2 dez 2019 - 21h55

“Rei do bitcoin”: Polícia ouve vítimas e descarta fraude em sequestro

Mãe e ex-cunhada de Claudio Oliveira foram resgatadas no domingo

A Polícia Civil de Goiás está a procura de três homens acusados de sequestrar a mãe e a ex-cunhada de Claudio Oliveira, que é fundador do Grupo Bitcoin Banco, de Curitiba. As duas vítimas foram capturadas em Anápolis (GO) no sábado, dia 30 de novembro e libertadas por policiais civis da divisão anti-sequestro no domingo.

Segundo o delegado Thiago Martimiano, responsável pelo caso, a mãe de Claudio, uma senhora de 68 anos e a ex-cunhada, de 31, foram ouvidas nesta segunda. O empresário, que está em Curitiba, será ouvido por carta precatória, já que os sequestradores teriam exigido que ele transferisse o equivalente a R$ 8 milhões em bitcoins para que as vítimas fossem libertadas.

O principal suspeito de ter realizado o sequestro, Luís André Martins, seria um dos inúmeros clientes do Grupo Bitcoin Banco que estão sem conseguir sacar investimentos feitos nas empresas de Claudio desde abril de 2019. O sequestro seria uma forma de forçar o presidente do grupo a pagar Luís. O valor do resgate, no entanto, não seria equivalente ao crédito que ele teria junto às empresas de Claudio.

As três pessoas acusadas de sequestrar as mulheres estão foragidas. O delegado Thiago Martimiano descarta que a captura das mulheres tenha sido simulada. Segundo ele há indícios de que o crime tenha sido planejado, inclusive com aluguel de imóveis para receber as reféns. As duas foram resgatadas ilesas em uma propriedade da zona rural de Unaí, presas num quarto do imóvel.

Caso Grupo Bitcoin Banco

As empresas do Grupo Bitcoin estão desde o último dia 27 de novembro em recuperação judicial. O principal negócio do empreendimento era de corretagem de criptomoedas, mas desde abril os clientes não conseguem recuperar o dinheiro investido.

À Justiça o Grupo afirmou ter dívidas de 600 milhões, mas nos fóruns de clientes e ex-clientes das empresas muitos relatam não estar na lista de credores ou ter direito a valores diferentes dos declarados.

A notícia do sequestro da mãe de Claudio Oliveira foi recebida com ceticismo pelos clientes. Isso porque desde o início dos problemas com saques a empresa já estabeleceu inúmeros prazos para regularizar a situação, mas não as cumpriu.

Claudio Oliveira teria inclusive entregue um chegue de pouco mais de um milhão para duas clientes que estão com valores presos nas empresas do grupo. O documento, no entanto, não pode ser compensado por falta de fundos. Quando as clientes reapresentaram a cobrança ao banco foram informadas de que o próprio Claudio havia registrado que o cheque havia sido roubado.

Essas duas clientes acabaram pedindo a falência do grupo à Justiça, pedido que foi seguido, pouco depois, pelo pedido de recuperação do GBB, aceito pela 1a. Vara de Falências de Curitiba no último dia 27 de novembro.

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