Fito Páez tem a história de sua vida narrada em série da Netflix 

“Amor e Música: Fito Páez" apresenta ao longo de oito episódios a trajetória de um dos músicos mais importantes da história do rock argentino

[playht_listen_button inline=”yes” tag=”p”]

Considerado um dos roqueiros mais importantes da Argentina, Fito Páez acaba de ter sua trajetória contada na série biográfica “Amor e Música: Fito Páez”, da Netflix. Com oito episódios, a produção se inspira em fatos e lança mão de atores para narrar a infância, a juventude e a ascensão do cantor até 1992, quando foi lançado o álbum “El amor después del amor”, trabalho que contou com a participação de artistas importantes como Charly García, Luis Alberto Spinetta, Fabiana Cantilo, Mercedes Sosa e Andrés Calamaro, sendo até os dias de hoje o disco mais vendido da música argentina.

Ainda que com poucos episódios de curta duração, a série consegue fazer um bom retrato de quem foi Fito Páez antes de se tornar um grande astro da música. Nascido em Rosário em 1963 com o nome de Rodolfo Páez, Fito perdeu a mãe quando ainda era bebê. Ela era uma pianista concertista, de quem provavelmente herdou o talento para a música. Para suprir o vazio materno, foi criado por seu pai, sua avó e sua tia. Foi ainda na infância, acompanhando o pai que ia às lojas de discos para ouvir música, que Fito descobriu o rock por meio do dúo Sui Generis, fundado por Charly García e Nito Mestre. 

Para além de introduzir a figura de Fito Páez a um público novo, a série consegue apresentar muito bem a cena efervescente do rock argentino em meio à ditadura militar, período em que o músico começou a se aventurar dentro do circuito underground de Rosário. Logo Fito é chamado para integrar como tecladista na banda de Juan Carlos Baglietto, um dos fundadores do movimento chamado trova rosarina, onde participou da gravação de três discos, entre eles o clássico “Tiempos difíciles” de 1981, onde gravou suas primeiras composições. 

Fito Páez

Com o sucesso de Baglietto, Fito chama a atenção de Charly García, seu grande ídolo, que o convida para integrar sua banda para a turnê do clássico disco “Clics modernos” de 1983. É durante os ensaios que Fito conhece a cantora e sua futura namorada Fabiana Cantilo, que na época também integrava a banda Los Twist. Além disso, é ensaiando com Charly que Fito conhece a faceta perfeccionista, rebelde e imprevisível do músico de bigode bicolor, com quem constrói uma relação de admiração e frustração.

Ainda tocando com Charly García, em 1984 Fito assina um contrato com a gravadora EMI para gravar seu primeiro disco solo intitulado “Del 63”. Mas foi só no ano seguinte, com o lançamento do disco “Giros” que sua carreira ganhou uma maior projeção. Já fora da banda de apoio de Charly, em 1986 Fito colabora com outro ídolo seu, o roqueiro Luis Alberto Spinetta, fundador das bandas Almendra, Pescado Rabioso e Invisible, com quem grava o disco duplo “La la la”. 

Ainda em 1986, enquanto estava no Rio de Janeiro para se apresentar, Fito ficou sabendo do assassinato da sua avó, da sua tia e da empregada que trabalhava para elas na casa em Rosário. Na série, esse episódio, que foi o momento mais traumático da vida do músico, ganha contornos de uma história investigativa, onde a procura pelo assassino se torna o objeto principal do arco narrativo. Como consequência do crime, Fito lança discos mais radicais e pouco comerciais, ao mesmo tempo que intensifica o uso de drogas.

“Tercer mundo”

Em 1990, depois de muitas brigas, Fito e Fabiana Cantilo se separam. Então Fito deixa a gravadora EMI e é contratado pela Warner Music Group, com a qual grava o disco “Tercer mundo” que, mesmo com a crise econômica da época, se torna um sucesso de vendas na Argentina, marcando a volta da popularidade do músico com canções como “Fue amor”, “El chico de la tapa” e também “Tercer mundo”.

De volta aos holofotes e com a vida restabelecida, em 1991, Fito conheceu sua futura esposa, a atriz Cecilia Roth, famosa por trabalhar com Pedro Almodóvar nos filmes “Labirinto de paixões” e “Maus hábitos”. E foi vivendo um novo amor que o músico se sentiu inspirado para escrever novas canções. Com o suporte de André Midani, que na época era presidente da divisão da América Latina da Warner, Fito entrou em estúdio em 1992 para gravar o disco que o consagrou como compositor e que levou, de fato, o rock argentino para todo o mundo: “El amor después del amor”.

“El amor después del amor”

A série produzida na Netflix chama atenção pelo cuidado, tanto na construção da história de Fito Páez quanto na recriação da atmosfera musical da época. Mas pode-se dizer que o ponto alto são as interpretações. Iván Hochman e Micaela Riera conseguem realmente incorporar Fito Páez e Fabiana Cantilo e levar às telas a química e as tensões que havia entre os dois. Ainda que não seja muito parecido, Julián Kartun consegue transpassar os trejeitos únicos do “flaco” Spinetta. Como Cecília Roth, a atriz Daryna Butryk soube encantar. Porém, quem rouba as cenas é o cantor Andy Chango interpretando Charly García, que não só ficou muito parecido, como também soube emular bem os trejeitos do roqueiro. 

Fito Páez é um patrimônio da música latinoamericana, e é um dos poucos músicos  argentinos que conseguiu ter uma boa repercussão no Brasil. Tanto é que o pianista já gravou com grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso, Rita Lee, Djavan, Titãs, Paralamas do Sucesso e Paulinho Moska. Ano passado, Fito começou uma turnê em comemoração aos 30 anos de “El amor después del amor”, que segue em 2023, mas que infelizmente terá apenas uma apresentação no Brasil –  em Porto Alegre, neste sábado (6).

Onde assistir

“Amor e Música: Fito Páez” está em cartaz na Netflix.

4 comentários em “Fito Páez tem a história de sua vida narrada em série da Netflix ”

  1. Conheci um pouco sobre Fito recentemente ouvindo Juan Carlos Baglietto e fiquei apaixonada, essa resenha me ajudou a me situar nas conexões do rock argentino.
    Simplesmente apaixonada

  2. Muito boa resenha. Só não consigo entender o nome errôneo em inglês e português.
    “El amor despues del amor” como vira amor depois da musica e amor e música. Kkk

  3. A série absorve o expectador com a história de vida de Fito. Faz o link do passado do artista influenciando suas composições e sua carreira, abordando a relação familiar e suas tragédias. Na minha opinião, poderia ter maior profundidade, a serie não explorou muito o sentimento de Fito no período de afastamento de seu pai, que foi muito importante e introduziu a música em sua vida. Mas de uma forma geral, gostei bastante: bons atores, boas cenas, boa música, história envolvente…. Já gostava de Fito Paez, assistindo a série minha admiração aumentou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O Plural se reserva o direito de não publicar comentários de baixo calão, que agridam a honra das pessoas ou que não respeitem níveis mínimos de civilidade. Os comentários são moderados por pessoas e não são publicados imediatamente.

Rolar para cima