Dois agentes são feridos em tentativa de rebelião no Complexo Médico Penal | Plural
16 ago 2019 - 13h51

Dois agentes são feridos em tentativa de rebelião no Complexo Médico Penal

Superlotação teria motivado início da confusão durante retirada de detento da terceira galeria. Presídio abriga presos da Lava-Jato

Dois agentes penitenciários ficaram feridos após tentativa de rebelião no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A confusão aconteceu na manhã desta sexta-feira (16/8), durante a retirada de um detento da terceira galeria para atendimento médico. A situação foi em dia de visitas na unidade. Apesar dos feridos, o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) informou que os rebelados foram logo contidos e a unidade estabilizada. O local tem capacidade para 660 pessoas mas estaria com mais de mil, segundo o Conselho da Comunidade.

“Infelizmente não é surpresa pois é o único complexo médico que deveria atender todos os doentes do sistema, com capacidade para 600, estava com 1054 na semana passada”, confirma a presidente do Conselho da Comunidade, Isabel Kugler. Ela destaca que a galeria rebelada tinha capacidade para 76 pessoas mas estava com 213. “E já tinha estdo com 230 anteriormente.”

Os números não foram confirmados pelo Depen, que também não repassou o total de presos no Complexo ou na galeria rebelada. Segundo o órgão, “a galeria em questão não está superlotada, ou seja, está dentro da capacidade”.

Em nota, o Depen informou que “durante a retirada de um detento para atendimento médico, houve uma tentativa dos presos da 3ª galeria do Complexo Médico Penal (CMP) de fazer um agente penitenciário como refém. No entanto, usando os protocolos de atuação e de segurança, a situação foi controlada em minutos, e a unidade está estabilizada”. 

“O agente penitenciário, que teve escoriações leves, foi encaminhado para atendimento médico,  dentro do próprio CMP, e passa bem. Outro agente, que também estava no local, também foi ferido, atendido e passa bem”, diz o texto.

De acordo com o Conselho da Comunidade, a informação sobre a rebelião e os feridos veio de dentro do complexo e também de familiares de presos. “Hoje é dia de visitas e a esposa de um dos presos da lava-jato me ligou muito preocupada”, lembra a presidente.

No local estão presos do alto escalão da política, envolvido em escândalos com o dinheiro público. Isabel, lembra, no entanto, que as galerias onde aconteceu  a rebelião estão afastadas das que abrigam os presos de “colarinho branco”.

Para Isabel, a confusão não tem ligação com facções criminosas. “Lá não há grupos ou facções pois nas duas galerias a maior parte dos presos é doente, são tuberculosos, aidéticos. O problema é a superlotação”, reafirma.

Cinco agentes para sete galerias

O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná  (Sindarspen) reforçou a necessidade de contratação imediata de agentes para o sistema penitenciário do estado. A escala dos profissionais em trabalho nesta sexta-feira (16/8) mostra que apenas cinco agentes cuidavam da movimentação e custódia das sete galerias do Complexo Médico Penal. No total, há 17 agentes na unidade. “A quantidade viola os protocolos de segurança do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça, que determina a proporção de um agente para cada cinco presos.”

Segundo o Sindarspen, desde 2010, o número de detentos nos presídios do Paraná subiu de 14 mil para 21 mil, enquanto o número de agentes caiu. Das 4.131 vagas na carreira, apenas 3.069 estão ocupadas. A demanda seria de 4,3 mi agentes penitenciários, além de 2,1 mil para trabalhar nas unidades a serem inauguradas pelo governo. “Estamos trabalhando no limite do limite da falta de servidores e isso tem colocado a vida dos agentes penitenciários em risco todos os dias. O governo precisa abrir concurso público urgentemente”, afirma o presidente do Sindarspen, Ricardo Miranda.

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