Curitiba quer usar escolas fechadas para ensino integral

Escolas e instituições sociais privadas que fecharam nos últimos dois anos podem ser aproveitadas para receber alunos da rede municipal

Anunciado pelo prefeito Rafael Greca na última semana, a transformação de todas as escolas da rede municipal em escolas de ensino integral vai contar com o reforço de instituições educacionais privadas que fecharam durante a pandemia. O uso da estrutura desses locais irá reforçar a estrutura já existente do município, apurou o Plural junto a pessoas que acompanham a ação da Secretaria Municipal de Educação para conseguir viabilizar o projeto.

Greca anunciou durante o evento Seminário Internacional da Educação Integral em Tempo ampliado e o V Fórum da Educação Integral em Tempo Ampliado, na Universidade Livre do Professor (CIC), que até 2024 todas as escolas da rede, que atendem alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental, irão ofertar ensino em tempo integral.

A oferta, em alguns casos, irá se limitar a apenas uma turma ou duas em casa instituição e poderá contar com atividades desenvolvidas em outras instituições. Pessoas ouvidas pelo Plural indicaram que a Secretaria estuda o uso de transporte para levar as crianças da escola regular ao local do contraturno, dessa forma evitando a necessidade de investimentos nos prédios atuais.

Essa estratégia vai fazer com que os pais deixem seus filhos em uma unidade educacional, mas eles sejam levados por pelo menos parte do tempo para outra instituição e devolvidos na escola de origem no fim do dia.

Outra preocupação de professores e funcionários da rede municipal é a falta de professores. No início de 2022 a SME recorreu a equipe de gestão para dar conta da falta de docentes nas unidades. Muitos profissionais que hoje trabalham na Secretaria foram deslocados para escolas para fazer atendimento direto aos alunos. Para atender a demanda do ensino integral, a prefeitura anunciou um aumento de 10% no número de professores, o que muitos profissionais da linha de frente consideram insuficiente.

“Se ela (a SME) não dá conta das escolas atuais, como é que vamos assumir outras instituições”, disse um professor ouvido pela reportagem.

A oferta de ensino em tempo integral é parte das metas do Plano Nacional de Educação e do Plano Municipal de Educação que está em vigor até 2025. Inicialmente a meta era ofertar o ensino integral em 50% das escolas da rede e para 25%, o que a Prefeitura afirma ter conseguido em 2018, quando 92 escolas e 25530 alunos eram atendidos pelo ensino integral na rede.

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