PM encerra ensaio de mulheres na praia e detém três instrumentistas | Jornal Plural
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24 jan 2020 - 2h08

PM encerra ensaio de mulheres na praia e detém três instrumentistas

Grupo acusa policiais de abuso de autoridade; veja vídeo

A calçada que divide o início da Praia Brava e a Avenida Atlântica, em Matinhos, costuma receber – uma vez na semana, da 10h às 12h – os ensaios musicais do movimento Baque Mulher Matinhos. Na manha desta quarta-feira (22), o grupo de maracatu composto por mulheres teve seu ensaio encerrado por ação da Polícia Militar. Instrumentos foram apreendidos e três integrantes do grupo foram levadas à delegacia em meio a gritos de “cala boca” e ofensas.

A abordagem teve início por conta de reclamação feita por vizinhos, alegando perturbação do sossego. De acordo com Tainá Reis, coordenadora do grupo, o ensaio foi interrompido assim que as mulheres perceberam a presença policial. A integrante relata que os policiais solicitaram as responsáveis, pediram documentos de identificação e explicaram que um vizinho havia pedido representação. Durante a conversa inicial, os policiais solicitaram, conforme Tainá, que dois instrumentos fossem apreendidos para que o B.O. fosse lavrado.

Ao retornar ao grupo, no entanto, as coisas se modificaram. No vídeo, gravado por uma das integrantes do grupo, as mulheres separam dois instrumentos, os policiais, no entanto, solicitam um terceiro objeto: um dos tambores alfaia. Nesse ponto, o grupo passa a questionar a ação: “Houve uma resistência da nossa parte porque a alfaia é um instrumento caríssimo e muito importante no maracatu. Ficaríamos muito tempo sem ele”, explica Tainá. Diante do pedido dos policiais, as mulheres passam a solicitar que a apreensão aconteça na presença de uma advogada. Com a discussão, um dos policiais acaba pegando o instrumento à força. “Algumas meninas foram machucadas quando seguravam o tambor, e ele arrancou o tambor das mãos delas”, conta a coordenadora.

Quando as três responsáveis já estão dentro da viatura, os ânimos não melhoram: em meio à discussão que segue, uma das integrantes afirma ter sido chamada de “vadia” pelo policial. Ao fundo, alguém retruca com um “fascista”. As coordenadoras foram acusadas, por fim, de perturbação do sossego, resistência e desacato.

Na autuação, já na delegacia de polícia de Matinhos, o despacho emitido pelo delegado legitimou o ensaio, alegando que tanto horário, quanto lugar estavam dentro da razoabilidade, e reconhecendo a legitimidade da expressão cultural do movimento. “Foi uma vitória”, comemorou Tainá ao falar as acusações de perturbação do sossego e resistência. As investigações devem continuar apenas por parte do desacato – e tem data marcada para julho de 2020.

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