junto à Polícia Federal, ao Ministério Público do Paraná, à Procuradoria Regional Eleitoral, ao TCE e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Eles pediram a abertura de procedimentos para verificar eventuais irregularidades eleitorais e administrativas, além das medidas legais cabíveis.
Os deputados também encaminharam requerimento de informações à Casa Civil, com base na Lei de Acesso à Informação, solicitando dados sobre contratos, nomeações, exonerações e ações adotadas pelo governo estadual diante das denúncias envolvendo a Sanepar.
O Plural fica à disposição caso Sanepar, governo do Paraná, Guto Silva, Beto Preto ou outra pessoa citada queiram se manifestar sobre o assunto.