Lançamento da Curitiba Film Commission com cineasta carioca gera revolta

Prefeitura convida Bruno Barreto, do Rio de Janeiro, para o evento de posse do comitê da comissão que deve apoiar o audiovisual e perde chance de prestigiar talentos locais

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Na tarde desta quinta-feira (16), acontece no Cine Passeio o evento de posse do comitê gestor da Curitiba Film Commission (órgão governamental, que incentiva a produção audiovisual), que também faz parte das celebrações dos 330 anos da capital, com presença do prefeito Rafael Greca. Porém, ao invés de convidar um cineasta curitibano, o carioca Bruno Barreto foi chamado para abrilhantar a cerimônia, na qual também será exibido o filme “Dona Flor e seus dois maridos” (1976).

Escolha estranha

Cineastas locais estranharam a escolha, pois existem vários talentos daqui que se dedicam à área e geram empregos e circulação de renda na cidade. São profissionais com projeção local, nacional e até internacional. Conforme comunicado da prefeitura, a atribuição da Curitiba Film Commission é: “incentivar, estimular e apoiar a produção audiovisual cinematográfica, televisiva ou publicitária em locais públicos, favorecendo produções nacionais e internacionais com objetivo de desenvolver o turismo, gerar emprego e renda para artistas, técnicos e prestadores de serviço.”

Bruno Barreto

Sobre o porquê da escolha de Barreto como destaque no lançamento da Curitiba Film Commission, a assessoria de imprensa da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) respondeu ao Plural que não vê problema no convite. “Ele foi convidado porque está na cidade desde de domingo [12], e porque rodará um filme aqui este ano. Inclusive ele vai usar uma coprodução de profissionais de Curitiba”. Também foi reiterado que ele é um cineasta de destaque nacional.

A assessoria também respondeu que não sabe o nome de qual produtora local estaria envolvida na coprodução do filme do Carioca, nem quantos profissionais curitibanos farão parte do trabalho. Para obter tais respostas, seria preciso perguntar diretamente ao cineasta durante o evento de hoje, conforme informado pela assessoria da FCC. 

Cineastas curitibanos

Não faltam opções entre os cineastas da cidade, ou que vivem por aqui, que estão conquistando espaço nas telas do Brasil e do exterior. Os nomes vão desde Ulisses Galetto, Gil Baroni, Paulo Biscaia, Juliana Sanson, Heloisa Passos, Aly Muritiba, até Lucas Estevan Soares. Este último é quem assina “Coração de Neon“, filme em exibição nas redes comerciais com mais de 100 salas no Brasil e que levou o bairro do Boqueirão para o mundo com exibições e prêmios em grandes festivais. Soares inclusive divulgou uma nota sobre o caso. Confira a íntegra do texto.

Nota de protesto

“Prefeitura de Curitiba desvaloriza artistas locais ao não convidá-los para o lançamento da Film Comission

O cineasta do filme Coração de Neon, Lucas Estevan Soares, questiona a decisão da prefeitura de Curitiba em não convidar artistas locais e prestigiar o carioca Bruno Barreto para o lançamento da Curitiba Film Comission.

O comitê, explica a prefeitura, terá o objetivo de estimular e apoiar a produção audiovisual cinematográfica, televisiva ou publicitária em locais públicos, favorecendo produções nacionais e internacionais com objetivo de desenvolver o turismo, gerar emprego e renda para artistas, técnicos e prestadores de serviço.

Após a instalação do comitê, na tarde desta quarta-feira (16), será exibido o filme Dona Flor e seus Dois Maridos, sucesso de Bruno Barreto em 1976.

O diretor do filme Coração de Neon questiona a escolha porque ela não privilegia em nada a arte local. Curitiba possui artistas de renome internacional e obras premiadas mundo afora. Assim entende que o prefeito Rafael Greca deveria escolher qualquer profissional local para o lançamento da Film Comission. Isto sim seria incentivar e fomentar o audiovisual curitibano, pois quem melhor que os curitibanos para entender da sua arte e sua cultura e articular isto nacional e internacionalmente?

Deixamos claro que a crítica não é ao cineasta Bruno Barreto e nem a sua obra, mas à decisão errada da prefeitura de incentivar a arte “de fora”. Espanto notoriamente com o prefeito Rafael Greca, profundo conhecedor de tudo que é de Curitiba e apaixonado pela cidade.

No ano passado, a equipe de Coração de Neon esteve com o prefeito Rafael Greca solicitando apoio para o lançamento do Coração de Neon, apoio esse que não aconteceu.

