A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) retornou aos trabalhos nesta segunda-fe9ra (2 de fevereiro) e o presidente Alexandre Curi (PSD) anunciou um tema polêmico, a votação do novo Código Florestal. Segundo Curi, a votação do Código é uma "cobrança muito grande do setor produtivo". Outro assunto de destaque nesta segunda-feira foi o projeto do governo de Ratinho Júnior (PSD) para reduzir as taxas do Detran, classificado como "estelionato intelectual" pela oposição.
O anúncio da votação do novo Código Florestal acendeu o alerta na oposição, já que a tendência é de o Estado afrouxar ainda mais as regras ambientais. Em 2024, a Alep aprovou um projeto do governo para afrouxar as regras de licenciamentos ambientais, apesar da recomendação contrária de entidades de defesa do meio ambiente, de órgãos como o Ibama e do Conselho Estadual do Meio Ambiente. O governo ainda não comentou o assunto.
"Temos aí a questão de um debate que será extremamente democrático e um novo Código Florestal, que é um debate importante, com uma cobrança muito grande do setor produtivo", disse Alexandre Curi. "E eu, como presidente, posso garantir que o próprio governador me pediu isso, e o chefe da Casa Civil, um debate muito aberto, muito amplo, com audiências públicas, ouvindo o setor produtivo, ouvindo todos."
Líder da oposição, o deputado Arilson Chiorato (PT) avalia que o Paraná chegou ao limite na questão ambiental. "O Paraná está entendendo qual é a consequência para quem não cuida do meio ambiente. Teve tornado no interior do Estado, devastou uma cidade inteira (Rio Bonito do Iguaçu), engorda sendo levada pelo mar, chuva em excesso e aquecimento. Isso é consequência da falta do cuidado com o meio ambiente, com o ecossistema como um todo. A gente tem que ter cuidado com essa pauta, para que o Paraná não sofra mais consequências como essas".
Na abertura dos trabalhos de 2026, o chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega, anunciou que o governo enviará à Assembleia um projeto de lei para atualizar as regras dos exames obrigatórios para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo o governo, a proposta reduzirá em 55% o custo dos exames médicos e psicológicos, que hoje somam R$ 404,74, para um teto de R$ 180.
"É um estelionato intelectual. O governo federal já aprovou isso", criticou Arilson Chiorato. "A lei que já está funcionando nacionalmente e o Ratinho quer pegar carona. Aliás, o que ele sabe fazer é pegar carona e fazer teatro. É uma estratégia mandar um projeto que já tem uma lei federal que faz isso. Esse governo é de aparência, não engana mais a população. De ruim tem bastante coisa, de bom eu estava pensando, mas até agora eu não consegui achar".
Alexandre Curi anunciou que, em função da eleição deste ano, o recesso parlamentar será transferido de julho para setembro. "Um ano eleitoral é um ano atípico, um ano desafiador. Quero reunir todos os líderes para que a gente possa fazer uma alteração no recesso parlamentar. Ao invés do recesso acontecer em julho, a Assembleia trabalhará até dia 6 de setembro e o recesso será nos últimos 15 dias de setembro", disse. "Serão 15 dias finais do período eleitoral para que não haja prejuízo em julho. A gente paralisa o julho e fica esses 15 dias finais de setembro com todos os deputados na reta final de campanha".