Por isso espanta a falta de valorização da arte e do talento local, que já é reconhecido fora da cidade e até do país, mas recebe pouquíssimo reconhecimento de seus conterrâneos.

O questionamento a esta decisão tampouco se apresenta como uma vaidade, mas um protesto pela falta de valorização aos artistas e produções locais.

Coração de Neon não recebeu nenhum aporte público. Foi inteiramente financiado por seus produtores, Lucas Estevan Soares e Rhaissa Gonçalves, além de parceiros que decidiram abraçar o projeto. Por isso, é com propriedade que o diretor do filme deixa explícita a falta de apoio público e até mesmo de interesse e valorização a projetos locais. Projetos que valorizam Curitiba e que realmente elevam o nome e a imagem da cidade. 

IHC

A produtora do filme Coração de Neon, a International House of Cinema (IHC), foi fundada em Curitiba em 2012 para dar vazão aos projetos do cineasta Lucas Estevan Soares e da produtora Rhaissa Gonçalves. Hoje, já tem sede em Santa Catarina e nos Estados Unidos, onde prestou serviços até para a prefeitura de Miami, cidade co-irmã de Curitiba.

Depois de uma jornada trabalhando em seus curta-metragens e músicas autorais, o IHC lançou o seu primeiro longa-metragem, Coração de Neon, que retrata um dos bairros mais populosos de Curitiba, o Boqueirão, com todas as suas características e “curitibanices”. O filme está atualmente em cartaz em todos os cinemas do Brasil.”

Sobre o/a autor/a

14 comentários em “Lançamento da Curitiba Film Commission com cineasta carioca gera revolta”

  1. Que matéria estranha, procurando pelo em ovo. Sou cineasta de Curitiba e acho normal a escolha do Bruno Barreto. Provinciana e bairrista este texto

  2. É bom que vejam isso, porque sempre fui contra as apresentações do Palácio avenida, que trazem artistas de fora e musicas também. Músicas do folclore do nordeste Etc que não tem nada da nossa terra. De infantil não tem nada e programação péssima, tá na hora de valorizar o que e nosso tenho certeza que os artista Paranaense são capazes e pronto!;falei

  3. Esse prefeito de Curitiba não faz nada certo, tanta rua pra arrumar, capim pra cortar, passagem de ônibus pra baixar, enchentes pra resolver, prédios públicos caindo aos pedaços e vai perder tempo com coisas que não resolvem os problemas da cidade.

  4. Sempre gostei do Greca, mas isso é ridículo. Ele está totalmente alheio ao que acontece no Cinema Curitibano? Falta assessoria?
    Que decepção!

  5. Muito provincianismo,até quando quer se auto glorificar;”eu não sou gato de Ipanema…”
    PS.O nome “Comission..”é brega mesmo

  6. Vamos lá:

    Curitibano deve ter problemas, só pode.
    O Curitibano pode estar em todos os locais do planeta, mas um cineasta de outro estado não pode estar em Curitiba??
    Até quando o EGO do curitibano será afetado a esse ponto?
    É um bairrismo desnecessário e totalmente idiota.
    Povo presunçoso, arrogante e mal educado. Vão aprender a serem educados e depois voltem para reclamar.

  7. Ignácio Dotto Neto

    Pinhão, gengibirra, piá, capivara, vina, do djanho, araucária, dãrde.
    A variante curitibana da língua portuguesa possui um vocabulário muito rico. Não precisava usar esse nome cafona. Prova de que os locais não foram consultados nem na criação do nome.

  8. Prefeitura ao meu ver esta corretíssima, primeiro lugar , se estão revoltados por nai terem sidos convidados a ser homenageados ou prestigiados, ora aqui se produz espetáculos, filmes peças teatrais, e estas correm todo país e quando são boas o mundo ,então a arte é de todos a obra e de todos, ninguém faz nada para si , e sim para coletivo, foi acertiva a homenagem e o meio artístico deveria parabenizar ao colega.

  9. Curitibano quando não é autofágico é bairrista. O cara é o diretor de uma obra-prima do cinema nacional, Dona flor e seus dois maridos é um filme lindo. Enviar nota de protesto contra a presença de Bruno Barreto soa mais a dor de cotovelo. Que vergonha alheia!

  10. Greca só fala que ama Curitiba e os curitibinhas! Na ação , nunca transforma em apoio e incentivo! Não protege a história da cidade! Usa de forma pesdoal

  11. Está tudo errado.
    Eita Curitiba ridícula…
    Qual o motivo desse nome?
    Curitiba film comision?
    É a mesma cidade do tal batel soho, Champagnat etc.
    Começamos mal…irá variar!

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